Política

Inauguração de hospital com Lula vira palco de críticas a Flávio Bolsonaro

Giovanna Gonçalves - Estágio DM

Publicado em 13 de março de 2026 às 15:12 | Atualizado há 3 meses

| Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo | Evaristo Sa/AFP
| Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo | Evaristo Sa/AFP

As falas durante a inauguração do novo setor de trauma do Hospital Federal do Andaraí, nesta sexta-feira (13), com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tiveram como principal alvo o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República.

Durante o evento, autoridades ligadas ao governo federal e à prefeitura do Rio de Janeiro atribuíram ao senador influência política na gestão de hospitais federais no estado durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do parlamentar.

As críticas nominais foram feitas pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), e pelo secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz (PSD). Procurada por mensagem, a assessoria de imprensa de Flávio não comentou as declarações.

Paes e Padilha fazem críticas diretas

As críticas a Flávio foram iniciadas por Paes, que atribuiu ao senador indicações políticas que teriam afetado a gestão dos hospitais federais no Rio de Janeiro, o que, segundo ele, fez com que essas unidades, ao longo do tempo, “literalmente acabassem”.

“A cozinha desse hospital estava fechada há 12 anos porque era muito mais negócio, em vez de gastar R$ 8 milhões para fazer uma obra, ficar gastando R$ 1 milhão por mês para trazer o transporte das quentinhas que vinham para cá. Devia dar muito mais comissão para quem tinha esses contratos”, disse o prefeito.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que havia um projeto de uma família de “políticos tradicionais” do estado que pretendia sucatear os hospitais federais do Rio de Janeiro.

“Porque dominavam os hospitais federais do Rio de Janeiro do contrato, da indicação do diretor até a indicação de quem internava e quem não internava. Por isso queriam que esses hospitais não funcionassem, fosse o próprio caos, sucateado. Não era só desleixo, não era só negligência. Tem uma família que é responsável por esse projeto e que torço, tenho fé e vamos trabalhar muito, que nunca mais essa família imagine querer cuidar da saúde do nosso país, como aconteceu durante a pandemia.”

Padilha e Paes fazem críticas às gestões dos hospitais no Rio de Janeiro | Foto: Alícia Uchôa

Lula faz críticas indiretas

Lula não mencionou nominalmente seu provável adversário nas eleições presidenciais deste ano.

O presidente criticou sindicalistas que não fizeram greve no período em que o hospital esteve fechado, durante o governo Bolsonaro, mas realizaram protestos quando o governo federal anunciou a municipalização das unidades federais no Rio de Janeiro. Ainda assim, fez uma indireta ao senador.

“Eu não sei se era um sindicalista de verdade ou eram milicianos que defendiam aquele que administrava o hospital. Não sei. A história vai provar”, afirmou.

Em 2021, a unidade foi citada em conversas na CPI da Covid. O ex-governador do Rio, Wilson Witzel, afirmou em depoimento à época que “hospitais federais do Rio têm dono” e mencionou, nos bastidores, suposta influência de Flávio Bolsonaro na unidade.

O governo federal municipalizou, em 2024, a gestão dos dois hospitais federais no Rio de Janeiro: os de Hospital Federal de Bonsucesso e Hospital Federal do Andaraí.

Especializado no tratamento oncológico e de queimados, o hospital do Andaraí foi inaugurado em 1945. Seu centro de tratamento de queimados é o mais antigo do Brasil e era considerado referência nacional.

De 2017 a 2020, o hospital passou por suspensões temporárias no atendimento de emergência e pediatria. Andares de enfermarias ficaram fechados por mais de dez anos.

Lula comenta prisões de ex-governadores

Durante o evento, Lula desejou sorte a Paes na campanha para o governo do estado. O prefeito planeja renunciar na próxima semana para disputar o Palácio Guanabara com apoio do presidente.

Ao comentar a candidatura, Lula lembrou a sequência de prisões de ex-governadores do estado, entre eles os aliados Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão (MDB), este último absolvido no processo de que foi alvo.

“Vocês se lembrem que este ano tem eleição para governador do estado. E vocês não se esqueçam que esse estado tem seis ex-governadores presos. Não se esqueçam. Alguma coisa está errada. Vamos supor que um era inocente, tudo bem, um era inocente. Vamos supor que dois eram inocentes. Até três podiam ser inocentes, mas seis? Algo está errado aqui.” (Yuri Erias, Italo Nogueira/Folhapress)


Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia