Bets geram perdas de R$ 38,8 bilhões por ano ao Brasil, aponta Ministério da Fazenda
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 19 de junho de 2026 às 14:22 | Atualizado há 2 horas
Empresas suspeitas de atuar fora das regras poderão ter recursos financeiros bloqueados | Foto: Unsplash
O avanço das apostas esportivas e dos jogos de azar on-line tem gerado impactos significativos na economia e na sociedade brasileira. De acordo com estimativas do Ministério da Fazenda, os prejuízos associados às chamadas bets chegam a R$ 38,8 bilhões por ano, considerando tanto as perdas financeiras quanto os efeitos sociais decorrentes da atividade.
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Diante desse cenário, o governo federal tem intensificado as medidas de fiscalização sobre o setor. Entre as ações anunciadas está a possibilidade de bloqueio preventivo de recursos financeiros de empresas que operam apostas de forma irregular no país, numa tentativa de dificultar a atuação de plataformas ilegais.
Dados da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) mostram a dimensão do mercado. Atualmente, cerca de 25,2 milhões de brasileiros realizam apostas, sendo que metade desse público participa dos jogos pelo menos uma vez por semana. Além disso, um em cada quatro apostadores afirma apostar diariamente.
O perfil dos usuários revela predominância de jovens. Segundo o levantamento, 69% dos apostadores têm entre 18 e 29 anos. A pesquisa também aponta que 63% pertencem a famílias com renda mensal de até dois salários mínimos, indicando forte presença das apostas entre as camadas de menor poder aquisitivo.
Raio-X do mercado de apostas ilegais no Brasil
| Dado | Informação |
|---|---|
| Plataformas ilegais | Entre 41% e 51% operam na ilegalidade |
| Apostadores em sites ilegais | 25,2 milhões de pessoas |
| Frequência diária | Um em cada quatro apostadores joga todos os dias |
| Frequência semanal | Mais da metade aposta ao menos uma vez por semana |
| Prejuízo anual | R$ 38,8 bilhões em perdas econômicas e sociais |
| Danos à saúde | Cerca de 80% dos prejuízos estão relacionados à própria saúde |
| Faixa etária | 69% dos apostadores têm entre 18 e 29 anos |
| Renda familiar | 63% dos apostadores têm renda de até dois salários mínimos |
Governo amplia fiscalização sobre empresas de apostas
Como parte da estratégia para ampliar o controle sobre o mercado de apostas, o governo federal criou um mecanismo que permite a retenção de recursos financeiros ligados a empresas suspeitas de operar fora das normas estabelecidas no país. A medida foi oficializada por meio de decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e publicado no Diário Oficial da União.
Pelas novas regras, caberá aos ministérios da Fazenda e da Justiça e Segurança Pública identificar possíveis irregularidades envolvendo plataformas de apostas. Uma vez constatados indícios de infração, as instituições financeiras poderão ser acionadas para impedir temporariamente a movimentação dos valores mantidos pelas empresas investigadas.
O procedimento também prevê a participação do Banco Central, que será informado sobre os casos em análise. Após o bloqueio, os proprietários dos recursos terão um período determinado para apresentar documentos e esclarecimentos que comprovem a procedência legal do dinheiro.
Se a comprovação não ocorrer ou for considerada insuficiente pelos órgãos responsáveis, os valores poderão ser incorporados ao Fundo Nacional de Segurança Pública, destinado ao financiamento de ações e políticas voltadas ao setor.