Quasar encanta o Teatro Rio Vermelho, em Goiânia, com as belezas da dança
Redação Online
Publicado em 11 de setembro de 2026 às 21:15 | Atualizado há 48 minutos
Coreografias encantam público pela beleza dos movimentos | Foto: Sato Jorge
Encantando o público há quase 40 anos com a beleza e as cores de suas coreografias, a Quasar Cia de Dança monta neste domingo (13) o espetáculo “Céu de Pêssego” no Teatro Rio Vermelho, em Goiânia. A estreia, que será às 19h, marca o reencontro da Quasar com o público da cidade para mostrar a aclamada criação do coreógrafo Henrique Rodovalho.
A sessão na capital acontece pouco mais de um ano após a estreia nacional, realizada no MASP, em São Paulo, em agosto de 2025, durante a 7ª Semana Paulista de Dança. Naquele momento, a Quasar voltava aos palcos após hiato — e, de cara, foi aplaudida e elogiada.
Desde então, a peça andou por aí e retornou à capital paulista, onde esteve em cartaz por uma temporada no Sesc Vila Mariana. A passagem, acolhida na imprensa especializada, rendeu: a direção artística, assinada por Rodovalho, recebeu indicação ao Prêmio APCA 2025, da Associação Paulista de Críticos de Arte, na categoria Coreografia/Criação.
Na revista Bravo!, publicação voltada à área cultural, o crítico Rafael Ventura se referiu a “Céu de Pêssego” como um “poema coreográfico” a respeito de afastamentos e reencontros. Em certa altura, ele observou que os intérpretes pareciam “dizer ao público ‘empresta-me teus olhos’ para que sejam reconhecidas as semelhanças entre suas diferentes danças”.
Como se fosse uma Quasar em estudos, nas palavras de Ventura, os movimentos buscam a coletividade. Para o jornalista, a trilha sonora de Fred Ferreira e Lívia Nestrovski confere asas à nossa imaginação, exaltando-os pela concepção de uma coreografia para se ouvir.
Montagem
Ventura destacou, segundo a crítica, diferentes momentos da montagem, dentre os quais o solo da bailarina Daniela Moraes, a interpretação do artista Jorge Garcia e a maneira com que os materiais coreográficos dos dançarinos se incorporam à linguagem de Rodovalho. Por fim, o crítico enfatiza que o diretor da Quasar desafia “os senhores de pouca visão”.
A maturidade, de fato, está nos corpos. O elenco tem ex-integrantes da companhia e artistas com trajetórias Brasil afora. Carolina Amares, por exemplo, passou pelo Grupo Corpo, de São Paulo, e pela Companhia de Dança Deborah Colker, situada no Rio de Janeiro. Fabiana Nunes já integrou o Balé da Cidade de São Paulo — para ficar apenas nesses dois casos.
Luciane Fontanella, por sua vez, tem história aqui e lá fora, com passagens pela própria Quasar, pelo Balé da Cidade de São Paulo e, principalmente, por companhias no exterior. Luiz Oliveira, enquanto isso, integra o Balé da Cidade de São Paulo desde 2014. Samuel Kavalerski, ex-integrante da Quasar, atravessa dança, teatro, literatura e artes visuais.
“Céu de Pêssego” coloca todos esses caminhos em diálogo, como se fosse uma dialética. A ideia de Rodovalho, com isso, é permitir que a personalidade, a experiência e o momento artístico de cada intérprete influenciem a coreografia. À Bravo!, por ocasião da estreia, o coreógrafo disse que sua proposta é, em stricto sensu, “encontro das nossas verdades”.
Companhia goiana se associa à beleza cênica e plástica

Ao falar sobre o trabalho à Bravo! antes da estreia em São Paulo, Rodovalho frisou que, ainda que diante de um elenco quase formado por artistas maduros, o virtuosismo se mantém elevado. Em cena, diz, seguem os movimentos fragmentados, impulsionados por diferentes partes do corpo e articulados em solos, duos, trios, quintetos e conjuntos.
A imagem que dá nome ao espetáculo funciona como metáfora para a maturidade que atravessa “Céu de Pêssego”. O céu de pêssego é aquele instante do entardecer em que a luz colore o horizonte antes de desaparecer. Breve e nem sempre previsível, exige atenção para ser percebido. A partir daí, Rodovalho construiu a obra sobre a efemeridade da vida.
Durante o espetáculo, o entardecer não se associa ao encerramento ou à perda, mas à transformação. O que veio antes permanece, embora ganhe outra dimensão. A ideia se relaciona à própria escolha do elenco e à trajetória da companhia, em uma montagem — plástica e sofisticada — que não trata da beleza da maturidade na memória corporal.
História
Fundada em Goiânia em 1988 por Vera Bicalho e Henrique Rodovalho, a Quasar chega aos 38 anos de trajetória com uma atuação marcada pela circulação nacional e internacional. Ao longo desse período, a companhia goiana desenvolveu uma linguagem própria, ligando-se à inventividade dos movimentos, ao humor, à plasticidade cênica e ao diálogo com aspectos da cultura brasileira — sem se esquecer, claro, das contradições da vida contemporânea.
Não bastasse, a Quasar ampliou a circulação da dança produzida no Centro-Oeste, levando seus trabalhos a diferentes regiões do Brasil e a palcos no exterior. Nesse contexto, a chegada de “Céu de Pêssego” a Goiânia, no Rio Vermelho, acrescenta dimensão particular à obra. Em tempo: os ingressos estão disponíveis pelo Disk Ingressos entre R$ 27 e R$ 80.