Brasil

Como o INSS não havia descoberto ou pensado nessa brilhante solução antes?

Redação DM

Publicado em 22 de outubro de 2015 às 00:55 | Atualizado há 11 anos

Em idos tempos, quando sequer se cogitava ainda a utilização da expressão factoide, inventada por um politico carioca, Cesar Maia, para aparecer na mídia, não poucos ministros da saúde, disso já se utilizando, convocavam a imprensa para em altas madrugadas dar uma “incerta” nas filas de atendimento do INSS, oportunidade em que apregoavam que tudo iria mudar e a população brasileira passaria a ser atendida com dignidade, rapidez e eficiência. Apagados os holofotes e flashes, tudo voltada a ser como antes, até que uma nova incursão fosse efetuada e, mais uma vez, os falatórios, as mesmas promessas e a mesma providência: Nada.

Dezenas de vezes isso feito e por muitos ocupantes do cargo de chefe maior da saúde brasileira, quando o corriqueirismo já não mais atraia atenção, vieram as consultas e diversos procedimentos como pedidos de licença e de aposentadorias através de agendamento, o que foi e ainda é amplamente divulgado como se a oitava maravilha do mundo tamanho o seu alcance e eficiência, quando não passa de uma mera balela, um factoide oficial, dando ares de solução para um cronico problema que a cada vez mais se agrava, ante a prestação de um serviço para lá de vagaroso, não por culpa dos seus aplicados servidores, mas do próprio sistema e do acúmulo de trabalho que deveria estar sempre prestado por, no mínimo, o dobro de servidores, quiçá o triplo, pois o que se vê são atendimentos ininterruptos, estafantes e de forma continuada nos postos de atendimentos daquele órgão.

E é, esse sistema para lá de ultrapassado que muitas vezes leva os servidores a exigir coisas estapafúrdias, como o caso de um meu colega de trabalho que tendo que recorrer àquele instituto para fazer um requerimento, ao apresenta-lo foi, pelo atendente, informado de que o documento não estava condizente com as normas preceituadas para o seu pedido, vez que apresentava um carimbo redondo com o nome da nossa secretária (aposto por quem de direito para tanto credenciado), pois o que o INSS exigia tinha que ser quadrado, embora com  todas as características do que se achava no documento, um absurdo que lhe fez perder tempo de idas e vindas, de novo agendamento, portanto atrasando o seu pleito.

Talvez seja em decorrência dessas exigências e normatização tão esmiuçada e detalhista, que em quase todas as unidades daquele órgão não se consegue agendar algum tipo de atendimento como menos de trinta dias (salvo uma grande sorte), pois quase sempre o que se consegue é em prazo superior a dois meses, mesmo assim quando com hora marcada, quando se chega para ser atendido, o agendamento não mais vale nada, pois se é obrigado a pegar uma senha e ficar aguardando que chegue a sua vez, não raro isso demorando até mais de uma hora, conforme se deu com a minha esposa, a qual em acompanhava, em 14 de outubro passado, quando ela esperou mais de uma hora além do prazo que fora agendado par que pudesse vir a ser atendida.

Enquanto lá estávamos, ao voltar os meus olhos para um aviso que estava afixado em dois lugares, notei como houve uma “evolução” e revolução do INSS para por fim a essas reclamações quanto ao atraso no atendimento, pois se não se divulga e se mostra na mídia, está tudo bem, e o que vê naqueles dois informativos diz que a exposição de imagem é, pela Constituição Federal, expressamente proibida e que, portanto, ali não se é possível disso ser feito, numa clara tentativa de se cercear o trabalho da imprensa, principalmente a televisiva, o que “soluciona o problema” perante a população, pois se não divulga, certamente tudo está correndo às mil maravilhas. Como seria bom se isso estivesse mesmo acontecendo!

Chega a ser hilário que alguém metido a esperto desse tipo de argumento se valha inclusive afixando avisos, pois qualquer cidadão que lá esteja, em se consentindo, pode ter a sua imagem divulgada sim, bastando tão somente que assim o permita, portanto inócua tal medida, salvo para um ou outro desavisado ou mal informado.

Ah, como seria bom se todos os problemas do serviço público pudessem assim ser solucionados, como se num passe de mágica e com um simples aviso!. Não deixa de ser até bem surpreendente que somente depois de décadas e décadas de tanto exposição de um atendimento ineficiente, aquele órgão, só agora tenha descoberto uma “solução tão engenhosa, inteligente e definitiva”, inclusive é o caso até de ser perguntar: como o INSS não havia descoberto ou pensado nessa brilhante solução antes?

 

(José Domingos, jornalista, auditor fiscal, professor universitário, escritor e poeta)

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