O exemplo goiano do Mestre das Conquistas
Redação DM
Publicado em 8 de dezembro de 2022 às 15:30 | Atualizado há 4 anosA terra do renomado poeta e crítico literário, Gilberto Mendonça Teles, considerado na França e na Espanha, como um dos críticos brasileiros mais eminentes quando o tema é Camões, Machado de Assis e Drummond, acaba de revelar um novo escritor: o também bela-vistense Amarildo Gonçalves Pires.
Ele está lançando o livro autobiográfico, “O Mestre das Conquistas”, que aborda a sua dura trajetória de vida, desde a infância pobre, enfrentando a fome e a miséria, passando pela juventude, quando trabalhou como servente de pedreiro e capinador de lotes até se tornar um executivo do sistema financeiro nacional e detentor de um dos maiores bancos genéticos de gir leiteiro e girolando do mundo.
Conterrâneo do famoso contador de causos, Geraldinho Nogueira, que ficou conhecido nacionalmente por ser um homem simples do interior, cheio de histórias para contar, com o seu característico sotaque interiorano, Amarildo Gonçalves é filho do pedreiro Antônio Pires do Prado e de Aparecida Gonçalves do Prado, que trabalhou durante 35 anos como faxineira no Colégio Estadual Pedro Vieira Januário.
Durante o seu primeiro emprego, como contínuo no extinto Agrobanco, ele usava papelão para cobrir os buracos do sapato. Dormia em escadas de prédio e comia marmitas requentadas. Sequer tinha dinheiro suficiente para pagar uma passagem de ônibus. Pegava carona na estrada no trajeto de Goiânia, onde funcionava a agência do banco até a sua casa em Bela Vista.
Iniciou a sua carreira no Agrobanco, depois trabalhou no Banco do Estado de Goiás (BEG), BicBanco, Banco Safra e atualmente é executivo do C6 Bank. Desde 2010, Amarildo Gonçalves tornou-se um executivo dentro do sistema financeiro nacional, ultrapassado até hoje, em termos de permanência no cargo, apenas por outro goiano, o anapolino Henrique Meirelles, que trabalhou no BankBoston, por 28 anos.
Paralelamente à sua exitosa carreira bancária, Amarildo Gonçalves começou em 2008 um projeto revolucionário de seleção e melhoramento genético da raça gir leiteiro, realizando um sonho de criança, incentivado pelo pai. Tudo teve início com a aquisição de uma chácara de apenas 1 alqueire, trocada por uma casa, construída por ele próprio, e uma única vaca. Sem recursos para adquirir matrizes de alta linhagem, Amarildo teve uma grande sacada: investir no futuro.
Ao invés de comprar o presente, ou seja, os animais, que pesam em torno de 700 quilos ou mais, ele passou à aquisição do futuro, que são os “vidrinhos mágicos”, de apenas algumas gramas, contendo embriões, por valores muito mais baixos. Passou então a comprar material genético de touros e vacas campeãs em leilões e exposições pelo Brasil e a realizar a Fertilização In Vitro (FIV), introduzindo os embriões em vacas comuns, as chamadas barrigas de aluguel.
O bezerro nascia com uma genética apurada e, assim, ele foi formando um novo plantel e hoje a sua produtividade leiteira está dez vezes acima da média nacional. Com esse investimento em ciência e tecnologia, Amarildo Gonçalves conseguiu ao longo dos anos, adquirir material genético de praticamente todas as famílias de gir leiteiro e girolando existentes na América Latina, formando o seu próprio banco genético, que é considerado hoje um dos melhores do mundo e com um plantel recheado de premiações nas principais exposições agropecuárias.
Além das suas atividades como produtor rural e executivo do sistema financeiro, Amarildo Gonçalves é um homem profundamente dedicado às causas sociais. Ele é um dos fundadores e primeiro presidente do Instituto Esperança Belavistense. Através dessa entidade já foram realizadas diversas nas áreas do combate à fome e em prol da saúde, beneficiando milhares de famílias carentes de Bela Vista.