OMS estima 22,1 milhões de mortes associadas à Covid-19 entre 2020 e 2023
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 15 de maio de 2026 às 15:34 | Atualizado há 2 meses
Documento da OMS revela diferenças entre os dados oficiais e o número real de mortes associadas à Covid-19 | Foto: Reprodução
Relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no documento World Health Statistics 2026 estima que a pandemia de Covid-19 esteja associada a 22,1 milhões de mortes em todo o mundo entre 2020 e 2023. O total é mais de três vezes superior aos cerca de 7 milhões de óbitos oficialmente comunicados pelos países.
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Segundo a OMS, o dado evidencia a magnitude dos efeitos provocados pela crise sanitária global, que interrompeu uma década de avanços na expectativa de vida. O organismo também destaca que a recuperação desses indicadores ainda ocorre de forma desigual entre as diferentes regiões do planeta.
Como a OMS calculou o total de mortes associadas à Covid-19
| Critério | Descrição |
|---|---|
| Período analisado | Mortes registradas entre 2020 e 2023. |
| Base de comparação | Número de mortes esperado com base nas tendências históricas anteriores à pandemia. |
| Cálculo do excesso de mortes | Diferença entre o total de mortes observadas e o número de óbitos esperados. |
| Mortes incluídas | Óbitos por Covid-19 e por outras doenças agravadas pela sobrecarga dos sistemas de saúde. |
De acordo com o World Health Statistics 2026, o maior descompasso entre o número de mortes registradas e os dados oficialmente informados pelos países ocorreu em 2021. Naquele ano, a OMS estimou 10,4 milhões de óbitos em excesso, cenário atribuído principalmente à disseminação da variante Delta do coronavírus e à pressão sem precedentes sobre os sistemas de saúde em diversas regiões do mundo.
O relatório destaca que a qualidade e a regularidade das informações enviadas pelos países continuam sendo um dos principais desafios para o monitoramento global da saúde. A Organização Mundial da Saúde (OMS) ressalta que a ausência de dados consistentes compromete análises comparativas e dificulta a formulação de respostas rápidas e eficazes diante de crises sanitárias.
Deficiências na notificação de dados
Ao fim de 2025, apenas 18% dos países haviam encaminhado à OMS informações sobre mortalidade em até um ano após a ocorrência dos óbitos. Além disso, quase um terço das nações nunca reportou dados relacionados às causas de morte.
O levantamento aponta ainda que somente cerca de um terço dos países atende aos critérios da OMS para produção de estatísticas de mortalidade consideradas de alta qualidade. Em contrapartida, aproximadamente metade apresenta dados classificados como de baixa ou muito baixa qualidade, ou simplesmente não dispõe dessas informações.
Para Alain Labrique, diretor do Departamento de Dados, Saúde Digital, Análise e Inteligência Artificial da OMS, essas lacunas reduzem significativamente a capacidade de acompanhar tendências de saúde em tempo real, comparar indicadores entre países e estruturar políticas públicas baseadas em evidências.