Afastamentos por saúde mental passam de 1,5 mil na saúde pública de Goiás
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 21 de maio de 2026 às 16:16 | Atualizado há 2 meses
Goiás registrou mais de 1,5 mil licenças médicas por transtornos mentais desde 2024 | Foto: Reprodução/Canva
O avanço dos casos de adoecimento mental entre profissionais da saúde pública em Goiás levou o governo estadual a sancionar uma nova política voltada ao atendimento psicológico e à prevenção desses transtornos. Dados da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) mostram que 1.509 servidores precisaram se afastar do trabalho por licença médica relacionada à saúde mental entre 2024 e 2026.
Os registros apontam 685 afastamentos em 2024, outros 614 em 2025 e mais 210 casos contabilizados neste ano. Entre os principais diagnósticos identificados pela pasta estão ansiedade, depressão e síndrome de burnout.
A medida ganhou força após a sanção da Lei nº 24.265, oficializada na última segunda-feira (18) pelo governador Daniel Vilela. O projeto, apresentado pelo deputado estadual Veter Martins, cria a Política Estadual de Atenção à Saúde Mental dos Profissionais da Saúde Pública.
A legislação prevê ações de conscientização, prevenção e acompanhamento psicológico para trabalhadores da rede pública estadual. O texto também estabelece medidas ligadas à capacitação técnica, incentivo ao autocuidado, criação de ambientes de trabalho mais acolhedores e formação de grupos de orientação sobre sinais de adoecimento mental.
| Medidas previstas no projeto |
|---|
| Conscientização sobre a importância do cuidado com a saúde mental dos profissionais da saúde pública. |
| Adoção de medidas que possibilitem amplo reconhecimento do papel dos profissionais da saúde pública. |
| Prevenção, conscientização, acompanhamento e tratamento de doenças mentais dos profissionais da saúde pública. |
| Capacitação técnica dos profissionais da saúde pública. |
| Formação de grupos de atendimento para orientar profissionais sobre sinais de doenças mentais e como buscar ajuda. |
| Integração das políticas públicas relacionadas à saúde mental para aperfeiçoar a execução da política estadual. |
| Criação de grupos multiprofissionais com psiquiatras, enfermeiros, psicólogos e outros especialistas em saúde mental. |
| Disponibilização de ambientes de trabalho acolhedores e seguros para minimizar impactos à saúde mental. |
| Preservação da integridade moral e física dos profissionais da saúde pública no ambiente de trabalho. |
| Celebração de parcerias com órgãos públicos, universidades e organizações da sociedade civil. |
| Incentivo ao autocuidado, prática de atividades físicas, alimentação saudável e cuidados com o sono. |
| Mobilização de suporte comportamental e psicoemocional para profissionais submetidos a situações de pressão. |
| Organização de rotinas de atendimento e observação de cuidados para proteger os profissionais da saúde. |
| Adoção de medidas de prevenção e mitigação dos impactos das doenças mentais nos profissionais da saúde pública. |
| Medidas de detecção e monitoramento de necessidades específicas, como ansiedade e depressão. |
Outro ponto previsto é a criação da Semana Estadual de Saúde Mental dos Profissionais da Saúde Pública, que deverá ocorrer anualmente na primeira semana de setembro com atividades de conscientização sobre o tema.
SES-GO afirma que prepara estratégias para colocar política em prática
Em nota, a SES-GO informou que setores técnicos da pasta já analisam os fluxos e estratégias necessários para implementar a nova política estadual. O trabalho envolve áreas como a Gerência de Saúde Mental (Gesm), a Gerência de Gestão de Pessoas (GGP) e a Saúde do Trabalhador.
Segundo a secretaria, ações voltadas ao acolhimento psicológico e prevenção de transtornos mentais já vêm sendo desenvolvidas pela rede estadual. Entre elas está a atualização das Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas para Transtornos Mentais Relacionados ao Trabalho (DDT-TMRT), documento utilizado como referência no SUS para diagnóstico e tratamento desses casos.
A atualização das diretrizes contou com participação de especialistas da Universidade Federal de Goiás, do Instituto Sedes Sapientiae e de equipes técnicas da própria SES-GO.
A pasta informou ainda que o tema foi debatido em oficinas e discussões públicas com profissionais da saúde mental, representantes de órgãos públicos e instituições parceiras, com foco na prevenção e no fortalecimento das políticas de cuidado emocional aos trabalhadores da saúde pública.