Petrobras anuncia alta de R$ 0,48 na gasolina repassada às distribuidoras
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 28 de maio de 2026 às 15:08 | Atualizado há 2 meses
Novo aumento da gasolina terá compensação federal para reduzir impacto ao consumidor final | Foto: Fernando Pires/Quatro Rodas
A Petrobras anunciou nesta quinta-feira (28) um reajuste no preço da gasolina vendida às distribuidoras. A partir desta sexta-feira (29), o litro da gasolina A ficará R$ 0,48 mais caro. Apesar da alta, a estatal afirma que o impacto ao consumidor deve ser reduzido por meio de uma subvenção criada pelo governo federal.
Segundo a companhia, haverá abatimento de R$ 0,44 por litro relacionado às medidas federais adotadas para conter os efeitos da alta internacional do petróleo. Com isso, a Petrobras calcula que o aumento ao consumidor final poderá ficar limitado a cerca de R$ 0,03 por litro da gasolina comercializada nos postos.
O desconto está ligado à política de compensação regulamentada por medida provisória, decreto presidencial e portaria do Ministério da Fazenda. O mecanismo considera tributos federais incidentes sobre combustíveis, como PIS, Cofins e Cide.
De acordo com a estatal, o preço médio da gasolina A destinada às distribuidoras passará de R$ 2,57 para R$ 2,61 por litro. A Petrobras sustenta que o reajuste efetivo será residual por conta da compensação aplicada pelo governo.
O aumento ocorre poucos dias após o governo federal anunciar um programa de subvenção para combustíveis em meio às pressões provocadas pela alta do petróleo no mercado internacional e pelos impactos da guerra no Irã.
Entenda o impacto do reajuste nos postos
O reajuste anunciado pela Petrobras vale para a gasolina A, combustível fornecido às distribuidoras antes da mistura obrigatória com etanol anidro.
Nos postos, porém, o produto comercializado é a gasolina C, composta por 70% de gasolina A e 30% de etanol. Por causa dessa composição, o reflexo ao consumidor tende a ser menor do que o reajuste inicialmente divulgado.
A Petrobras informou que sua participação no preço final da gasolina C passará de R$ 1,80 para R$ 1,83 por litro. Segundo a empresa, o aumento estimado nas bombas não deve ultrapassar R$ 0,03 por litro.
A estatal também destacou que os preços atuais seguem abaixo dos níveis registrados no fim de 2022.
Governo prevê custo bilionário com subsídio
O programa de subvenção anunciado pelo governo prevê auxílio inicial entre R$ 0,40 e R$ 0,45 por litro da gasolina, podendo chegar a R$ 0,89 quando somados os tributos federais.
Segundo estimativas oficiais, cada R$ 0,10 concedido em benefício sobre a gasolina representa impacto mensal de aproximadamente R$ 272 milhões aos cofres públicos.
Com a aplicação inicial do programa para gasolina e diesel, o custo mensal estimado varia entre R$ 1 bilhão e R$ 1,2 bilhão para a gasolina. Já o diesel deve gerar despesa próxima de R$ 1,7 bilhão por mês.
O governo federal afirma que os gastos serão compensados pelo aumento das receitas provenientes de royalties e dividendos ligados ao petróleo, impulsionados pela valorização do barril no mercado internacional.
Petrobras já havia sinalizado aumento nos combustíveis
Dias antes do anúncio oficial, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, já havia indicado que a estatal preparava um reajuste no preço da gasolina.
Durante teleconferência com analistas do mercado financeiro, a executiva afirmou que a decisão considerava principalmente as oscilações do mercado de etanol no Brasil.
Antes do reajuste anunciado agora, as últimas mudanças promovidas pela Petrobras haviam sido de redução no preço da gasolina. Em janeiro deste ano, a estatal reduziu R$ 0,14 por litro, equivalente a 5,2%. Em outubro do ano passado, outro corte retirou R$ 0,14 do valor do combustível, com queda de 4,9%.
Segundo a companhia, desde dezembro de 2022 a gasolina vendida às distribuidoras acumula redução nominal de R$ 0,50 por litro. Considerando a inflação registrada no período, a retração real supera 26%.