Brasil

Câmera registra discussão entre mulher e PM antes de tiro fatal ser disparado

Giovanna Gonçalves - Estágio DM

Publicado em 7 de abril de 2026 às 16:21 | Atualizado há 2 meses

Imagens e relatos apresentam versões conflitantes sobre a ação policial que matou Thawanna Samázio, na Cidade Tiradentes | Foto: G1
Imagens e relatos apresentam versões conflitantes sobre a ação policial que matou Thawanna Samázio, na Cidade Tiradentes | Foto: G1

Antes de ser baleada pela soldado da Polícia Militar Yasmin Cursino, Thawanna Samázio teve um diálogo acalorado com um grupo de policiais, de acordo com registros de uma câmera de segurança. O caso aconteceu nesta sexta-feira (3), na zona leste de São Paulo, na Cidade Tiradentes.

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As imagens da câmera mostram Thawanna e Luciano Gonçalves, marido dela, caminhando lado a lado na rua. Depois que os dois saem do alcance da câmera, uma viatura policial passa na mesma direção, logo atrás.

Divergência de testemunhos

Segundo o testemunho de Luciano, o carro passou em alta velocidade pela rua e quase atingiu o casal. Por isso, sua esposa teria se assustado e “proferido palavras de insatisfação”. Ele afirma, ainda, que não houve abordagem e que a policial desceu do carro atirando após ouvir Thawanna.

Luciano disse também que, a princípio, pensou que a munição utilizada contra sua esposa fosse do tipo não letal.

Outra testemunha da situação, um morador da região, afirmou que a policial Yasmin Cursino era “despreparada”. A testemunha declarou: “a menina aqui, sem fazer absolutamente nada, levou um tiro”, enquanto apontava a câmera para Thawanna caída no meio da rua, sendo socorrida por outro policial.

O boletim de ocorrência registrado pelos PMs, no entanto, diverge em alguns pontos do que foi relatado por Luciano.

Segundo o registro policial, Luciano teria esbarrado de propósito no retrovisor da viatura quando esta passou ao lado do casal. O documento afirma ainda que os policiais retornaram ao local após o casal gritar, momento em que houve diálogo. De acordo com o boletim, Thawanna teria iniciado uma discussão e agredido Yasmin fisicamente.

A agente responsável pelos disparos afirmou que o casal apresentava sinais de embriaguez e que Luciano precisou ser contido por outros policiais, pois estaria “gesticulando de forma agressiva”. Foi nesse momento que, segundo Yasmin, Thawanna teria apontado o dedo em sua direção e partido para a agressão.

Medidas tomadas

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) informou, por meio de nota, que as imagens das câmeras corporais dos agentes serão analisadas e que, enquanto a investigação ocorre, os envolvidos foram afastados das atividades em campo, sendo designados para funções administrativas.

A SSP também informou que Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos, soldado de 2ª classe, foi afastada da corporação e é alvo de um inquérito policial militar e de um inquérito conduzido pela Polícia Civil.


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