IPCA-15 sobe 0,06% em julho com alta da energia elétrica e queda nos preços dos alimentos
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 28 de julho de 2026 às 15:10 | Atualizado há 2 horas
Energia elétrica foi o principal fator de pressão sobre o IPCA-15 de julho, segundo o IBGE | Foto: Reprodução
A prévia da inflação oficial do país registrou alta de 0,06% em julho, segundo dados divulgados nesta terça-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado é medido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) e reflete o comportamento dos preços antes do fechamento do índice oficial do mês.
Entre os nove grupos pesquisados pelo IBGE, cinco apresentaram aumento de preços, enquanto quatro registraram retração. Os maiores impactos vieram dos setores de habitação e alimentação e bebidas, embora tenham influenciado o indicador em sentidos opostos.
No acumulado de 2026, entre janeiro e julho, o IPCA-15 soma alta de 3,51%. Já nos últimos 12 meses, a inflação alcançou 4,52%, permanecendo próxima ao limite superior da meta estabelecida para este ano.
A elevação da energia elétrica residencial, dos produtos de higiene pessoal e dos planos de saúde contribuiu para pressionar o índice. Em contrapartida, a queda nos preços dos alimentos consumidos em casa ajudou a conter um avanço maior da inflação.
Energia elétrica e saúde lideram altas
O grupo de habitação foi o que mais influenciou o resultado de julho, com alta de 0,97%, respondendo sozinho por 0,15 ponto percentual do IPCA-15.
O principal fator para esse avanço foi a energia elétrica residencial, que ficou 3,03% mais cara no período. O aumento foi impulsionado pela adoção da bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos, além da incorporação de reajustes tarifários em diferentes regiões do país. Em Curitiba, por exemplo, o preço da energia subiu 19,55%.
Outro grupo com peso relevante foi o de saúde e cuidados pessoais, que registrou alta de 0,28% e impacto de 0,04 ponto percentual na inflação.
Dentro desse segmento, os produtos de higiene pessoal tiveram aumento médio de 0,51%, com destaque para os perfumes, que ficaram 1,74% mais caros. Os planos de saúde também registraram alta de 0,42%, refletindo a incorporação dos reajustes autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Para os contratos firmados após a Lei nº 9.656/98, o reajuste autorizado foi de até 5,11%, com vigência iniciada em maio de 2025 e encerramento do ciclo em abril de 2026. Já para os contratos anteriores à legislação, os percentuais autorizados variam entre 5,52% e 6,20%, conforme o tipo de plano.
Queda dos alimentos ajuda a conter inflação
Na direção contrária, o grupo de alimentação e bebidas foi o principal responsável por reduzir a pressão sobre o índice geral. O setor apresentou recuo de 0,66%, contribuindo negativamente em 0,15 ponto percentual para o resultado de julho.
O principal motivo foi a redução de 1,14% nos preços da alimentação no domicílio. Entre os produtos que mais ficaram baratos estão o tomate, com queda de 19,95%; a batata-inglesa, que recuou 10,03%; e o café moído, com redução de 3,13%.
Apesar da retração do grupo, alguns alimentos apresentaram aumento de preços no período. É o caso da cebola, que ficou 7,10% mais cara, e do pão francês, cuja alta foi de 0,65%.
Confira a variação dos grupos pesquisados no IPCA-15 de julho:
| Grupo | Variação em julho |
|---|---|
| Alimentação e bebidas | -0,66% |
| Habitação | 0,97% |
| Artigos de residência | 0,19% |
| Vestuário | -0,33% |
| Transportes | 0,11% |
| Saúde e cuidados pessoais | 0,28% |
| Despesas pessoais | 0,08% |
| Educação | -0,04% |
| Comunicação | -0,02% |
Para 2026, a meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, o que estabelece um piso de 1,5% e um teto de 4,5%. Caso o índice acumulado em 12 meses permaneça fora dessa faixa durante seis meses consecutivos, a meta será considerada descumprida.
De acordo com o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, a expectativa do mercado financeiro é de que o IPCA encerre 2026 com alta de 5,12%, acima do limite máximo estabelecido pela meta.