Brasil

Alerta: OMS se diz preocupada com América do Sul e alerta que protestos não ajudam

Redação DM

Publicado em 22 de abril de 2020 às 18:22 | Atualizado há 6 anos

Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), em coletiva a imprensa nesta quarta-feira (22), destacou preocupação com o aumento de incidências de casos do Covid-19 na América do Sul, e confirmou que o coronavírus vai estar presente no mundo por “muito tempo”. E sustentou que os protestos por parte dos cidadãos contra o distanciamento social “não ajudam” e podem aumentar o surto.

Segundo Ghebreyesus, “globalmente, quase 2,5 milhões de casos foram registrados. Mais de 160 mil mortes. Vemos diferentes tendências em diferentes regiões e mesmo dentro de regiões”, disse. “Na Europa Ocidental, vemos estabilidade ou queda de números. Mas há tendências preocupantes na América do Sul, África”, pontuou. “Muitos países estão em estágio inicial. Outros vêem o ressurgimento de casos”, afirmou.

Maria Van Kerkhove, diretora técnica da OMS, confirmou que a situação Sul-americana preocupa. “O que vemos é um aumento de tendência em vários países da América do Sul e Central e isso preocupa”, disse. Segunda ela, o risco é de que, se o vírus se consolida o número de casos pode dobrar em apenas poucos dias. Para a especialista, governos da região precisam se concentrar em colocar em funcionamento laboratórios, sistemas de monitoramento e outras medidas de distanciamento social.

“Isso comprou tempo. Mas esses governos precisam usar esse tempo sabiamente. Ainda há uma janela de oportunidade para suprimir a transmissão e evitar surtou maiores”, alertou. “A trajetória do surto depende de como países reagem”, insistiu.

Protestos não vão ajudar

Perguntado sobre o protesto de cidadãos em diferentes partes do mundo contra a quarentena, Tedros destacou que, no fundo, isso é uma questão de “confiança entre cidadãos e governo”. E enfatizou que “protestos não vão ajudar. Eles só irão colocar combustível no surto”, alertou. Tedros indicou que, pelo mundo, só 66% dos países têm sistema clínico de referência para casos de coronavírus e apenas 48% tem um plano de engajamento da sociedade.

“Existem muitas lacunas na defesa”, argumentou. “Temos um longo caminho ainda pela frente. O vírus estará conosco por muito tempo”, considerou. Segundo o diretor da OMS, as estratégias de quarentena e ordens para ficar em casa foram “exitosas para reduzir a transmissão. Mas ele continua sendo muito perigoso e a maioria do mundo continua sendo suscetível, o que significa que existe um risco”, argumentou.

Para Tedros, “a complacência é o maior perigo. Entendemos que muitos querem continuar com suas vidas. A OMS também quer isso. Mas muitos não podem voltar ao mundo como ele era. Precisamos de um novo normal. Mais seguro e mais preparado”, reiterou.

Transição para o fim da quarentena

Para permitir essa transição para o fim da quarentena, a OMS insiste que governos precisam estabelecer sistemas, que possam encontrar cada um dos novos casos e isolar as pessoas infectadas. O diretor ainda esclareceu que testar todos os casos não significa testar todas as pessoas em uma sociedade. Mas insiste que o momento é de criar uma capacidade de reação, caso surtos voltem a ocorrer.

*Com informações do Uol

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