Sócio de ‘Dark Horse’ nos EUA recusa documentos pedidos pela PF
Fernando Henrique - Estágio DM
Publicado em 12 de setembro de 2026 às 09:58 | Atualizado há 39 minutos
Michael Brian Davis, sócio da Go Up nos Estados Unidos, recusou pedido da Polícia Federal para entregar documentos da produção de “Dark Horse” | Foto: Reprodução
Michael Brian Davis, sócio nos Estados Unidos da Go Up, produtora do filme “Dark Horse”, rejeitou pedido da Polícia Federal para entregar voluntariamente dados sobre despesas da produção nos Estados Unidos.
Davis afirmou que não autoriza o encaminhamento às autoridades brasileiras de documentos “societários, contábeis, fiscais, bancários ou contratuais” da empresa sem que haja ordem de um juiz norte-americano.
Investigação sobre o financiamento

Desde julho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência nas eleições de 2026, é formalmente investigado por ter negociado diretamente com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro o repasse de pelo menos US$ 24 milhões (hoje, aproximadamente R$ 122,7 milhões) para a produção do filme baseado na biografia de Jair Bolsonaro (PL), que está preso por tentativa de golpe.
Flávio já prometeu uma prestação de contas pública sobre o financiamento do filme, mas passou a terceirizar a divulgação de um balanço para a produtora da obra, a Go Up.
Documentos que tiveram sigilo levantado nesta sexta-feira (11) pelo ministro André Mendonça, que relata o inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal), mostram que a PF pediu em 19 de agosto para Karina Gama, sócia da Go Up no Brasil, a “apresentação voluntária” de documentos sobre o filme.
A PF solicitou cópias de faturas emitidas e recebidas no exterior, além de contratos com os atores estrangeiros, como Jim Caviezel, que interpreta Bolsonaro.
Os investigadores pediram ainda comprovantes e relatórios financeiros que demonstrem a “efetiva realização” dos gastos “divulgados publicamente” de “aproximadamente R$ 54,2 milhões em território norte-americano”.
Recusa de documentos nos Estados Unidos
A defesa de Karina encaminhou ao STF uma série de documentos da produção do filme, como comprovantes de parte dos gastos, mas também enviou a recusa de Michael de apresentar os dados da empresa no exterior.
Em e-mail direcionado a Karina em 2 de setembro, o sócio da Go Up disse que, por orientação dos advogados da empresa, não enviaria os papéis. Ainda afirmou que requisições das autoridades brasileiras dos dados sob jurisdição dos EUA devem ser formalizadas pelos canais diplomáticos e de cooperação jurídica internacional.
“De modo que qualquer produção, exibição ou entrega de documentos ocorra somente mediante ordem emanada de juiz norte-americano, assegurando à empresa o amparo legal do processo e o direito ao contraditório”, afirmou Davis.
Ele ainda pediu no e-mail que nenhum documento da empresa “seja compartilhado, enviado ou apresentado sem a prévia validação desses requisitos por nossos advogados nos EUA”.
Atuação de Flávio e Eduardo
Documentos da Polícia Federal e da PGR (Procuradoria-Geral da República) apontam que Flávio Bolsonaro era interlocutor direto de Vorcaro na negociação para investimentos no filme “Dark Horse”.
O material também indica que Eduardo Bolsonaro, outro filho do ex-presidente e que vive nos Estados Unidos, atuava como gestor do dinheiro levantado para o longa-metragem.
A PF investiga a atuação do senador para arrecadar dinheiro para o longa e suspeita que parte dos recursos arrecadados tenha sido usada para bancar as despesas de Eduardo nos Estados Unidos.
Flávio pede transparência
Nesta sexta, após parte dos documentos ser revelada, Flávio Bolsonaro pediu o fim da confidencialidade sobre o material envolvendo o “Dark Horse”.
“Para mim, a melhor coisa que pode acontecer é a transparência total sobre esse assunto. Porque vão só confirmar o que eu sempre falei, que não tem nada de errado em relação ao filme”, disse o senador, durante entrevista no final desta manhã.
Como revelou o site The Intercept, Flávio negociou com Vorcaro o repasse de pelo menos US$ 24 milhões (hoje, aproximadamente R$ 122,7 milhões) para a produção do filme. Desse montante, foram pagos efetivamente pelo menos US$ 12,3 milhões (hoje, cerca de R$ 62,9 milhões), segundo documentos da investigação noticiados pela revista piauí.