Áudios de jovem morta em academia relatam visitas frequentes de suspeito dias antes do crime
Léo Carvalho
Publicado em 17 de setembro de 2026 às 14:31 | Atualizado há 1 hora
Mensagens foram anexadas ao inquérito e mostram que Thaissa havia preocupação com presença do homem no local de trabalho | Foto: Reprodução
Novos elementos da investigação sobre a morte de Thaissa Gabriely de Oliveira Marques, de 21 anos, em Londrina, no Paraná, mostram que a jovem havia relatado a um amigo a presença frequente de um homem na academia onde trabalhava dias antes de ser assassinada.
Os áudios, gravados em 8 de setembro e anexados ao inquérito, foram enviados três dias antes do crime. Segundo a Polícia Civil do Paraná, o homem mencionado nas mensagens é Gabriel de Andrade, também de 21 anos, preso em flagrante pelo assassinato.
Nas gravações, Thaissa comenta que o rapaz já havia ido várias vezes à academia. Ela também relata que ele teria demonstrado interesse em trabalhar no estabelecimento e enviado currículo para uma vaga. O responsável pela academia confirmou à polícia que Gabriel havia participado do processo seletivo, mas não foi contratado.
A investigação passou a considerar a possibilidade de que o crime tenha sido planejado. Segundo a Polícia Civil, o suspeito conhecia o espaço e teria retornado ao endereço depois de trocar de roupa. A polícia também apura se ele já monitorava a vítima antes do ataque.
Thaissa estava trabalhando na distribuição de panfletos para a academia, que ainda seria inaugurada, quando foi atacada. De acordo com a investigação, Gabriel tentou estuprá-la e a matou depois que ela reagiu.
Após o crime, o suspeito deixou o local ferido na mão e teria afirmado inicialmente que havia sido vítima de um assalto. A versão não se sustentou depois que trabalhadores encontraram marcas de sangue e a polícia localizou o corpo da jovem nas dependências da academia. Segundo os investigadores, Gabriel confessou o ataque e foi autuado por homicídio qualificado e tentativa de estupro.

Laudo aponta 44 golpes de faca
Outro elemento incorporado à investigação é o resultado da perícia. O laudo da Polícia Científica apontou que Thaissa sofreu 44 golpes de faca. O exame também identificou uma lesão na região da coluna cervical, apontada entre as causas da morte.
A defesa de Gabriel informou que acompanha o andamento das investigações. O caso continua sob responsabilidade da Polícia Civil do Paraná, que ainda apura as circunstâncias do crime e a eventual premeditação.
Suspeito apresentou versões contraditórias
Segundo a Polícia Civil, Gabriel de Andrade declarou aos investigadores que pretendia estuprar Thaissa e que, após não conseguir consumar o ato, a matou. Ele foi preso em flagrante e autuado por homicídio qualificado consumado e tentativa de estupro.
No depoimento, porém, Gabriel apresentou versões contraditórias e afirmou não se lembrar de detalhes do que aconteceu. Ele disse recordar apenas que esteve na academia onde o crime ocorreu. O suspeito permanece preso nesta quinta-feira (17).
Defesa afirma que acusado tem TEA
O advogado Antônio Magalhães, que representa Gabriel, afirmou que acompanha o caso e aguarda o avanço das investigações. Em nota, a defesa informou que o acusado, de 21 anos, possui diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) e defendeu que a condição seja considerada na análise das circunstâncias do caso.
Segundo o advogado, a defesa não pretende usar o diagnóstico como justificativa para o crime nem estabelecer relação entre autismo e violência. A intenção, de acordo com a nota, é que sejam avaliadas tecnicamente as condições pessoais e comportamentais do acusado no momento dos fatos, inclusive com eventual avaliação especializada.
A defesa também afirmou que Gabriel colaborou com as autoridades e prestou esclarecimentos. O advogado ressaltou que o caso deve ser analisado sem pré-julgamentos, com respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa.
O advogado ainda afirmou que pretende garantir ao acusado, durante a custódia, atendimento adequado à condição informada pela defesa.
Entenda o caso
Thaissa Gabriely de Oliveira Marques, de 21 anos, havia sido recém-contratada para trabalhar na divulgação de uma academia em Londrina. Segundo a investigação, Gabriel de Andrade já havia frequentado o local e chegou a enviar currículo para uma vaga antes do crime.
Dias antes do assassinato, Thaissa enviou áudios a um amigo relatando as visitas de um “menino” à academia e comentou que ele havia procurado emprego no estabelecimento.
No dia 11 de setembro, Thaissa estava no estacionamento da academia quando, segundo a Polícia Civil, Gabriel tentou estuprá-la. A jovem reagiu e foi atacada com golpes de faca. Ela morreu no local.
Gabriel foi preso e, segundo a investigação, confessou o crime. A Polícia Civil apura as circunstâncias do ataque e trabalha com a possibilidade de que a ação tenha sido premeditada. O laudo da perícia apontou 44 golpes de faca.
Jovem estudava Nutrição
Thaissa cursava Nutrição no Centro Universitário Filadélfia (UniFil), em Londrina. Nas redes sociais, compartilhava registros relacionados à rotina acadêmica e demonstrava interesse pela formação.
Após a morte da estudante, a instituição publicou uma nota de pesar e prestou solidariedade à família, aos amigos, colegas e professores. A UniFil afirmou que Thaissa será lembrada com carinho por quem acompanhou sua trajetória acadêmica.
A Secretaria Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres de Londrina também se manifestou sobre o caso. Em nota, destacou que a jovem tinha 21 anos e uma vida marcada por sonhos e projetos que foram interrompidos de forma violenta.
A secretaria classificou o feminicídio como a forma mais extrema de violência contra a mulher e ressaltou que esse tipo de violência pode começar com comportamentos como controle, humilhação, ameaça, isolamento e agressões psicológicas ou físicas.