Economia

Magalu volta a abrir lojas físicas após três anos focado no e-commerce

Giovanna Gonçalves - Estágio DM

Publicado em 13 de março de 2026 às 14:30 | Atualizado há 4 meses

Após apostar no digital, Magalu volta às origens e planeja novas lojas | Foto: Reprodução
Após apostar no digital, Magalu volta às origens e planeja novas lojas | Foto: Reprodução

(Daniele Madureira/Folhapress)

Após uma década focada na expansão do comércio eletrônico, o Magazine Luiza anunciou que voltará a investir na abertura de lojas físicas. O grupo informou nesta sexta-feira (13), durante teleconferência de resultados do quarto trimestre, que pretende inaugurar novas unidades no segundo semestre, depois de três anos sem novas lojas.

Depois de dedicar dez anos à montagem de um ecossistema que gravita em torno das vendas online, o Magazine Luiza decidiu voltar às origens e abrir lojas físicas. O grupo varejista, controlado pela família Trajano, anunciou nesta sexta-feira (13), durante teleconferência de resultados do quarto trimestre, que deve abrir novos pontos de venda no segundo semestre, depois de passar os últimos três anos sem inaugurações.

Frederico Trajano e a mãe, Luiza Trajano | Foto: Reprodução

A exceção foi a Galeria Magalu, aberta em dezembro na Avenida Paulista, em São Paulo, que reuniu em um mesmo espaço os diversos negócios do grupo — Magalu, Netshoes, Época Cosméticos, Kabum! e Estante Virtual, além do teatro YouTube e de uma cafeteria. Hoje, o grupo tem 1.246 lojas.

A representatividade do canal digital nas vendas totais do Magalu caiu de 70,6% em 2024 para 68,5% em 2025. Enquanto as vendas do comércio eletrônico recuaram 3,9% no ano passado, o resultado das lojas físicas cresceu 5,9%.

“O investimento em abertura de lojas vai ganhar proporção maior do capex [capital para investimento] ao longo dos próximos anos”, disse Fred Trajano, na teleconferência. “A gente espera que o capex também seja maior. Quanto menores os juros, menor o custo de capital; não faz sentido manter a taxa neste patamar”, afirmou, referindo-se à Taxa Selic em 12% ao ano, que inibe a expansão do varejo.

O executivo reforçou, no entanto, que mantém a aposta no ambiente digital, especialmente nas vendas pelo WhatsApp, usando inteligência artificial conversacional.

Resultados financeiros e impacto nos estoques

As vendas totais do grupo (incluindo as de terceiros, no marketplace) recuaram 1% em 2025 na comparação com o ano anterior, para R$ 64,7 bilhões. Já a receita bruta do Magalu aumentou 1,9%, para R$ 48,2 bilhões, enquanto a receita líquida avançou 1,7%, para R$ 38,7 bilhões. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) cresceu 10,6%, para R$ 3,2 bilhões. O lucro líquido, por sua vez, caiu 54%, para R$ 204,6 milhões.

Um dos destaques do balanço foi a provisão de R$ 299,1 milhões no quarto trimestre para lidar com o excesso de estoques, com o objetivo de acelerar a venda de produtos sazonais ou de baixo giro. Segundo a empresa, foi o caso da categoria de ar-condicionado: houve excesso de compras com base na expectativa de aumento de temperatura, mas 2025 se mostrou menos quente do que 2024, apesar das ondas de calor.

Estratégia multicanal e expansão prevista

A expansão física deve ter início no segundo semestre deste ano, com abertura de lojas especialmente no interior do Rio de Janeiro, no Distrito Federal e na zona sul da capital paulista. Também estão sendo identificados pontos que podem ser transformados em novas Galerias Magalu, de menor porte. Hoje já existem dois projetos-piloto em andamento.

O último ciclo de expansão foi em 2021, quando a empresa chegou ao Rio de Janeiro com a abertura de 50 pontos de venda. De lá para cá, o Magalu chegou a fechar lojas e fez a última inauguração em junho de 2023, em Belo Horizonte.

Trajano afirmou que, apesar de ter investido nos últimos anos principalmente em tecnologia, é importante diversificar as fontes de receita. “Gosto do equilíbrio ecossistêmico entre 1P, 3P e loja”, disse o executivo, usando os jargões do varejo digital: 1P são as vendas de estoque próprio e 3P são as vendas de lojistas que integram o marketplace.

A companhia defende que o modelo multicanal acelera suas vendas e melhora a logística, já que as lojas são usadas como pontos de trocas e entregas do canal online. Nas lojas, também é possível ampliar a oferta de serviços financeiros do MagaluPay, especialmente o CDC (Crédito Direto ao Consumidor). Com novas unidades do modelo Galeria Magalu, a empresa também busca explorar as demais marcas do grupo no mesmo espaço e ampliar o chamado “retail media” (ações de marketing de fornecedores).

Nos últimos dez anos como CEO do Magalu, Fred Trajano acumulou 22 aquisições. Antes dele, a empresa criada em 1957 por Luiza Trajano havia feito 10. Desde que assumiu o comando da companhia, o executivo transformou o varejo de móveis e eletro em um conglomerado que inclui empresas de artigos esportivos, acessórios, plataformas digitais, conteúdo, livros e games.

Frederico Trajano | Foto Reprodução

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