Ginecologista tem registro suspenso após denúncias de crimes sexuais contra pacientes
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 16 de abril de 2026 às 14:24 | Atualizado há 2 meses
Ginecologista é investigado por suspeita de crimes sexuais contra pacientes em Goiás | Foto: Divulgação/Polícia Civil
O Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego) suspendeu, na manhã desta quinta-feira (16), o registro profissional do médico Marcelo Arantes Silva, investigado por suspeita de crimes sexuais contra pacientes durante atendimentos ginecológicos.
Especialista em reprodução humana, o profissional foi denunciado por ao menos cinco mulheres. Elas relatam que os abusos teriam ocorrido durante consultas, em um contexto de confiança estabelecido entre médico e paciente.
De acordo com a Polícia Civil, há registros de ocorrências desde 2017. Um dos casos teria sido registrado em Senador Canedo. Outros episódios foram relatados em Goiânia, em uma clínica particular no Setor Campinas, com denúncias que se estendem até 2026.
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Como aconteciam os abusos
Segundo as investigações, o médico adotava um padrão de comportamento com as pacientes. Inicialmente, buscava conquistar a confiança delas por meio de conversas e perguntas pessoais. Com o avanço dos atendimentos, passava a realizar condutas consideradas invasivas.
As vítimas relatam toques sem consentimento, realização de exames sem o uso de luvas e perguntas de cunho sexual durante as consultas. Há ainda denúncias de que o médico questionava as pacientes sobre sensações físicas durante os procedimentos.
Em um dos relatos, uma das pacientes afirma ter sofrido abusos repetidos e mencionou a prática de sexo oral. Segundo o depoimento, mesmo após tentar se proteger levando a filha adolescente a uma das consultas, as condutas teriam continuado.
A delegada responsável pelo caso, Amanda Menuci, afirma que o investigado se aproveitava da posição de autoridade e da vulnerabilidade das pacientes durante os atendimentos. Ela destaca que o ambiente clínico e a posição ginecológica contribuíam para a fragilidade das vítimas.
Investigação e medidas judiciais
O caso é investigado como estupro de vulnerável. De acordo com a Polícia Civil, a tipificação considera que as vítimas estavam em condição de vulnerabilidade durante os atendimentos, tanto pela posição física quanto pela relação de confiança e dependência técnica em relação ao médico.
A corporação solicitou a prisão preventiva do investigado, mas o pedido foi negado pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) e pelo Poder Judiciário. Ainda assim, foram impostas medidas cautelares, como a proibição de contato com as vítimas, restrição de deslocamento fora da comarca e a suspensão do exercício profissional, comunicada ao Cremego.
A Polícia Civil acredita que outras mulheres possam ter sido vítimas e, por isso, divulgou a identidade do médico com autorização judicial, a fim de incentivar novas denúncias.
Em nota, o Cremego informou que a suspensão do registro foi determinada por ordem judicial e já consta no sistema do conselho. O órgão também ressaltou que denúncias envolvendo a conduta ética de médicos são apuradas sob sigilo, conforme prevê o Código de Processo Ético-Profissional Médico, e que solicitou esclarecimentos ao responsável técnico pela unidade citada nas denúncias.