Entenda caso da mulher encontrada acorrentada em cativeiro em Goiás
Léo Carvalho
Publicado em 24 de agosto de 2026 às 14:12 | Atualizado há 2 horas
Emiliane Tamara foi encontrada pela Polícia Militar amarrada a uma cama em um imóvel de Águas Lindas de Goiás | Foto: Instagram Emiliane Tamara/Divulgação PMGO
Emiliane Tamara Nunes Carvalho, de 24 anos, encontrada amordaçada e acorrentada a uma cama em um imóvel de Águas Lindas de Goiás, relatou nas redes sociais os abusos que afirma ter sofrido durante os cinco dias em que permaneceu presa. Em um vídeo publicado no domingo (23), a jovem mostrou ferimentos na boca e afirmou que teria sido obrigada a permanecer em contato com um pano contendo ácido.
Segundo Emiliane, a substância provocou queimaduras nos lábios e no interior da boca. Ela também relatou dificuldade para engolir e afirmou que os olhos ainda estavam machucados.
A jovem disse que era obrigada a tomar medicamentos calmantes e permanecia amarrada durante praticamente todo o tempo. De acordo com o relato, suas mãos eram liberadas apenas uma vez por dia, quando recebia comida.
Emiliane também afirmou que o ex-companheiro, Aílton Rodrigues, dizia possuir alimentos suficientes para permanecer durante anos no imóvel. Durante a ação policial, foram encontrados no local alimentos, água e outros mantimentos.
Após receber alta médica no fim de semana, a jovem voltou para casa e disse que ainda tenta esconder os ferimentos dos filhos pequenos. Segundo ela, as crianças perceberam as marcas e perguntaram sobre os hematomas e o inchaço nas mãos.
Suspeito está preso
Aílton Rodrigues foi preso em flagrante pela Polícia Militar na sexta-feira (21), suspeito de sequestro e porte ilegal de arma de fogo. No sábado (22), a prisão foi convertida em preventiva.
De acordo com a Polícia Militar, os agentes chegaram até o imóvel durante as buscas pela jovem desaparecida. A porta precisou ser arrombada. Emiliane foi encontrada presa pelas pernas, braços e pescoço, além de estar com uma máscara que, segundo a corporação, era utilizada para impedir que ela gritasse.
No imóvel, os policiais localizaram algemas, fita adesiva, cordas, medicamentos e um cadeado. Uma pistola que teria sido utilizada na ação também foi apreendida.
A Polícia Civil informou que Aílton teria admitido, após ser abordado, que dopou Emiliane com clonazepam e a levou para o imóvel, onde ela permaneceu por cinco dias. A investigação trabalha com a hipótese de que o local tenha sido alugado especificamente para ser utilizado como cativeiro.
Desaparecimento
Emiliane estava desaparecida desde segunda-feira (17). Familiares procuraram a polícia para comunicar o desaparecimento na mesma data.
Durante as buscas, os policiais descobriram que Aílton também não havia sido localizado desde o dia 17. A empresa distribuidora pertencente a ele estava fechada, assim como a residência onde morava. O carro, porém, permanecia no local.
Segundo a Polícia Militar, o suspeito foi localizado durante uma abordagem. Ele teria desrespeitado uma ordem inicial de parada antes de ser interceptado pelos policiais. Conforme a corporação, foi durante a abordagem que Aílton teria confessado ter dopado e mantido a ex-companheira presa.
Emiliane contou às autoridades que teria sido dopada dentro da empresa do ex-companheiro depois de uma conversa relacionada à guarda dos filhos. Os dois estavam separados desde dezembro, após seis anos de relacionamento.
Defesa contesta validade de declarações
A defesa de Aílton não havia respondido às tentativas de contato feitas por telefone e mensagem durante a manhã. Em nota encaminhada no domingo (23), o advogado Ilvan Barbosa afirmou que considera prematuro tirar conclusões sobre as suspeitas enquanto as investigações ainda estão em andamento.
Segundo a defesa, eventuais conversas ou declarações atribuídas ao suspeito que tenham sido obtidas fora das formalidades legais e das garantias previstas na legislação não devem ser consideradas válidas.
Histórico de agressões
Emiliane também afirmou às autoridades que já havia sido agredida pelo ex-companheiro anteriormente. Segundo o relato, as agressões teriam ocorrido inclusive durante uma gravidez.
Ela disse ainda que chegou a solicitar uma medida protetiva contra Aílton, mas que o pedido foi negado.
A investigação continua para esclarecer as circunstâncias do sequestro, os possíveis abusos cometidos contra a jovem e a dinâmica dos cinco dias em que ela permaneceu no imóvel. (CARLOS VILLELA/Folhapress)