Greve dos Correios deixa encomendas atrasadas e vendedores sem previsão de entrega
Léo Carvalho
Publicado em 17 de setembro de 2026 às 15:04 | Atualizado há 47 minutos
Greve dos Correios provoca relatos de atrasos e encomendas sem atualização no rastreamento | Foto: Divulgação
A greve dos Correios, iniciada na última quinta-feira (10), tem deixado consumidores e pequenos vendedores sem previsão para a chegada de encomendas. Relatos reunidos pela reportagem apontam atrasos além dos prazos informados, falta de atualização no rastreamento e dificuldades relacionadas a pedidos de reembolso do frete.
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Entre os afetados está Mariana Greco Mantovani, de 20 anos, responsável pelo perfil Sweet Wishes Store, que comercializa bonecas e outros itens colecionáveis, como produtos da Monster High, Funko e cartas de Pokémon. Segundo ela, duas caixas estão paradas desde o início do mês, reunindo cerca de oito encomendas de clientes.
A situação também dificulta a relação com os compradores. Mariana afirma que precisa explicar individualmente os atrasos, mas não consegue oferecer uma nova previsão de entrega. Uma das encomendas, segundo ela, já resultou em pedido de reembolso.
“Como trabalho com itens colecionáveis, se a encomenda é de algo muito específico, o que acontece com frequência, existe um grande risco de eu ficar com o item parado em casa. Acaba sendo um grande prejuízo”, relatou.
Para a comerciante, a falta de alternativas é maior quando os produtos ainda estão no processo de importação. Depois que as mercadorias chegam ao Brasil, ela consegue orientar os clientes a procurar outras transportadoras. Na entrada dos produtos no país, porém, afirma que depende dos Correios.
Consumidores relatam atrasos
Reclamações registradas no Reclame Aqui nesta quinta-feira (17) também apontam problemas relacionados aos prazos de entrega.
Em São Vicente, no litoral de São Paulo, um consumidor afirmou ter pago R$ 25 por um frete mais rápido. Segundo o relato, a encomenda chegou à cidade, mas permaneceu parada por dois dias, mesmo após o prazo de entrega terminar. Ele solicitou o reembolso do valor pago pelo serviço.
Em outro caso, um consumidor de São Paulo informou que o rastreamento não era atualizado desde 15 de setembro, justamente a data prevista para a entrega. De acordo com o relato, os Correios informaram que uma manifestação aberta sobre o problema poderia levar até cinco dias úteis para receber resposta.
Em São Carlos, no interior paulista, um consumidor relatou atraso de uma encomenda enviada por Sedex desde sábado (12). O pacote contém um documento necessário para uma viagem marcada para esta sexta-feira (18). Ele pediu que a empresa localizasse o objeto e avaliasse a possibilidade de retirada presencial.
Questionados sobre eventual reembolso do frete quando o prazo de entrega não é cumprido, os Correios não responderam até a publicação da reportagem. A estatal orienta os clientes com demandas específicas a utilizar os canais oficiais de atendimento.
Correios dizem manter operação
Em nota, os Correios afirmaram que adotaram medidas previstas no Plano de Continuidade de Negócios para manter o fluxo postal durante a paralisação. Segundo a empresa, as cargas são remanejadas conforme a necessidade para garantir o tratamento e a distribuição dos objetos.
A estatal também informou que servidores da área administrativa estão sendo mobilizados para auxiliar nas atividades operacionais e que mutirões de entrega estão sendo realizados para reduzir os impactos aos clientes.
Segundo os Correios, a operação é acompanhada continuamente e novas medidas poderão ser adotadas conforme a necessidade. As agências permanecem abertas e funcionando normalmente.
A empresa afirmou ainda respeitar o direito de greve dos trabalhadores, mas classificou o momento como especialmente sensível.
Empresa enfrenta dificuldades financeiras
A paralisação ocorre enquanto os Correios enfrentam um processo de reestruturação financeira. Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, a estatal pediu ao Tesouro Nacional uma garantia para contratar um novo empréstimo de R$ 7 bilhões junto a quatro bancos privados.
O financiamento integra o plano de recuperação financeira da empresa. Em dezembro de 2025, os Correios já haviam contratado um empréstimo de R$ 12 bilhões. Também está prevista a destinação de outros R$ 6 bilhões pela União em 2027. (GABRIELA CECCHIN/Folhapress)