Após captura de Maduro, oposição pressiona por eleições na Venezuela
Giovanna Gonçalves - Estágio DM
Publicado em 10 de abril de 2026 às 16:43 | Atualizado há 2 meses
Oposição afirma que prazo constitucional foi ultrapassado e cobra novas eleições | Foto: Reprodução
O partido Vente Venezuela, liderado por María Corina Machado e principal força de oposição no país, exigiu nesta sexta-feira (10) a convocação de eleições presidenciais diante do que classificou como “ausência absoluta” de Nicolás Maduro no poder.
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Segundo o partido, já se passaram mais de 90 dias desde a saída de Maduro — prazo previsto na Constituição venezuelana para que a Assembleia Nacional reconheça a vacância do cargo e convoque novas eleições.
“Transcorreram, desde a data em que ocorreu a extração de Maduro, mais de 90 dias que estabelece o artigo 234 constitucional para que a Assembleia Nacional passe a considerar o que todo o país e a comunidade internacional democrática sabem e lhes consta: a existência de uma ausência absoluta na Presidência da República”, afirmou o Vente.
“Devem ser convocadas eleições presidenciais nos 30 dias seguintes a essa declaração”, acrescentou o comunicado.
A atual líder do país, Delcy Rodríguez, vice de Maduro, foi empossada interinamente em 5 de janeiro, após a captura do então presidente em Caracas, no dia 3, durante uma operação conduzida pelos Estados Unidos.
Na ocasião, em discurso na Assembleia Nacional, Delcy declarou lealdade a Maduro, afirmou que assumia “com pesar” após uma “agressão militar ilegítima” e não indicou disposição para atender às exigências dos Estados Unidos.
Abertura econômica e mudanças no governo
Apesar do discurso inicial, o governo interino tem adotado medidas de aproximação com empresas estrangeiras, especialmente nos setores de energia e mineração, em troca de alívio de sanções.
A líder também recebeu autoridades da Casa Branca e, nesta quinta-feira (9), a Assembleia Nacional aprovou uma lei que amplia a abertura do setor de mineração a investimentos estrangeiros.
Por outro lado, Delcy promoveu mudanças na estrutura do governo que indicam pouca abertura política. Entre elas, a substituição do ministro da Defesa, agora comandado por Gustavo González López, além de alterações em cargos estratégicos na liderança militar.
Além disso, a Assembleia Nacional, responsável por conduzir o processo eleitoral, permanece sob controle do regime.
Protestos e cenário interno
O governo também anunciou a libertação de parte dos presos políticos, embora nem todos tenham sido beneficiados e muitos continuem sob restrições de direitos, o que aponta para uma abertura limitada.
Nesta quinta-feira (9), manifestantes entraram em confronto com a polícia em Caracas. Servidores públicos protestavam por melhores salários, e mais de 2.000 trabalhadores e aposentados rejeitaram uma proposta de reajuste anunciada pelo governo.
As manifestações têm sido raras no país nos últimos anos, em meio a uma onda de repressão que se intensificou após os protestos da oposição contra a reeleição de Maduro em 2024, amplamente contestada por adversários e observadores internacionais.
(Folhapress/Guilherme Botacini)