Trump diz que Lula pediu neutralidade nas eleições brasileiras
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 30 de outubro de 2026 às 11:47 | Atualizado há 56 minutos
Trump disse ter atendido ao pedido de Lula para não apoiar candidatos nas eleições | Foto: Reuters
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (29) que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu que ele não manifestasse apoio a nenhum candidato durante as eleições brasileiras. O republicano declarou que respeitou a solicitação, mas classificou o processo eleitoral como uma “desgraça” e disse que pretende conversar com o petista sobre o assunto.
Ao comentar o pleito, Trump afirmou que acompanhou a disputa, mas optou por não tomar partido a pedido de Lula. “Não quero comentar sobre isso agora, mas eu acho que as eleições foram um grande constrangimento para o povo do Brasil. Eu assisti à eleição e eu não tomei partido. Eu deixei acontecer. O atual presidente me pediu para não tomar partido. Eu não tomei partido. Mas quando eu assisti o que aconteceu no Brasil foi uma desgraça”, declarou.
Os dois presidentes já haviam abordado o cenário eleitoral brasileiro em uma conversa telefônica realizada em agosto. Na ocasião, Lula telefonou para Trump e, segundo interlocutores do Palácio do Planalto, o norte-americano fez apenas uma referência superficial à disputa.
Em resposta, o presidente brasileiro afirmou que o processo transcorria de maneira tranquila. Lula também destacou que, naquele momento, antes do primeiro turno, havia vários candidatos na disputa e reforçou a segurança do sistema eleitoral brasileiro. Depois da manifestação do petista, Trump não voltou a comentar o assunto durante a ligação.
Campanha de Lula temia eventual apoio de Trump a adversário
A possibilidade de Trump declarar apoio a um candidato na disputa brasileira era vista com preocupação por integrantes da campanha de Lula e auxiliares do presidente. A avaliação interna era de que uma manifestação do republicano poderia acabar prejudicando o candidato que recebesse seu apoio, em vez de fortalecer sua candidatura.
Essa percepção estava relacionada à repercussão negativa do tarifaço imposto pelo governo norte-americano a produtos brasileiros. Após a adoção das alíquotas, pesquisas eleitorais indicaram uma queda nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula na disputa.
Trump evita reconhecer Lula como presidente legítimo
A eleição que garantiu a reeleição de Lula ocorreu no último domingo (25), mas o governo dos Estados Unidos ainda não havia se manifestado oficialmente sobre o resultado até o momento. Nesse cenário, Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos na quarta-feira (28), após ser derrotado pelo petista por uma diferença superior a três milhões de votos.
O senador mantém aproximação com integrantes do governo Trump e chegou a ser recebido pelo presidente norte-americano na Casa Branca neste ano. Antes da votação, Flávio era apontado como um possível aliado de preferência do republicano, embora não tenha recebido apoio público dele durante a campanha.
Questionado sobre quem reconhecia como o legítimo presidente do Brasil, Trump evitou responder. A pergunta ocorreu após Flávio questionar o resultado das eleições brasileiras. Em uma carta, o senador chegou a se apresentar como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”.
A declaração, no entanto, não foi acompanhada por manifestações de apoio de aliados políticos. Após a divulgação do documento, integrantes do grupo de Flávio não endossaram as alegações e afirmaram não haver provas de fraude no processo eleitoral.