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Por que o STF está discutindo o fim das bets? Entenda o papel de Luiz Fux e o que significa uma ADI

DM Online

Publicado em 3 de novembro de 2026 às 12:21 | Atualizado há 1 hora

Muita gente está se perguntando por que o Supremo Tribunal Federal (STF) está discutindo o fim das bets no Brasil e qual é o papel do ministro Luiz Fux nesse debate. Para entender a discussão, é preciso conhecer o caminho jurídico que levou o assunto à mais alta Corte do país.

A polêmica começou depois que o governo federal editou a Medida Provisória nº 1.394/2026, em 25 de setembro, estabelecendo a proibição da exploração, oferta, intermediação e publicidade das chamadas apostas de quota fixa, conhecidas popularmente como bets.

A decisão provocou reação de associações ligadas ao mercado de apostas, que recorreram ao STF para tentar impedir que a proibição entre em vigor.

Mas por que essas entidades procuraram justamente o Supremo?

O que é uma ADI e por que ela foi apresentada?

ADI é a sigla para Ação Direta de Inconstitucionalidade. Em termos simples, é um instrumento jurídico utilizado para questionar se uma lei ou norma está de acordo com a Constituição Federal.

A Constituição é a principal referência jurídica do Brasil. Nenhuma lei, medida provisória ou decisão do poder público pode contrariar suas determinações.

Quando uma entidade entende que uma norma desrespeita a Constituição, pode, desde que esteja entre os legitimados previstos no artigo 103 da Constituição Federal, apresentar uma ADI ao STF.

É exatamente o que aconteceu no caso das bets.

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) apresentou a ADI 8027, argumentando que a medida provisória do governo apresenta problemas constitucionais e deve ser suspensa.

Entre os questionamentos estão a falta de urgência que justificasse a edição de uma medida provisória, possíveis violações à livre iniciativa, à segurança jurídica e os prejuízos às empresas que receberam autorização para operar no país.

Outra associação, a Anseja, também apresentou questionamento semelhante, por meio da ADI 8024.

É importante compreender que essas associações não estão pedindo ao STF apenas que discuta se as apostas são boas ou ruins para a sociedade. O que elas querem é que a Corte examine se o governo utilizou um instrumento constitucionalmente adequado para proibir a atividade.

Afinal, quem é Luiz Fux e por que ele está conduzindo o caso?

Luiz Fux é ministro do Supremo Tribunal Federal, uma das onze autoridades que integram a Corte responsável por interpretar e proteger a Constituição brasileira.

Ele foi designado relator da ADI 8027. Isso significa que é o ministro responsável por conduzir o processo, analisar os argumentos apresentados pelas partes, determinar providências processuais e preparar o caso para julgamento.

Fux também já era responsável por outras ações relacionadas à regulamentação das apostas no Brasil.

Por isso, os processos envolvendo o assunto foram relacionados e distribuídos a seu gabinete.

Mas existe um detalhe importante: Luiz Fux não está discutindo o assunto por ser representante das empresas de apostas ou do governo. Sua função é conduzir o processo judicial e examinar as questões constitucionais apresentadas.

Ele também não decide sozinho, de maneira definitiva, o resultado de uma ADI. O julgamento de mérito cabe ao colegiado competente do STF.

Por que o ministro convocou uma audiência pública?

A audiência pública realizada nesta terça-feira (3) tem uma finalidade específica: permitir que diferentes setores apresentem informações, estudos e argumentos sobre os impactos da proibição das bets.

O assunto não envolve apenas empresas de apostas. A atividade movimenta recursos, patrocina clubes de futebol, envolve publicidade, afeta consumidores e levanta preocupações relacionadas ao endividamento das famílias e à saúde pública.

Por isso, Fux convocou representantes de diferentes instituições, incluindo clubes de futebol, associações empresariais, representantes do mercado de apostas e órgãos do governo.

A Advocacia-Geral da União (AGU) também pediu a ampliação dos participantes, defendendo a presença de outros setores, especialmente representantes das áreas de saúde e segurança pública.

O objetivo é fornecer elementos técnicos para que o Supremo compreenda as consequências econômicas, sociais e jurídicas da medida.

A audiência, entretanto, não é um julgamento e não significa que o STF tenha decidido acabar ou manter as apostas.

O que está em jogo para a população?

A discussão tem consequências que ultrapassam os interesses das empresas de apostas.

De um lado, existem preocupações com o crescimento das apostas on-line, o comprometimento da renda familiar, o endividamento dos consumidores e os possíveis problemas de saúde associados ao jogo compulsivo.

De outro, estão os argumentos relacionados à liberdade econômica, aos investimentos realizados pelas empresas, aos empregos gerados e aos recursos movimentados por clubes e outras instituições esportivas.

Também existe uma questão jurídica fundamental: até que ponto o governo pode extinguir uma atividade econômica anteriormente regulamentada por lei utilizando uma medida provisória?

É justamente esse conjunto de questões que chegou ao Supremo.

O STF pode derrubar a proibição?

Sim. Caso entenda que a medida provisória viola a Constituição, o STF poderá declarar sua inconstitucionalidade, total ou parcialmente.

Também poderá manter a norma, caso conclua que não existem as violações apontadas pelas associações.

Outra possibilidade é uma decisão que preserve parte das regras ou estabeleça condições para sua aplicação.

Enquanto não houver uma decisão judicial suspendendo ou invalidando a medida, seus efeitos jurídicos devem ser observados, respeitadas eventuais decisões posteriores.

Além disso, a medida provisória precisa passar pela análise do Congresso Nacional, conforme o procedimento previsto na Constituição.

Entenda de uma vez por todas

O STF não foi chamado para decidir simplesmente se a população deve ou não apostar dinheiro em plataformas digitais.

A Corte foi provocada porque associações questionaram a constitucionalidade da decisão do governo federal de proibir as bets por meio de uma medida provisória.

Luiz Fux conduz o processo porque é o ministro relator da ação. A audiência pública serve para ouvir os setores envolvidos e reunir informações que possam ajudar na análise do caso.

No fim, a grande questão é saber se a proibição estabelecida pelo governo respeita a Constituição e se o instrumento utilizado para implementá-la foi juridicamente adequado.

O que a população precisa entender é que discutir a constitucionalidade da proibição não significa defender as bets. Significa verificar se as decisões do governo, independentemente de serem populares ou impopulares, respeitam as regras estabelecidas pela Constituição brasileira.

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