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Caso Master: empresários articulam novo manifesto e cobram código de conduta para ministros do STF

Léo Carvalho

Publicado em 4 de setembro de 2026 às 12:39 | Atualizado há 37 minutos

Empresários voltam a discutir manifestação por regras de conduta para ministros do STF após novas revelações do caso Master | Foto: Divulgação
Empresários voltam a discutir manifestação por regras de conduta para ministros do STF após novas revelações do caso Master | Foto: Divulgação

Após a nova leva de informações que veio à tona nesta semana no escândalo do Master, revelando mensagens entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), empresários discutem a elaboração de mais um manifesto para pedir decoro ao Judiciário e voltar a pressionar Edson Fachin, presidente da Corte, a adotar um código de conduta para seus membros.

Nomes conhecidos do empresariado, além de economistas e representantes de outros segmentos da sociedade civil, já haviam assinado um documento em dezembro passado pedindo transparência sobre os limites éticos que devem orientar os magistrados.

Naquele abaixo-assinado, que ficou aberto na internet e alcançou quase 80 mil assinaturas, havia nomes como Arminio Fraga (Gávea Investimentos), Eugênio e Salim Mattar (Localiza), Antonio Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Luiz Passos (Natura), Jayme Garfinkel (Porto Seguro) e Pedro Wongtschowski (Ultra), entre outros.

O noticiário do Master, na época, já mostrava que a mulher de Moraes manteve contrato de R$ 130 milhões com o banco de Vorcaro e que o ministro Dias Toffoli embarcou em um jatinho para ver um jogo do Palmeiras no Peru na companhia do advogado de um diretor do Master.

Nos últimos dias, grupos de WhatsApp de empresários voltaram a discutir uma nova maneira de pressionar Fachin.

A forma e o tom da indignação variam, mas existe também um receio de retaliação.

Nesta quarta-feira (2), o fundador da rede de varejo Petz, Sergio Zimerman, no palco de um seminário de negócios, defendeu que a população se manifeste em protestos de rua pelo fim da “sem-vergonhice”. Ele criticava o procurador-geral da República, Paulo Gonet, que pediu a nulidade do relatório da PF sobre Moraes.

Empresários ouvidos pela reportagem citam um alerta para a crise institucional.

Alexandre Ostrowiecki, presidente do conselho do Grupo Multi, afirma que o caso Master “abriu a tampa do esgoto que contaminou” boa parte das altas instituições brasileiras.

“Falo por mim, não por nenhum movimento: sem confiança nas instituições, não há economia que fique de pé. É muito preocupante ver um banqueiro supostamente jorrando dinheiro em deputados, senadores, governadores e todo tipo de agente político em busca de favores futuros”, afirma.

“Mas quando as suspeitas chegam ao STF, que deveria ser o ápice das instituições, o buraco é mais embaixo. Em qualquer democracia séria, por mais que exista corrupção, resta ao menos uma esperança de punição. E ela está numa trinca que tem de ser profissional: Polícia Federal investigando, Ministério Público denunciando e STF julgando. Se isso apodrece, a esperança vai embora, e a confiança nas instituições desaba.”

Para Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do Banco Central e sócio da Jubarte Capital, o cenário atual não tem precedentes.

“Indivíduos usando órgãos vitais de nosso país em benefício próprio. Uma sensação de impunidade em que tudo pode. O Brasil precisa voltar a ter suas instituições suplantando os interesses individuais, atuando dentro de seus mandatos. Há muito, passamos de como uma democracia plena deve andar”, diz.

Horacio Lafer Piva, presidente do conselho deliberativo da Ibá (Indústria Brasileira de Árvores), afirma que as novas revelações do escândalo do Master “deixam ainda mais incômodos e perguntas”.

O banqueiro Ricardo Lacerda, fundador do BR Partners, cita preocupação com a insegurança jurídica contribuindo para o aumento dos juros e do custo Brasil.

“O episódio apenas escancara de maneira nua e crua o balcão de negócios que se tornou o Judiciário brasileiro. Estamos perto da falência moral de nossas instituições”, afirma Lacerda.

O empresário Eduardo Mufarej chama de “gravíssimos” os fatos que estão vindo à tona.

“Práticas não republicanas, inaceitáveis, que degradam as instituições públicas brasileiras. Estamos provavelmente na maior crise institucional desde a redemocratização. Não há como varrer isso para debaixo do tapete. Precisamos proteger essas instituições. Elas são o alicerce que sustenta a sociedade”, diz Mufarej, que em 2017 fundou uma organização chamada RenovaBR para oferecer cursos a jovens líderes políticos.

“A sociedade civil está sendo ignorada e desrespeitada por aqueles que se sentem no Olimpo”, afirma Fabio Barbosa, que presidiu instituições como Santander e Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e hoje segue como membro de conselhos de companhias como Ambev e Natura.

“Acho que não cabe mais tanta sujeira sendo escondida. A panela de pressão está perto do limite, e isso pode ser bom”, diz Barbosa.


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