Brasil

Escala 6×1 vira embate sobre economia e qualidade de vida

Giovanna Gonçalves - Estágio DM

Publicado em 13 de abril de 2026 às 17:10 | Atualizado há 3 meses

Proposta de redução da jornada avança no debate político e enfrenta resistência de empresários, que citam riscos à produtividade | Foto: Reprodução
Proposta de redução da jornada avança no debate político e enfrenta resistência de empresários, que citam riscos à produtividade | Foto: Reprodução

Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca acelerar as discussões sobre o fim da escala 6×1 e levar o tema ao centro do debate político, empresários defendem o adiamento da proposta para 2030.

No início de março, foi divulgado que o presidente pretendia enviar ao Congresso Nacional um Projeto de Lei (PL), com pedido de urgência constitucional, para alterar a escala 6×1 até o dia 1º de maio.

No entanto, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, afirmou que a preferência é manter o tema em tramitação como Proposta de Emenda à Constituição (PEC), como já vinha sendo articulado.

“Durante o final de semana, eu expressei que nossa posição seria manter a tramitação da PEC. Eu penso que o governo compreendeu que esse seria o melhor caminho. E temos o compromisso de manter o calendário estabelecido”, disse o parlamentar em entrevista.

Economistas, por outro lado, destacam o tema da produtividade, que vem ganhando cada vez mais espaço nesse debate. Segundo eles, as discussões sobre ganhos vinculados ao nível de produção devem se intensificar, aliadas ao aumento da qualificação dos trabalhadores, à inovação e aos investimentos em infraestrutura e logística.

Enquanto trabalhadores defendem a redução da jornada como forma de equilibrar vida pessoal e profissional, representantes do setor empresarial alertam para possíveis impactos econômicos e produtivos da medida. Ao mesmo tempo, cresce o número de brasileiros favoráveis à diminuição da escala.

Nesse contexto, dados da Organização Internacional do Trabalho indicam que, entre 175 países analisados, o Brasil ocupa a 86ª posição no ranking de produtividade por hora trabalhada, logo à frente da China, que aparece na 87ª colocação.

O país está atrás de economias como Estados Unidos (12º), Alemanha (13º) e Reino Unido (22º), além de nações latino-americanas como Chile (53º), Argentina (55º), México (81º) e Cuba (82º).

Entre as críticas, está o empresário Paulo Skaf, que argumenta que a mudança pode gerar efeitos negativos no mercado de trabalho. Para ele, a redução da jornada sem ajustes estruturais tende a pressionar as empresas. “Aumenta o custo, sim; gera desemprego […] o país perde produtividade”, afirmou. A fala reflete a preocupação de setores industriais com o aumento de despesas operacionais em um cenário de crescimento econômico moderado.

O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci, também se posiciona contra a proposta. Segundo ele, o debate deve priorizar ganhos de eficiência antes de mudanças na carga horária. “Nenhuma nação foi capaz de enriquecer sem ganhos de produtividade”, disse.

O setor de serviços, especialmente bares e restaurantes, é um dos mais dependentes de jornadas flexíveis e funcionamento contínuo, o que torna a discussão ainda mais sensível.

Por outro lado, defensores do fim da escala 6×1 argumentam que jornadas mais curtas podem, inclusive, elevar a produtividade ao reduzir o desgaste físico e mental dos trabalhadores. Estudos internacionais e experiências em outros países indicam que a diminuição da carga horária pode resultar em maior engajamento e eficiência.


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