Quem venceu o debate da TV Anhanguera? Marconi? Daniel? Wilder? Bueno?
Redação Online
Publicado em 30 de setembro de 2026 às 09:34 | Atualizado há 1 dia
Welliton Carlos
O último debate dos candidatos ao governo de Goiás, realizado no final da noite de terça-feira, 29, teve principalmente a tentativa de ideologização [ainda que frágil] de que cada um ocupa ali uma posição ideológica absolutamente sólida: três de direita e um de esquerda.
Organizado pela TV Anhanguera e apresentado pelo jornalista Luciano Cabral, o formato teve fluidez em boa parte do tempo, mas repetições temáticas, como o caso em que o senador Wilder Morais (PL) falou praticamente as mesmas coisas sobre tecnologia – levar data centers para o Entorno do Distrito Federal (os candidatos costumam falar ‘Entorno de Brasília’, que é Ceilândia, Gama, etc, em uma clara incorreção ao tratar da região legal).
O confronto de ideias é um dos grandes capítulos das campanhas, pois mostra a fluência e capacidade técnica de governar. E cada um mostrou seu melhor: Wilder vai bem quando fala de ‘engenharias’, como pavimentões, Marconi Perillo (PSDB) discorre com destreza sobre o que fez em quatro mandatos, Luis César Bueno (PT) tem convicção quando trata de assuntos que viveu como deputado estadual, caso das lutas dos servidores públicos e Daniel Vilela (MDB) domina as temáticas de tecnologia e segurança pública, que – ao lado de Ronaldo Caiado – implementou em Goiás.
O formato do debate e própria sequência de réplicas prejudicou mais Daniel Vilela, que, ao ser criticado [já que é o líder das pesquisas e governador], não tinha oportunidade de retrucar – daí a evidente necessidade de remodelação dos debates quando existir a possibilidade de que um dos candidatos vire alvo de todos, como ocorreu com Daniel.
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No desenrolar que se anunciava até pouco mais da metade do encontro, Marconi Perillo e Bueno se posicionavam melhor. O petista um pouco mais eficaz até, pois estava clara sua posição: levantar a bandeira do PT e Lula. E Bueno expôs Wilder, com perguntas como “cite uma só obra que Bolsonaro fez em Goiás”. O senador respondeu sem objetividade e não citou.
Em outro momento, sobre tecnologia, Wilder disse que o povo “Não precisa entender nada disso não”.
Bueno também foi direto: “Daniel, você vai privatizar a Saneago?” O emedebista respondeu que não de forma clara. E foi o resumo de como um debate deve ser.
Bueno enfrentou Marconi, que tentou se colocar como um bom gestor para servidores da educação. Mas Bueno o cortou ao lembrar que foi deputado estadual nas gestões dele e as recordações eram outras, com Marconi prejudicando os trabalhadores.
Com Wilder deslocado e Daniel chamado para ser atacado, o debate caminhava para tornar-se palanque de Marconi até que ele questionou Daniel sobre funcionalismo e aí, sim, a resposta voltou em um tom que a plateia, independente de cor partidária, gosta, pois tem energia e locução na resposta: Daniel respondeu que Marconi é quem desrespeitava o funcionalismo. E aí jogou o ex-governador nas cordas: relembrou casos como o SIMVE, serviço da área de segurança pública em que o ex-governador colocou nas ruas pessoas sem concurso público e preparo para realizar trabalho semelhante ao das PMs. O caso foi fustigado no Supremo por flagrante inconstitucionalidade. E Daniel foi agudo, lembrou das vaquinhas de cesta básica para atender servidores que recebiam remunerações aviltantes. Por fim, soterrou a pergunta maliciosa, ao lembrar que Marconi criou o soldado de terceira classe, cujo vencimento era R$ 1500 antes de Caiado e Daniel. Hoje, extinta a terceira classe, os servidores recebem R$ 10,5 mil.
Na mesma linha, Marconi disse que, com a reforma tributária, Goiás perderá empresas. Daniel sujigou a ‘cassandra’: “Você torce contra Goiás!”. Como reagiu bem ao final, Daniel foi para cima de Marconi sem citá-lo: “Teve um que teve 20 anos pra governar Goiás e agora apresenta um monte de propostas aqui. Porque não fez antes?”.
Em momentos de ideologização, Daniel vaticinou: “Lula não será reeleito”. E elogiou a postura de Caiado na condução das políticas públicas. Sem intimidade com dados da Segurança Pública, Wilder disse que aumentou a violência em Goiás. Os dados mostram o contrário – e Daniel corrigiu o oponente.
Em entratégia para atrair o voto bolsonarista, Marconi jogou uma bomba no colo de Wilder e disse que ele é um bom senador. E, caso eleito, deixará o bolsonarismo órfão no Senado.
Ao fim, com Daniel fechando o debate, de forma contundente e no ataque, ele deu a impressão de ter sido o melhor [ é evidente uma opinião embasada no que o emissor viu e sentiu], pois teve que articular defesa e ataque. Marconi começou muito bem, mas perdeu expressão ao tentar desacreditar Daniel sem consistência. Disse que o governador estava nervoso e gaguejando, quando o líder emedebista estava tranquilo e sereno.
Depois de Daniel, o melhor debatedor foi Bueno, que manteve ritmo nas argumentações, sem deixar de responder nenhuma questão. Ao fim, o debate mudará os rumos das eleições? Não. Foi mais uma curva de um rio, que segue um fluxo plácido até domingo.
Welliton Carlos é jornalista, advogado, servidor público, mestre em Direito e doutor em Sociologia na UFG
Foto: Leoiran