Governador: crie a pasta do Agronegócio em Goiás
Redação DM
Publicado em 26 de fevereiro de 2018 às 22:04 | Atualizado há 8 anos
Sou testemunha dos esforços que o governador Marconi Perillo faz pelo desenvolvimento econômico, social e cultural de Goiás. Nas áreas básicas, como transportes, semeia asfalto quanto os agricultores liberam as sementes para a produção, justamente para facilitar o escoamento dos grãos e carnes. Na área de saúde, o Hugol é considerado excelência. Se o atendimento deixa a desejar, o SUS não é da competência do governo estadual. Na área de segurança pública, está fazendo o possível para atender a sociedade. É uma tarefa complexa porque envolve na raiz do problema outros fatores, como educação de berço, envolvendo um lar mais repleto de amor, emprego digno, melhor cidadania etc. Na área de cultura, o Centro Cultural Oscar Niemayer é um orgulho brasileiro.
Essas são as linhas gerais. Nenhum outro interesse me move, exceto o do bem-estar de todos. Além do mais, tenho primado em meus trabalhos jornalísticos pela isenção partidária, ideológica ou religiosa. Também não sou de puxar saco. Quem me conhece de perto, sabe disso. Mas, reconhecer o mérito e fazer justiça complementam minha atitude de cidadania.
No jornalismo, optei por defender o agro, inspirado em Joaquim Câmara Filho e nas necessidades dos produtores goianos, quando pertencia aos quadros de O Popular. Aliás, edito a página de agro no Diário da Manhã.
Minha vida profissional em resumo. Fui o segundo assessor de Imprensa da Federação da Agricultura do Estado de Goiás (Faeg) indicado pelo jornalista Domiciano de Faria ao então presidente Félix Eduardo Curado. O diretor de redação de O Popular me indicara para o seu lugar.
E na Faeg permaneci nas administrações de Ruy Brasil Cavalcanti Júnior, Paulo Seronni, Antônio Flávio Lima, João Bosco Umbelino dos Santos e Macel Félix Caixeta.
Acompanhei as posições corajosas da entidade, como a de Ruy Brasil defendendo os produtores, sobretudo na época os de arroz pelos baixos preços tabelados então pelos governos do regime militar.
Difundia todo esse material jornalístico através dos correspondentes dos grandes jornais do eixo Rio – Paulo então sediados em Goiânia. Entre eles, Reynaldo Rocha, do Jornal do Brasil; Javier Godinho, de O Globo; Walder de Góis, do Estadão; e agências de notícias.
Os militares não gostavam de críticas e no Estado o então presidente da Faeg, ainda na Rua 7, Centro, clamava pela liberação dos preços, o que era coerente com o sistema capitalista.
Noutras, as manifestações dos produtores na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Macel Caixeta, José Mário Schreiner, Ronaldo Caiado, entre outras lideranças, eram os grandes timoneiros no que fichou conhecido por “Caminhonaço” ou “Tratoraço”.
Noutras oportunidades, passei pela Acar, logo depois transformada em Emater (deixara de ser uma associação para se transformar numa empresa).
Pelo meu trabalho, tive o reconhecimento na Embrater (fechada posteriormente pelo governo Collor) e percorri o Brasil de Norte a Sul, de Leste a Oeste, percorrendo a Amazônia Brasileira, os sertões e as fronteiras do Rio Grande do Sul, para divulgar o seu trabalho.
Afinal, os produtores rurais estão em todo lugar. E sofrendo as adversidades climáticas, da infra-estrutura nos transportes, do crédito que falta ou vem tardio. Viajei pelo mundo acompanhando produtores em busca de novos conhecimentos na área da produção, dos transportes, da comercialização, da agregação de valores e também das exportações, novos mercados etc.
Não sei se precisava dessa apresentação toda. Mas, se escrevi, é porque achei que sim. Não quero que levante dúvidas sobre a minha conduta.
Venho propor ao senhor governador do Estado, Marconi Perillo, a criação da pasta do Agronegócio. Será um feito inédito no Brasil e, talvez, no mundo. À nova secretaria seriam agregadas a Emater, a Ceasa e a Agrodefesa.
Seria de sua incumbência o fomento do desenvolvimento agropecuário, numa relação mais estreita com os produtores; fomento do cooperativismo e mais ações associativistas; desenvolvimento da pesquisa em nível mais estreito com o produtor; extensão rural; aperfeiçoamento profissional, através de cursos, para que a família acompanhe as evoluções tecnológicas; difusão da energia solar, para obter mais conforto e maior desempenho econômico de sua atividade. Projeto de irrigação e meio ambiente. A questão ambiental deve merecer maior atenção porque o mercado começa a exigir mais rigor nesse sentido. Os abates humanitários também exigem atenção.
Afinal, aquele trabalho pioneiro das representações dos produtores, como Faeg, SGPA, OCB-GO, sindicatos rurais, associações de classe, resultou na pujança que é hoje o Estado de Goiás. Nada foi por acaso. Graças àquela luta corajosa de Ruy Brasil, o tabelamento de preços dos grãos, carnes, frutas e hortaliças caiu. Vale hoje a lei e da procura. E nem poderia ser diferente porque vivemos num país capitalista.
A Emater, por sua vez, fez com que os produtores, sobretudo os pequenos, aprendessem o dever de casa.
A entidade se faz presente hoje em todos os municípios. A pesquisa agronômica introduzida na atividade agropecuária. A Emgopa foi acoplada à Emater e hoje Goiás produz com crescentes índices de produtividade em razão da pesquisa.
O consumidor está cada vez mais exigente e cobra produtos de qualidade. A questão sanitária começou a pesar.
Por esforços de instituições privadas como o Fundepec (Fundo de Desenvolvimento da Pecuária).
A questão sanitária, que causava tanta preocupação, foi sanada com a entrada no circuito da Agrodefesa (Agência Goiana de Defesa Agropecuária).
Hoje, a instituição é presidida por um próprio produtor, que reconhece a importância da qualidade dos alimentos.
E, portanto, está de cima de toda a cadeia produtiva. Os produtos de Goiás são consumidos nos mercados interno e externo sem riscos.
Cursando cooperativismo agrícola em Israel, visitei kibutz e moshaves, experiências agrícolas coletivistas e privadas daquele país.
Percebi a importância vital da água nas lavouras e no consumo humano. Não há desperdício. Por isso, o sistema adotado é o de gotejo.
Para conter eventuais danos causados aos equipamentos em atuações terroristas, os israelenses criaram sistemas de controle remoto.
Mas, voltando para Goiás, dotado de grandes reservas de água, clima e terra favoráveis para o plantio, deu-se um salto na utilização da irrigação, na década passada. A estimativa oficial é de que haja sete mil empreendimentos com alguma modalidade de irrigação no Estado.
As principais são pivô central – predominante – aspersão convencional, micro-aspersão, gotejamento, irrigação por sulco, inundação. Segundo especialistas, com um pivô central, é possível irrigar área média de 70 hectares. Daí a preferência goiana, o que auxilia no desenvolvimento de commodities como milho e soja.
Em Goiás, nove cidades que concentram a maior parte dos produtores irrigantes: Campo Alegre, Cristalina, Ipameri, Itaberaí, Palmeiras de Goiás, Morrinhos, Silvânia, Vianópolis e Paraúna.
Até a última safra, cerca de 300 mil hectares foram irrigados com pivô central. Como em Goiás é proibido o plantio da soja dos meses de junho a setembro, devido ao vazio sanitário, a irrigação tornou-se solução para não deixar a terra ociosa, além de gerar e proporcionar a manutenção de empregos.
As principais culturas favorecidas são feijão, tomate, milho, batata inglesa, cebola, alho, cenoura e trigo. Cada 20 hectares irrigados produzem um emprego, ou seja, ao todo são 17,5 mil vagas criadas diretamente e 86 mil indiretamente.
Com a alta de 0,8% no PIB, Goiás movimentou R$ 186,13 bilhões em 2017, segundo o IMB/Segplan. Em 2015, a economia de Goiás movimentou R$ 173,63 bilhões, valor R$ 8,62 bilhões acima do registrado no ano anterior (R$ 165,01 bilhões).
A renda per capita dos goianos chegou a R$ 26.265,32, com crescimento de 3,83%, embora naquele ano a crise econômica tenha chegado ao seu momento mais agudo, fazendo com que todas as Unidades da Federação tivessem taxas negativas do Produto Interno Bruto (PIB).
O próprio Banco Central, reunido à semana passada em Belém (PA), forneceu em seu boletim informativo a importância da atividade agropecuária para o Estado e todo o Centro-Oeste. E suas considerações foram altamente positivas para os goianos.
Não tenho dúvida, senhor Governador, a pasta do Agronegócio será um fato novo. E bem vinda à cadeia produtiva da atividade agropecuária.
(Wandell Seixas, jornalista voltado para o agro, bacharel em Direito e Economia pela PUC-Goiás, ex-bolsista em cooperativismo agropecuário pela Histradut, em Tel Aviv, Israel, e autor do livro O Agronegócio passa pelo Centro-Oeste)