Política

Debate no DF é marcado por crise do BRB e ataques a Celina Leão

Fernando Henrique - Estágio DM

Publicado em 10 de agosto de 2026 às 16:49 | Atualizado há 2 horas

Candidatos ao Governo do Distrito Federal participaram de debate promovido pela TV Bandeirantes neste domingo (9) | Foto: Mariana Campos/CB/D.A Press
Candidatos ao Governo do Distrito Federal participaram de debate promovido pela TV Bandeirantes neste domingo (9) | Foto: Mariana Campos/CB/D.A Press

O debate da TV Bandeirantes entre candidatos ao Governo do Distrito Federal, realizado neste domingo (9), teve dobradinhas e cobranças à atual governadora Celina Leão (PP), que tenta a reeleição, principalmente em relação ao BRB (Banco de Brasília).

O programa opôs Celina, que tem o apoio de Flávio Bolsonaro (PL), aos candidatos apoiados por Lula (PT): o ex-deputado distrital Leandro Grass (PT) e Ricardo Cappelli (PSB), que foi interventor federal no DF após os ataques do 8 de janeiro.

Também participaram o ex-governador José Roberto Arruda (PSD), a deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) e Kiko Caputo (Novo), ex-presidente da OAB-DF.

BRB domina debate entre candidatos

A situação do BRB foi o principal tema do debate, já que o próximo eleito vai herdar a crise da instituição, controlada pelo Governo do DF. O banco público, afetado pelo escândalo do Banco Master, negocia um empréstimo de R$ 6,6 bilhões do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) para cobrir o rombo deixado pelas operações com a instituição financeira de Daniel Vorcaro.

Celina afirmou ter sido contra a aquisição do Master pelo BRB, articulada pela gestão Ibaneis Rocha (MDB), de quem ela era vice-governadora. “Como vice-governadora, a gente não consegue mudar a decisão do governo. Eu não sou responsável pelos erros de Ibaneis”, disse ela.

Os demais candidatos pressionaram por transparência em relação ao tamanho do buraco no caixa o BRB ainda não divulgou os balanços relativos a 2025 e ao primeiro semestre de 2026. “É outra burrice que eles falaram. O balanço não pode ser publicado antes de pegar o empréstimo, senão o banco é liquidado”, disse Celina a jornalistas após o debate.

A governadora cobrou que os candidatos ligados ao governo federal ajudassem a viabilizar o empréstimo ao BRB por meio de garantias da União. “Estou sozinha tentando salvar um banco”, disse ela.

Arruda, da mesma forma, questionou o candidato petista sobre a possibilidade de o governo Lula usar o FCO (Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste) a favor do BRB, mas Grass respondeu que o pagamento do rombo deve ser feito por quem o provocou.

Ao fim do debate, Celina voltou a reclamar do Planalto. “Os candidatos da esquerda, do PT, deveriam nos ajudar indo ao Lula pedir o aval para o empréstimo. Eles estão preocupados com a campanha, não estão preocupados em salvar o banco ou não.”

Questionado pela reportagem após o debate, Grass afirmou que o governo federal não tem que resolver um problema criado pelo Governo do DF.

O ex-governador afirmou que “estão empurrando o BRB com a barriga para depois da eleição”. Já o petista criticou a falta de credibilidade e transparência e que o servidor vai pagar a conta do arrocho fiscal para salvar o BRB, uma vez que os reajustes serão congelados até que o empréstimo seja quitado.

Celina se distancia de Ibaneis

Ibaneis deixou o cargo de governador para Celina em março passado para concorrer ao Senado, mas desistiu. No debate, porém, ela se posicionou como oposição ao ex-governador: “não sou apêndice de Ibaneis, eu sou um novo projeto, sou Celina Leão”.

Palanques de Lula, Cappelli e Grass fizeram dobradinha para atacar Celina, por exemplo, em relação à segurança pública. O candidato do PSB disse ainda ter sido atacado pela governadora e devolveu: “Ela foi vice do Ibaneis, agora fala mal do Ibaneis; ela vai trocando de pele a cada eleição”.

Kiko Caputo afirmou que não se pode resolver a questão do BRB “fazendo acordo em prejuízo dos servidores públicos”. Paula disse que, se vencer a eleição, vai fazer com que o banco “em vez de patrocinar esporte em Dubai patrocine o empreendedor de Brasília”.

Saúde também vira alvo de críticas

Outro tema que uniu os candidatos contra a atual gestão foi a saúde do DF. “Uma senhora não quer saber se o médico que vai atender ela é de esquerda ou de direita”, disse Cappelli, se defendendo por ter sido chamado de candidato de esquerda por Caputo e emendando ter orgulho de ser do partido do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).

O candidato do Novo mencionou seu presidenciável, Romeu Zema, ao defender “choque de gestão e de honestidade”. “É fila para cirurgia, para exame, para buscar remédio. Isso é fruto de uma gestão terrível e de uma corrupção endêmica”, disse ele, chamando a gestão Celina de “direita fake”.

Celina, em resposta, disse ter contratado 700 médicos. Em outros momentos, ressaltou ter reequilibrado as contas do governo e zerado as filas de creche.

“É um debate bem ensaiado, eu sou o alvo, uma caça à leoa, mas na selva quem caça é a leoa. Eles atacam a governadora de quatro meses como se eu fosse governadora há oito anos, é um desrespeito com a biografia de uma mulher”, disse Celina.

Transporte e alianças políticas

Grass também fez questão de se associar a Lula, afirmando que o governo federal está ampliando o metrô em Samambaia. Ele prometeu implementar tarifa zero e disse que o DF “tem um dos piores sistemas de transporte do mundo, tem lugares que não têm linhas de ônibus”.

Já Celina não mencionou Flávio Bolsonaro ou suas companheiras de chapa, Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL), que concorrem ao Senado.

Paula ainda travou um embate com Celina a respeito de políticas para mulheres. Arruda, por sua vez, prometeu nomear professores concursados no primeiro dia de governo por meio de cortes em cargos comissionados.

Arruda enfrenta risco de inelegibilidade

O ex-governador, que estava afastado da política há 15 anos, foi senador e deputado federal, mas corre o risco de não ter a candidatura validada pela Justiça Eleitoral devido à Lei da Ficha Limpa.

Governador do Distrito Federal entre 2007 e 2010 e pivô do mensalão do DEM, Arruda foi preso e condenado em processos derivados da Operação Caixa de Pandora, de 2009, quando foi filmado recebendo um maço de dinheiro. Como ele tem um recurso sem julgamento há anos, a pena de inelegibilidade não começou a ser cumprida ainda.

O debate, realizado no Sesc Ceilândia, teve duração de cerca de duas horas e misturou perguntas programáticas da Band, perguntas de eleitores e confronto direto entre os oponentes. A rodada de debates para o governo estadual realizada pela TV Bandeirantes em 12 estados e no DF neste domingo foi a primeira das eleições deste ano. A campanha eleitoral começa oficialmente no próximo domingo (16). (Carolina Linhares/FOLHAPRESS)


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