Caiado critica Lula e propõe enquadrar facções criminosas como terroristas
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 20 de maio de 2026 às 14:26 | Atualizado há 2 meses
Na Marcha dos Prefeitos, Ronaldo Caiado questionou ações econômicas do Governo Lula e apresentou propostas para a segurança | Foto: Reprodução
O pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), aproveitou sua participação na Marcha dos Prefeitos, em Brasília, nesta quarta-feira (20), para intensificar as críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em um discurso de pouco mais de 40 minutos, o ex-governador de Goiás contestou medidas recentes da área econômica e apresentou propostas para endurecer o combate ao crime organizado.
Entre os pontos citados por Caiado estiveram o Desenrola Brasil, programa criado para renegociação de dívidas, e a decisão do governo federal de zerar o imposto de importação para compras internacionais de até US$ 50, medida popularmente apelidada de “fim da taxa das blusinhas”.
Ao comentar o Desenrola, o pré-candidato afirmou que o governo incentivou o consumo e o endividamento da população e, posteriormente, lançou um programa para tentar corrigir os efeitos dessa política.
“Ele enrolou a população e agora quer desenrolar. Ele dizia que ‘pode ir lá, vai comprar, pode fazer sua parcela’ e agora lança o Desenrola”, afirmou.
Na avaliação de Caiado, a isenção sobre compras internacionais também prejudica pequenos empreendedores do setor têxtil. Segundo ele, muitas mulheres investiram em máquinas e abriram confecções em suas cidades, mas passaram a enfrentar dificuldades para competir com os produtos importados.
“Ele falou para o cidadão montar sua confecção, gerar emprego para as mulheres e vender as blusinhas. Agora, a poucos meses das eleições, tirou a taxa das blusinhas. E a mulher que comprou a máquina e montou sua confecção não sabe o que vai fazer”, declarou.
Caiado propõe classificar facções criminosas como organizações terroristas
Após o discurso, Caiado voltou a criticar o governo federal ao comentar a política de segurança pública. Para o pré-candidato, as medidas anunciadas pelo Palácio do Planalto são insuficientes para enfrentar a atuação das facções criminosas no país.
Questionado sobre as propostas que pretende implementar caso seja eleito, o ex-governador afirmou que pretende classificar organizações criminosas como grupos terroristas já no início de um eventual mandato.
De acordo com Caiado, essa medida permitiria ampliar o uso das Forças Armadas e dos órgãos de inteligência no combate a facções como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC).
A proposta tem sido discutida também no cenário internacional. Nos últimos meses, integrantes do governo dos Estados Unidos manifestaram interesse em adotar classificação semelhante para organizações criminosas que atuam na América Latina.
O Governo Lula, por sua vez, é contrário à medida. Integrantes do Ministério das Relações Exteriores avaliam que esse tipo de enquadramento pode abrir espaço para questionamentos diplomáticos e eventuais pressões externas sobre a política de segurança pública brasileira.