Futsal Feminino: mulheres de Rio Verde dão o exemplo e organizam o próprio campeonato
Redação DM
Publicado em 22 de outubro de 2015 às 00:18 | Atualizado há 11 anosA cidade de Rio Verde é parte do contexto Brasil e não foge da crise econômica imposta pelo sistema, com pouca produção e contenção de gastos. A Secretaria de Esportes também entrou nessa situação e diminuiu ou eliminou a realização dos campeonatos amadores da cidade. Não contente com a situação de paralisia do esporte as mulheres trataram de organizar o próprio campeonato de Futsal, dando exemplo de organização, competência, união e muita iniciativa. Juntaram alguns patrocinadores como Labordog, Corpus, Vita Suplementos e Kabedal Calçados e fizeram a tabela dos jogos. O primeiro campeonato foi disputado em Acreúna, e foi vencido pelo time do Fênix. O segundo evento foi organizado em Rio Verde e vencido pelo time do Magnus, que ainda teve a artilheira da competição, a goleira menos vazada, mostrando sua boa forma e união. O time coordenado pela técnica Bruna Rafaela contou com o reforço das jogadoras Patrícia e Yanna, ambas de Acreúna.
Praticar um esporte e mostrar competência tem sido o habito das meninas de Rio Verde, mesmo fugindo do preconceito de parecerem homens, como apregoam alguns despeitados do sistema machista. Treinar, jogar, se reunir e depois dos jogos fazer uma bela resenha tem sido a rotina das meninas que apostam no esporte da bola pesada. A Secretaria de Esportes está fazendo uma grande contenção de gastos em todas as modalidades, inclusive anulando o uso das quadras à noite, razão pela qual as meninas tomaram a iniciativa de organizar os próprios torneios e campeonatos. No dia 18 de outubro o campeonato foi realizado na quadra de esportes da praça do bairro Morada do Sol, contando com as equipes do Magnus, IF Goiano, Fênix e Jardim América, com todas as equipes jogando entre si no sistema de pontos corridos. No final da competição a equipe do Magnus ficou em primeiro lugar, seguido pelo Fênix, Jardim América e IF Goiano. Houve a entrega de premiações e as meninas deram um show de criatividade com a bola no pé e no comando do evento. Jogadoras como Karol Cruvinel (a Canhotinha de Ouro), Viviane (a Bailarina), Dyenne (a Marrenta), Patrícia, Yanna, Lorena Santos, Baiana (a Modelo), Tininha, Bruna, Luana desfilaram talento e bom preparo físico para correr em todos os cantos da quadra coberta. Venceram o calor e as adversidades!
No momento em que a própria competência da presidente do Brasil é colocada em dúvida, devido aos constantes escândalos políticos, as jovens de Rio Verde ressuscitam a credibilidade feminina comprovando que lugar de mulher pode ser numa quadra de esportes, palco de muitos gols e jogadas bonitas. Em Acreúna ou Rio Verde os torneios que se transformam em campeonatos contam com um bom público, a entrada é franca e o nível é elevado, motivando atletas da região e amantes da bola pesada. Correr, driblar, ter visão de jogo e realizar jogadas singulares são expedientes usados na quadra de tamanho não oficial. A amizade é multiplicada em cada jogo, pois as atletas são unidas em seus objetivos esportivos.
A jataiense Dyenne (também conhecida por Marrenta), jogou pelo time do Jardim América, fazendo lindos gols e as jogadas certeiras, seja um drible desconcertante ou um passe de 10 metros para a amiga Luana. Cada atleta conseguiu provar e comprovar suas habilidades, rolando a bola com muita arte, talento e beleza, mesmo as meninas tendo de jogar com o cabelo preso e sem outros adereços da beleza feminina. Em Rio Verde as mulheres resgatam a notória e bela imagem feminina, unindo a força dos músculos das pernas com a habilidade e visão periférica da espécie vencedora. A economia do Brasil passa por um momento crítico, mas isto não impede que as mulheres tenham vontade, iniciativa e união para fazer do esporte uma importante virtude social. Conservam a vaidade de tirar as fotos usando batom e mexem com a estrutura masculina, batendo recordes de aproveitamento nas bolas paradas ou em movimento. Lugar de mulher é no esporte, tanto na organização quanto na participação efetiva dos jogos. Não existe crise quando o ser humano é o maior diamante social lapidado pelas musas da bola pesada e amada. “‘Vai Lívia’ ou ‘Balança as redes, Karol, Canhotinha de Ouro’”, são alguns gritos de ordem das diretoras dos times. O Brasil tem jeito: mulheres no esporte da vida e na vida do esporte, tornando as tardes de domingo mais belas e variadas no Sudoeste Goiano.
(José Carlos Vieira, escritor, jornalista do Jornal Folha da Cidade, Rio Verde, E-mail [email protected])