Consumo das famílias recua 0,4% e investimentos perdem ritmo no segundo trimestre
Léo Carvalho
Publicado em 1 de setembro de 2026 às 12:44 | Atualizado há 37 minutos
Consumo das famílias, que representa quase 65% do PIB pela ótica da demanda, recuou 0,4% no segundo trimestre de 2026 | Foto: Reprodução
O consumo das famílias brasileiras caiu 0,4% no segundo trimestre de 2026, na comparação com os três meses anteriores. Os dados fazem parte do resultado do Produto Interno Bruto (PIB), divulgado nesta terça-feira (1º) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
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O resultado interrompe uma sequência de crescimento. No primeiro trimestre do ano, o consumo das famílias havia aumentado 0,8% na mesma comparação. A última retração do indicador havia sido registrada no terceiro trimestre de 2025.
O consumo das famílias tem peso significativo na economia brasileira e representa quase 65% do PIB quando o indicador é analisado pela ótica da demanda por bens e serviços.
Investimentos
Os investimentos produtivos, medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), cresceram 1,2% no segundo trimestre. Apesar do resultado positivo, houve perda de ritmo em relação aos primeiros três meses do ano, quando a expansão havia chegado a 3,4%.
O período foi marcado pela manutenção de juros elevados como estratégia para conter a inflação. O cenário encarece o crédito, dificulta investimentos empresariais e pode reduzir o consumo das famílias em determinados segmentos de bens e serviços.
O nível de endividamento dos brasileiros também funcionou como um obstáculo adicional para o consumo.
Em contrapartida, o mercado de trabalho continuou apresentando sinais de força. O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também adotou medidas de estímulo à atividade econômica com o objetivo de evitar uma desaceleração mais intensa antes das eleições.
O PIB brasileiro cresceu 0,5% entre abril e junho. Pela ótica da demanda, além do consumo das famílias e dos investimentos, o cálculo considera também as exportações, as importações e os gastos do governo.
Exportações, importações e governo
As exportações de bens e serviços recuaram 0,8% no segundo trimestre, na comparação com os três meses anteriores. No sentido contrário, as importações cresceram 1,8%.
O consumo do governo avançou 0,4%, repetindo a mesma taxa registrada no primeiro trimestre.
Na comparação com o segundo trimestre de 2025, o consumo do governo apresentou crescimento de 3,1%. No mesmo período, o consumo das famílias aumentou 0,5%.
Os investimentos tiveram alta de 1,4% nessa comparação. De acordo com os dados, o resultado foi impulsionado principalmente pelo aumento das importações de bens de capital e pelo desenvolvimento de softwares.
As exportações cresceram 3,8%, enquanto as importações tiveram expansão de 5,5%.
Segundo o IBGE, o crescimento das exportações de bens foi influenciado principalmente pela extração mineral, pela agropecuária e pela indústria de produtos alimentícios.
Entre os principais itens que contribuíram para o aumento das importações estão veículos automotores, artigos de vestuário e materiais elétricos.