Dados do celular de Vorcaro viram novo foco de tensão entre ministros do STF
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 14 de setembro de 2026 às 09:23 | Atualizado há 48 minutos
Ministros do STF analisam dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro antes de julgamento | Foto: Antonio Augusto/STF
A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) desta terça-feira (15) será realizada em meio a uma nova disputa envolvendo os dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Os ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes solicitaram à Polícia Federal (PF) acesso ao conteúdo integral do aparelho, que faz parte dos elementos reunidos no caso em análise pela Corte.
O material poderá ser consultado pelos ministros antes do julgamento da Petição nº 16.662, que trata de um relatório da PF com supostas mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
A solicitação ocorre depois de uma divergência sobre quem deveria ter acesso aos arquivos e em que momento eles poderiam ser disponibilizados. A questão colocou novamente o ministro André Mendonça no centro do impasse que envolve o Caso Master.
PF diz que arquivos originais continuam sob custódia
A Polícia Federal informou ao Supremo que os dados originais retirados do aparelho de Vorcaro continuam armazenados pela corporação. A instituição também afirmou que pode preparar novas cópias e encaminhá-las aos gabinetes que fizeram os pedidos, respeitando as regras de sigilo determinadas pela Corte.
A manifestação ocorreu após Edson Fachin pedir esclarecimentos sobre a situação do material. De acordo com a PF, os arquivos que chegaram ao gabinete de Mendonça em março não eram os originais. O conteúdo havia sido encaminhado como cópia após uma solicitação feita pelo próprio gabinete.
Leia também
- STF torna público contrato de esposa de Alexandre de Moraes com Banco Master
- PF aponta que Vorcaro recebeu informações sigilosas antes de sua prisão
Com base nessas informações, Zanin determinou no último domingo (13) que a PF enviasse a íntegra dos dados extraídos do celular até as 23h. Gilmar Mendes fez uma solicitação semelhante posteriormente, por meio de ofício enviado ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues.
O pedido de acesso também foi justificado pela necessidade de que os ministros conheçam diretamente os elementos que serão discutidos pelo plenário. Zanin afirmou que os julgadores não devem sofrer restrições para consultar informações do processo, já que estão submetidos ao dever de sigilo.
O telefone analisado pela PF é um iPhone 17 Pro, apreendido em 18 de novembro de 2025 durante a primeira fase da Operação Compliance Zero.
Divergência amplia crise no Supremo
Antes dos pedidos de Zanin e Gilmar, Mendonça havia se manifestado contra a disponibilização dos dados aos demais ministros. O relator avaliou que a divulgação do conteúdo poderia interferir no andamento da sessão.
A discussão ocorre em meio a uma série de conflitos dentro do STF. A crise se intensificou em 1º de setembro, quando Mendonça retirou o sigilo de parte da investigação sobre o Banco Master.
O relatório divulgado no processo menciona supostas conversas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Após a decisão, Moraes pediu a investigação de Mendonça e afirmou que o colega estaria agindo contra ele por interesses políticos. O ministro também apresentou relatórios de inteligência relacionados à atuação do relator do caso.
Na sequência, Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal. Ele questionou a elaboração de relatórios que considerou irregulares e levantou suspeitas de monitoramento ilegal.
Rodrigues contestou a decisão em outro processo, que apura o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O caso é relatado por Flávio Dino, que determinou o retorno do diretor-geral ao cargo.
Diante do impasse, Edson Fachin passou a concentrar decisões relacionadas aos diferentes episódios da crise. O presidente do Supremo rejeitou o pedido de Moraes para investigar Mendonça e assumiu a condução do Inquérito das Fake News. Também suspendeu as decisões envolvendo Rodrigues e manteve o diretor-geral no comando da corporação enquanto analisa a questão.
No processo relacionado ao Banco Master, Fachin determinou a retirada do sigilo e assumiu a relatoria da investigação sobre as supostas mensagens entre Moraes e Vorcaro.
O presidente do STF também determinou que processos ligados às investigações sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e sobre o Banco Master fossem encaminhados à Presidência da Corte. Os dois casos estavam sob responsabilidade de Mendonça.
Com isso, os processos permanecem paralisados até uma nova decisão sobre as relatorias. A expectativa é que os casos deixem o gabinete de Mendonça e passem para a Presidência do Supremo.