A privatização da Celg é moral e financeiramente necessária
Redação DM
Publicado em 20 de outubro de 2015 às 23:16 | Atualizado há 11 anosÉ muito comum transitar por Goiânia e ver carros ostentando adesivos com frases contrárias à privatização da Companhia Energética de Goiás (Celg), numa tentativa de iludir o cidadão desinformado, alegando que, com a privatização, “a energia vai encarecer e todos nós vamos ficar no escuro”. É preciso que se esclareça que todo esse terrorismo é forjado em uma grande mentira e que se presta, tão somente, a atender aos interesses, principalmente, de uma velharia de empregados sarcófagos, viciados em um estilo de trabalho predatório e indolente, no qual prevalecem seus interesses, em detrimento da prestação de serviço eficiente e com respeito aos usuários.
Essas pessoas que se opõem à privatização são as que temem a mudança de paradigmas concernentes às exigências pela qualidade e eficiência de seus serviços e a qualificação profissional de seu quadro de pessoal. A parcela de políticos demagogos que aderem aos discursos contra a privatização é aquela que, ao longo dos tempos, beneficiou-se da pilhagem ou foi cúmplice dos sindicatos que tanto enriqueceram alguns grupelhos de espertalhões. A alegação de que a Celg não pode ser privatizada por se tratar de um “patrimônio dos goianos” é uma falácia tão ridícula quanto o sistêmico desmantelamento e a rapinagem que foram instituídos contra essa empresa, em décadas de sua existência. Em verdade, o povo goiano serviu, e serve, para ser roubado, cotidianamente, através de tarifas imorais e extorsivas, para sustentar as estruturas de uma empresa falida – em todos os seus aspectos, tanto moral quanto financeiramente – e assegurarem o financiamento de cabides de empregos, tendo como contrapartida a prestação de um serviço precário e um rombo financeiro tão abissal e astronômico que, cada vez mais, se avoluma. A Celg representa o que há de mais sórdido em matéria de serviço público. É uma empresa que, ao longo de sua história, vem revelando a perfeita simbiose da inescrupulosidade entre velhas e tacanhas práticas políticas, interesses corporativos, espíritos predatórios de empreiteiros e tantas outras formas utilizadas em seu saqueio.
O cidadão consumidor sempre teve que pagar a conta, cada vez mais exorbitante, de uma empresa perdulária, sucateada e que sempre serviu para saciar a cobiça de sedentos piratas que a saqueiam, culminando com o impagável prejuízo de 6 bilhões de reais e o oferecimento de um serviço improvisado. Muitos empregados argumentariam que eles não têm culpa, pois a empresa foi vítima de más gestões e de fracassadas ingerências políticas. São meias verdades. Na Celg sempre imperou o pacto de interesses e conveniências recíprocas. A classe política saqueia por um lado, transformando-a em uma grande fonte de enriquecimento e de financiamento de campanhas políticas, com a conivência da imprensa, das instituições públicas que deveriam coibir e reprimir a gatunagem e, por outro lado, empregados, através de seus sindicatos, tomando parte na vampirização desse zumbi combalido e definhado. Ao longo dos tempos, criaram-se um “glamour” ser “empregado na Celg”, não porque essa empresa fosse útil e enchesse de orgulho e satisfação aquele que deveria ser a razão de sua existência, o cidadão consumidor, mas pelos salários muito acima da média do que ganham os trabalhadores equivalentes e, principalmente, pela visibilidade política que ainda proporciona, considerando que foi através dela que muitos empresários e políticos enriqueceram, superfaturando os preços de materiais, obras e serviços. Em um Estado onde não há concorrência de serviços de fornecimento de energia elétrica, a imprensa local faturou alto, com a veiculação de pseudo-propaganda que, em verdade, era apenas o quinhão correspondente ao saque da Celg para que permanecesse calada e não denunciasse a cultura da canalhice institucionalizada. Se a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e a Eletrobrás fosse instituições sérias, há tempos teriam cassada a concessão da Celg. Esta empresa, além de todos os descalabros que promoveu e promove, financiados pelo dinheiro do consumidor compulsório, não atende às exigências da lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, a chamada lei das concessões. O artigo 6º diz que concessão ou permissão pressupõe a prestação de serviços adequados ao pleno atendimento dos usuários, consistentes na satisfação das condições de regularidade, continuidade, eficiência e modicidade de suas tarifas. Como se vê, tudo o que se exige para a continuidade da Celg, como concessionária de serviços de tamanha necessidade para a nossa sociedade, é tudo o que ela não tem. Nenhuma dessas exigências são atendidas pela Celg. Ao contrário. O Estado tem perdido investimentos em razão da péssima qualidade do serviço de fornecimento de energia elétrica. Empresas, indústrias, hospitais, residências, que dependem do serviço de fornecimento de energia elétrica, são constantemente afetadas com as interrupções de energia devido ao sucateamento das subestações e das redes de transmissão, por falta de investimento em sua modernização e renovação. Apesar das exorbitantes tarifas pagas pelo consumidor, em troca de um serviço desprezível, tudo é direcionado ao custeio de altos salários, cabides de empregos para acomodação de protegidos políticos, e à amortização de rombos financeiros. Não obstante tudo isso e de não haver concorrência, a Celg é sempre deficitária.
Portanto, caros cidadãos, quando virem pelas ruas faixas, cartazes e adesivos com manifestações contra a privatização da Celg, tenham a certeza de que ali está alguém apavorado com a ideia de ter que encerrar um ciclo vicioso e, futuramente, se quiser manter-se empregado, ter de se ajustar à política de uma empresa que prima pela eficiência, economia, lucratividade e produtividade. Nenhum dos que se arvoram contra a privatização da Celg está pensando na qualidade dos serviços e no atendimento devidos ao cidadão. Eles estão, tão somente, preocupados com os seus interesses pessoais, sejam eles políticos ou financeiros, financiados às nossas custas.
(Manoel L. Bezerra Rocha, advogado criminalista – [email protected])