Economia

Dólar abre estável com tarifaço dos EUA e tensão no Oriente Médio

Fernando Henrique - Estágio DM

Publicado em 20 de julho de 2026 às 10:37 | Atualizado há 21 horas

Investidores acompanham cenário externo e desdobramentos do tarifaço dos EUA sobre o Brasil | Foto: Freepik
Investidores acompanham cenário externo e desdobramentos do tarifaço dos EUA sobre o Brasil | Foto: Freepik

O dólar abriu próximo da estabilidade nesta segunda-feira (20), com investidores acompanhando uma possível resposta do Brasil ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos e a escalada do conflito no Oriente Médio.

Às 9h12, a moeda norte-americana caía 0,07%, cotada a R$ 5,1074. Na última sexta-feira (17), o dólar fechou em alta, cotado a R$ 5,110, enquanto a Bolsa fechou em queda de 0,06%, aos 173.714 pontos, após oscilar ao longo do dia.

Tarifaço segue no radar do mercado

Ainda em meio aos desdobramentos do tarifaço, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) pediu, na última sexta-feira (17), ao Ministério da Fazenda a liberação de mais R$ 7,25 bilhões para reforçar as linhas de crédito criadas pelo governo federal para apoiar empresas afetadas pelas tarifas impostas pelos EUA.

Além disso, durante agenda no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que só comentará o tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil depois que o presidente Donald Trump se manifestar sobre o tema.

“Eu vou deixar para falar do tarifaço quando o Trump falar. Quando o Trump falar, eu falarei. Enquanto ele não falar, eu não falarei porque nós vamos mostrar que contra o Brasil ninguém ganha mentindo. Ou é mais verdadeiro que nós ou não vai enganar a sociedade brasileira.”, disse.

Mercados globais ampliam cautela dos investidores

Os investidores também seguem atentos ao desempenho dos mercados internacionais, em meio à piora do sentimento de risco.

Em Wall Street, as bolsas fecharam em queda na sexta-feira, refletindo o balanço negativo da Netflix. Segundo Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, o resultado aumentou a aversão ao risco e pode contaminar os mercados emergentes, incluindo o brasileiro.

O S&P 500 caiu 1,05%, o Nasdaq recuou 1,40% e o Dow Jones teve queda de 0,77%.

As ações de empresas de chips e semicondutores também pressionaram o mercado americano e caminham para registrar a pior semana desde a derrocada provocada pelo “Dia da Libertação”, no ano passado. Investidores vêm reduzindo posições em algumas das companhias que mais se beneficiaram do boom da inteligência artificial nos últimos meses.

Conflito no Oriente Médio preocupa o mercado

O agravamento do cenário geopolítico no Oriente Médio também segue no radar do mercado. Na manhã de sexta, os Estados Unidos intensificaram sua campanha de bombardeios contra o Irã, atingindo pontes e um aeroporto. Em resposta, Teerã lançou ataques contra bases americanas em todo o Oriente Médio. Uma usina de energia e dessalinização no Kuwait também foi atingida pelo Irã.

No estreito de Hormuz, onde a retomada do conflito voltou a interromper parte do fornecimento global de energia, fuzileiros navais americanos abordaram um navio-tanque, enquanto outra embarcação teria sido atingida por um projétil.

IBC-Br supera expectativas e reforça cenário econômico

No Brasil, o cenário doméstico encerrou a semana influenciado por novos dados sobre a atividade econômica. O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica) do Banco Central, considerado uma prévia do PIB (Produto Interno Bruto), avançou 0,1% em maio na comparação com abril.

O resultado veio acima das expectativas do mercado. Economistas consultados pela Reuters projetavam estabilidade para o indicador no período.

Josias Bento, especialista em mercado de capitais e sócio-fundador da GT Capital, afirma que o resultado do IBC-Br reforça a percepção de que a economia brasileira segue aquecida, reduzindo as chances de uma nova flexibilização da política monetária. (FOLHAPRESS)


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