Opinião Pública

O 33⁰ degrau

Redação DM

Publicado em 26 de novembro de 2022 às 17:25 | Atualizado há 4 anos

Deus é Justo. Um mestre experimentado, velho e muito sábio me fez essa valiosa observação quando eu estava temeroso pelo peso das provações e por receio do desafio que estava enfrentando. Vivi intensamente cada instante de minha vida para provar momentos de satisfação e ver o triunfo sobre a luta ingente.

Alcanço agora a primazia de ser alçado ao topo dos Graus Filosóficos da maçonaria universal. Por deferência do Supremo Conselho do Grau 33º do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria para a República Federativa do Brasil sou investido no prestimoso instituto de Maçom Grau 33º, uma condição de singular significado para os que conhecem o que isso representa.

Todavia, para chegar a esse patamar precisei domar meu instinto e aprender a ouvir e aprender mais do que em toda a minha vida. Mais do que nunca necessitei vencer minhas vontades e superar minhas paixões para ser aceito nessa seleta confraria. Como Sidarta, na imortal obra de Hermann Hesse, precisei praticar as virtudes da reflexão, da oração e do recolhimento à minha pequenez para saber que o caminho a ser percorrido é difícil, incerto e que as dificuldades e obstáculos têm o condão de nos fazer crescer.

Tive que enfrentar a força que insistia em me segurar e puxar para trás. Mas, a força não é forte assim e minha persistência na busca pela Verdadeira Luz foi mais forte e garantiu que eu chegasse ao objetivo buscado. Um rio não enfrenta o rochedo que o cerca, porque não há razão em contrapor o obstáculo desprendendo energia desnecessária. Como um curso d’água eu contornei, reflui, refiz minha trajetória e aguardei o momento de seguir meu desiderato.

Jamais me quedei resignado à opressão e nunca me neguei a reconhecer meus erros e limitações. Venho de uma família humilde e honrada, que me legou valores inestimáveis como vontade de lutar, disposição para o trabalho e disciplina para o estudo e a aprendizagem. Aprendi desde cedo a erguer a cabeça e enfrentar com galhardia o labor incessante que dignifica o homem e sob hipótese alguma me render a perseguições. 

As cicatrizes que carrego, frutos dos embates que tive na vida eu as ostento todas na cara e no peito, com muito orgulho. Nenhuma delas nas costas. Porque a batalha jamais me encontrou em fuga, mas sempre em confronto direto e com coragem para superar as adversidades. 

Tive bons companheiros nessa empreitada, a quem presto reverente agradecimento, porque foram eles que me deram sustento. Minha amada esposa, Divina, luz dos meus dias e minha inspiração diária para viver. A ela entrego minha vida e minha alma, porque sei que é um anjo de luz que o Criador me concedeu. Os irmãos de minha loja, que me garantiram proteção e força para concluir a missão. Maurício Lopes Ferreira, um homem bom e digno que me estendeu a mão. Ele é a pura expressão do homem justo e correto. Meu mestre eterno que virou estrela no céu, Adolfo Ribeiro Valadares, que me inspira até hoje e me fez ver que a busca pela verdade é incessante. E um amigo de mais de três décadas, a quem sirvo com reverente gratidão por constantemente me resgatar das garras da injustiça e me fazer ser comprometido com a Justiça e a verdade: Tito Souza do Amaral, meu Grão Mestre e líder maior. Sou seu soldado diligente e servidor abnegado, além de amigo de qualquer hora.

Sou o que penso e carrego comigo o peso de expressar o que formulo. Se escrevo, todos rendem loas e creditam grande valor. Contudo, se falo, enfrento forte oposição, e sei que isso se deve ao que veem em meus olhos, que são a porta da minha alma. Melhor assim, porque o que deixo gravado ficará para outros e o que exprimo por palavras é levado ao vento, ainda que sejam fruto do mesmo pensamento. A esmagadora maioria não consegue divisar pensamento de ideologia. Sigo e deixo escrito, mesmo que a oração e a escrita tenham a mesma origem.

O sentido de chegar ao Grau 33º dos Altos Graus Filosóficos do Rito Escocês Antigo e Aceito é um ícone, que se reveste de um profundo sentido, impondo a seu detentor muito mais deveres do que privilégios. A contínua lapidação moral e intelectual é um comprometimento que deve ser diligentemente praticado todo dia, em todas as vertentes da vida humana e em cada lugar que quem o recebe precisa estar atento. Como o ensinamento contido no Livro da Lei de vigiar e orar, é imperioso que o indivíduo que chega a esse grau se mantenha atento e vigilante para não incorrer em equívocos e desvios que as vicissitudes da existência nos envolvem dia após dia.

Igualmente não é defeso a um Grau 33º fechar-se em si mesmo e não compartilhar o aprendizado com outros. Assim, precisarei ser mais do que sou, fazer mais do que fiz e dividir mais do que nunca partilhei. Serei vigilante para me manter na senda do amor, da virtude e da fé. Praticarei mais a tolerância e a busca pela superação de vontades e paixões e vou partilhar mais com quem me rodeia o que vi, acreditei e aprendi. E amarei mais do que tenho amado. Viverei cada dia como se fosse o último e sorverei cada gota de vida com sofreguidão.

O Grande Arquiteto do Universo me brinda diariamente com graças que nem sei se sou merecedor e isso me coloca na posição de indelével propagador da maravilha que é viver em paz e harmonia. Minha experiência religiosa me deixou uma marca profunda de obrigação de levar mensagens e ações libertadoras em todos os sentidos, com palavras e atos, construindo a liberdade e o clarão para as gentes. Como o Apóstolo Paulo me vejo na obrigação de continuar nessa senda e “ai de mim se eu não evangelizar”.

Vim, vi e venci. Sou grato a todos que participaram dessa caminhada e por ter conquistado esse galardão. Agora recomeçarei tudo de novo, reaprendendo, reconquistando e reconstruindo, porque só assim poderei não errar mais e ser feliz. Que assim seja.

Hélmiton Prateado é cristão, pedreiro livre e amante da vida.

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