Economia

Ameaça do Irã faz petróleo disparar e pressiona mercados globais

Giovanna Gonçalves - Estágio DM

Publicado em 18 de março de 2026 às 13:40 | Atualizado há 3 meses

Alta do petróleo e tensão no Golfo afetam bolsas e decisões de juros | Foto: Reprodução
Alta do petróleo e tensão no Golfo afetam bolsas e decisões de juros | Foto: Reprodução

A ameaça do Irã de intensificar ataques a instalações de petróleo no Oriente Médio fez o preço do barril Brent disparar nesta quarta-feira (18).

O regime iraniano informou, por volta das 10h (horário de Brasília), que pode atacar refinarias e campos de gás na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos e no Qatar nas “próximas horas”, recomendando que funcionários e moradores próximos às instalações deixem os locais.

Após o alerta, o barril Brent saltou 5,59% e passou a ser vendido a US$ 109,73 (R$ 570,52) às 11h30, atingindo o maior valor em mais de uma semana. Em 9 de março, o contrato de maio chegou a US$ 119,46, o preço mais alto desde 29 de junho de 2022.

Até então, o petróleo vinha em queda e não havia ultrapassado os US$ 105 nesta semana. Nesta quarta-feira, inclusive, o Brent chegou a cair quase 3% no início da sessão, sendo negociado a US$ 100,35 (-2,96%) às 3h15. No entanto, a tendência se inverteu após novos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, que respondeu com bombardeios a países do Golfo Pérsico.

Já o petróleo WTI registrava alta de 2,69%, a US$ 98,28 (R$ 510,98). Ao mesmo tempo, as bolsas da Ásia fecharam em alta, enquanto as da Europa e dos EUA operavam em queda, assim como o ouro.

Escalada no Oriente Médio pressiona mercado

Os preços do petróleo chegaram a cair nas primeiras horas do dia após um acordo entre o Iraque e autoridades curdas para retomar exportações pelo porto de Ceyhan, na Turquia, mesmo com o Estreito de Hormuz praticamente fechado pelo Irã.

Estreito de Ormuz é um importante corredor econômico para a importação de petróleo | Foto: Reprodução

No entanto, a retomada dos ataques dos EUA e de Israel ao Irã, e a resposta iraniana com bombardeios em vários países do Golfo, fez os preços voltarem a subir. A madrugada desta quarta-feira foi uma das mais violentas da recente escalada na região.

O Irã afirmou ter realizado ataques em retaliação à morte de Ali Larijani, ocorrida na terça-feira (17). A ofensiva atingiu países que abrigam bases americanas e provocou tensão generalizada.

Em Israel, mísseis atingiram Tel Aviv, deixando dois mortos. O aeroporto de Dubai voltou a ser alvo de ataques. Houve ainda interceptações de mísseis e drones no Kuwait, Bahrein e Qatar.

Na Arábia Saudita, sistemas de defesa derrubaram drones próximos à capital, Riad. Também foram registrados ataques pontuais na Jordânia e no Iraque.

Impacto global e decisões sobre juros

O conflito mantém elevada a preocupação com o fornecimento global de energia, já que navios petroleiros enfrentam dificuldades para atravessar o Estreito de Hormuz, rota por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás.

Analistas avaliam que, se a situação persistir, os preços podem continuar subindo. Rebekah McMillan, da Neuberger, afirmou que a redução de estoques e a limitação da oferta podem pressionar ainda mais o mercado.

Com o petróleo acima de US$ 100, cresce o temor de impacto nas decisões de juros de bancos centrais. Nos Estados Unidos e no Brasil, decisões devem ser anunciadas nesta quarta-feira. Já o Banco Central Europeu, além dos bancos centrais do Reino Unido e da Suíça, divulgam suas resoluções no dia seguinte.

A expectativa é de manutenção das taxas, com exceção do Brasil, onde se projeta um corte de 0,25 ponto percentual, abaixo dos 0,50 previstos antes da escalada do conflito.

Os mercados também acompanham a decisão do Federal Reserve. A atenção está voltada para as projeções econômicas e o chamado “dot plot”, que pode indicar menos cortes de juros à frente.

Segundo o presidente do Fed, Jerome Powell, o cenário ainda é incerto, com dúvidas sobre os impactos do conflito no crescimento e na inflação.

Mercados globais reagem com volatilidade

As principais bolsas da Europa operavam em queda nesta quarta-feira. O índice Euro STOXX 600 recuava 0,76% às 11h25, com perdas em Frankfurt (-0,79%), Londres (-0,82%), Paris (-0,17%), Madri (-0,18%) e Milão (-0,59%).

Nos EUA, os índices também caíam: o Dow Jones recuava 0,88%, o S&P 500 perdia 0,69% e o Nasdaq, 0,75%.

Na Ásia, porém, os mercados fecharam em alta, já que não reagiram imediatamente às ameaças iranianas. O índice CSI300 subiu 0,45%, enquanto o SSEC avançou 0,32%. Os destaques foram Seul (+5,04%) e Tóquio (+2,87%).

O ouro também registrava queda de 2,84%, sendo negociado a US$ 4.865,01 (R$ 25,29 mil) por onça.(Fernando Narazaki/Folhapress)


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