Musical sobre Paulo Gustavo estreia em SP e revisita trajetória do humorista
Fernando Henrique - Estágio DM
Publicado em 31 de julho de 2026 às 09:12 | Atualizado há 1 hora
João Pedro Chaseliov e Pierre Baitelli se revezam no papel de Paulo Gustavo no musical biográfico que estreia no Teatro Renault, em São Paulo | Foto: Divulgação/LEO AVERSA
Vinte anos após a estreia de “Minha Mãe é uma Peça” no teatro, o espetáculo “Meu Filho é um Musical” conta a história do comediante Paulo Gustavo (1978-2021) desde a infância em Niterói. O humorista morreu em 2021, após complicações de uma infecção de Covid-19.
O musical estreou no fim de maio no Rio de Janeiro e chega agora a São Paulo, onde faz temporada no Teatro Renault, na região central, a partir de 20 de agosto e até meados de outubro.
Da infância ao sucesso nacional
A trama passa por seus primeiros experimentos no teatro e pela posterior fama nacional, sem deixar de lado conflitos pessoais do artista, como “a saída do armário”, e profissionais, como a peça mal sucedida “Infraturas”, com Fábio Porchat.
A trilha sonora une composições originais feitas para a produção do espetáculo a canções ouvidas pelo personagem, como sucessos do pop internacional.
O musical biográfico se tornou uma tendência no mercado brasileiro de entretenimento. Os bastidores da elaboração deste projeto, no entanto, dão a ele um verniz um pouco diferente. O espetáculo foi criado pela mãe do comediante, Déa Lúcia, e por Ju Amaral, sua irmã e co-diretora da atração ao lado de João Fonseca, também à frente da montagem original de “Minha Mãe é uma Peça” em 2006.
A homenagem da família
Com o musical, Déa retribui a homenagem feita pelo filho com Dona Hermínia, grande papel da carreira de Paulo Gustavo, inspirado na mãe. Hermínia foi apresentada em 2004 com a peça “O Surto!” e desenvolvida no monólogo de 2006 “Minha Mãe é uma Peça”. Com a encenação de uma mulher desbocada e estridente, o comediante foi indicado ao prêmio Shell de melhor ator, um dos principais da categoria, e ganhou a atenção do público e da crítica.
O sucesso absoluto da adaptação de “Minha Mãe é uma Peça” para o cinema em 2013, depois desdobrada em mais dois filmes, ajudou a colocar Paulo Gustavo no pódio dos grandes humoristas de sua geração. Dirigido por André Pellenz, o filme vendeu mais de 4 milhões de ingressos. Sua sequência, 9 milhões, e o fim da trilogia, quase 12 milhões.
Déa Lúcia também faz participações especiais interpretando a si em algumas sessões do musical, sendo substituída por Stella Maria Rodrigues nas outras.
O desafio de interpretar Paulo Gustavo
Os atores João Pedro Chaseliov e Pierre Baitelli se alternam no papel de Paulo Gustavo. Em conversa com a reportagem, eles dizem estar de acordo sobre a impossibilidade de imitar o comediante. Em vez disso, buscaram formular um gestual próprio para criar uma imagem convincente do ator, que não desse conta apenas de sua imagem pública, mas também de suas facetas privadas, menos conhecidas.
“Acho que o nosso grande desafio é trazer a energia dele. Para mim, foi particularmente difícil. Ele era um cara muito explosivo, e eu sou uma pessoa de pressão baixa. Para achar esse tom, eu não podia ir por uma imitação”, afirma Baitelli.
Chaseliov, seu colega, ganhou certa notoriedade durante a pandemia de Covid-19 ao gravar vídeos em que imitava sua mãe, ao estilo do veterano que interpreta. “Mas agora que eu faço a Dona Hermínia, eu percebo como uma coisa está totalmente distante da outra”, ele diz. “O Paulo tem um tipo de humor que vem do corpo, meio Charlie Chaplin, e usa diferentes registros vocais, é uma construção muito rica.”
O legado do humorista
Atores de gerações diferentes (Chaseliov tem 21 anos; Baitelli, 42), os dois também receberam de maneira distinta a influência de Paulo Gustavo.
“Ele moldou o humor da minha geração”, diz Chaseliov. “É com certeza um dos maiores ícones da nossa cultura, não só da nossa comédia. Eu cresci consumindo Paulo Gustavo e sempre levei ele como uma grande referência, não só como humorista, mas como ser humano e ícone LGBTQIA+.”
Este último aspecto também é caro a Baitelli, que já atuava quando Paulo atingiu o estrelato. “Enquanto eu crescia, não existia uma figura que não precisava pedir desculpas por ser quem era, sem se esconder. Nem essa mãe, essa figura da Dona Déa, que aceitava o filho e bradava para todos os cantos: aceitem seus filhos como eles são. Isso pesa muito na minha admiração por ele.” (Diogo Bachega/FOLHAPRESS)