El Niño deve ganhar força e aumentar risco de secas e calor em escala global
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 3 de julho de 2026 às 14:11 | Atualizado há 2 horas
Previsão indica que o fenômeno deve elevar as temperaturas e alterar o regime de chuvas nos próximos meses | Foto: Reprodução
O fenômeno climático El Niño já está em desenvolvimento e deve ganhar força entre os meses de julho e setembro, aumentando a probabilidade de eventos extremos em diversas regiões do planeta. O alerta foi divulgado nesta sexta-feira (3) pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), que projeta maior ocorrência de períodos de estiagem, chuvas intensas e ondas de calor nos próximos meses.
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Segundo a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, os modelos climáticos indicam que o fenômeno deverá atingir intensidade forte, cenário que pode provocar impactos significativos sobre o clima global.
De acordo com ela, a evolução do El Niño amplia o risco de secas prolongadas em algumas áreas, precipitações acima da média em outras e também favorece a ocorrência de ondas de calor tanto em terra quanto nos oceanos.
A OMM informou ainda que está reforçando ações de coordenação internacional, ampliando os serviços de monitoramento climático e fortalecendo os sistemas de alerta precoce. O objetivo é fornecer informações que auxiliem governos, órgãos humanitários, setores dependentes das condições climáticas, como agricultura e saúde, e populações mais vulneráveis a reduzir os impactos provocados pelo fenômeno.
O que esperar do El Niño
A previsão da OMM indica que o El Niño continuará se fortalecendo durante o outono no Hemisfério Norte, influenciando o comportamento do clima em diferentes continentes. O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, principalmente nas porções central e leste.
Esse padrão climático costuma ocorrer em intervalos de dois a sete anos e, normalmente, permanece ativo por um período entre nove e doze meses.
As projeções da organização apontam que cerca de 90% das áreas terrestres do planeta, onde vivem aproximadamente 99% da população mundial, deverão registrar temperaturas acima da média histórica durante a atuação do fenômeno.
Em relação ao regime de chuvas, a tendência é de volumes superiores ao normal em áreas do Pacífico Equatorial central e oriental. Em contrapartida, a expectativa é de precipitações abaixo da média em partes do Oceano Índico tropical, no subcontinente indiano e em grande parte da Austrália.
O que define a força do fenômeno
A intensidade que o El Niño poderá atingir nos próximos meses ainda dependerá da evolução do aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial e, principalmente, da resposta da atmosfera a esse processo.
Especialistas explicam que o aumento da temperatura do oceano, por si só, não é suficiente para caracterizar um episódio intenso. Para que o fenômeno se fortaleça, é necessário que oceano e atmosfera passem a interagir de forma sincronizada e persistente, formando um sistema climático acoplado capaz de influenciar os padrões de circulação atmosférica em diferentes regiões do planeta.
Outro fator que preocupa os pesquisadores é o contexto climático atual. Desde 2006, uma sequência de eventos associados ao aquecimento anormal do Pacífico ocorreu em um cenário de aquecimento global cada vez mais intenso, o que potencializa seus impactos em relação ao passado.
Nesse contexto, mesmo quando classificados como fracos ou moderados, esses episódios aumentam a probabilidade de eventos climáticos extremos, como estiagens prolongadas, chuvas intensas com potencial para provocar enchentes e ondas de calor mais frequentes e severas em diferentes partes do mundo.
Histórico dos principais episódios do fenômeno
| Período | Intensidade | Características |
|---|---|---|
| 2006–2007 | Fraco a moderado | Episódio de menor intensidade. |
| 2009–2010 | Moderado | Fenômeno com intensidade intermediária. |
| 2014–2016 | Muito forte | Associado a recordes de calor e aumento de eventos extremos. |
| 2018–2019 | Fraco a moderado | Episódio mais curto, com impactos mais limitados. |
| 2023–2024 | Forte | Um dos mais intensos já registrados, ligado a novos recordes de calor. |