Consumo de drogas ilícitas entre mulheres quase dobra no Brasil em 11 anos
Redação
Publicado em 22 de março de 2026 às 08:27 | Atualizado há 2 meses
Dados do III Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad III), coordenado pela Universidade Federal de São Paulo e divulgados em 2025 (com coleta realizada em 2023), apontam um avanço significativo no consumo de drogas ilícitas entre brasileiros com 14 anos ou mais.
A proporção de pessoas que já experimentaram alguma substância proibida ao menos uma vez na vida passou de 10,3%, em 2012, para 18,7% em 2023 um crescimento de cerca de 81%. Já o uso recente, considerado no último ano, praticamente dobrou, subindo de 4,5% para 8,1%.
O aumento foi puxado principalmente pela cannabis incluindo maconha, skank e haxixe aproximando o Brasil dos níveis observados em países ocidentais. A cocaína apresentou crescimento no uso ao longo da vida, mas manteve estabilidade no consumo recente. O crack, por sua vez, permaneceu em patamares baixos e sem variações relevantes.
Segundo Clarice Madruga, coordenadora do estudo, o país deixou de ter uma prevalência baixa de uso de maconha para alcançar níveis intermediários no cenário internacional. Ela observa que cocaína e crack podem ter registrado picos fora do intervalo analisado, mas atualmente apresentam estabilidade.
Evolução do consumo (2012–2023)
No uso ao longo da vida, houve crescimento em praticamente todas as substâncias:
- Qualquer droga ilícita: de 10,3% para 18,7%
- Cannabis: de 6,2% para 15,0% (principal avanço)
- Cocaína: de 3,9% para 5,4%
- Crack: estável em 1,4%
No consumo recente (último ano), os dados indicam:
- Cannabis: de 2,8% para 6,0%
- Cocaína: estável em 1,8%
- Crack: leve queda de 0,6% para 0,5%
Diferenças por sexo
O uso segue mais elevado entre homens, mas o crescimento proporcional foi maior entre mulheres:
- Homens: de 14% para 23,9%
- Mulheres: de 7% para 13,9%
Mudança de perfil
Embora os homens ainda liderem o consumo, o avanço mais acelerado entre mulheres chama atenção. Entre as hipóteses está a percepção equivocada de que a maconha pode aliviar ansiedade, apesar de evidências indicarem riscos associados ao aumento da potência do THC.
Os jovens permanecem como grupo mais vulnerável. O consumo nessa fase pode afetar o desenvolvimento cerebral, com impactos em memória, aprendizado e controle de impulsos. A facilidade de acesso e a menor percepção de risco contribuem para esse cenário.
Metodologia
O Lenad III ouviu 16.608 pessoas com 14 anos ou mais, em uma amostra representativa da população brasileira, incluindo áreas urbanas e rurais. As respostas foram coletadas por autopreenchimento sigiloso em tablets (ou por áudio anônimo), método que reduz a subnotificação. A amostragem abrangeu 900 setores censitários selecionados de forma probabilística e ponderados por renda.