Investigação expõe como o PCC usava negócios de fachada e lavou 50 bilhões
DM Redação
Publicado em 26 de setembro de 2025 às 09:38 | Atualizado há 9 meses
O avanço de uma nova fase das apurações contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) revelou uma engrenagem sofisticada de lavagem de dinheiro que operava em setores aparentemente legítimos da economia. Postos de combustíveis, redes de motéis, franquias comerciais e até jogos de azar serviam como disfarce para movimentações bilionárias do crime organizado.
Batizada de Operação Spare, a ação é resultado de um desdobramento da Carbono Oculto, que já havia mostrado como a facção se infiltrou em atividades empresariais para mascarar lucros obtidos com o tráfico e outras práticas criminosas.
De acordo com os investigadores, apenas uma parte dos postos investigados registrou R$ 4,5 bilhões em transações entre 2020 e 2024, mas recolheu em impostos menos de 0,1% desse valor. A discrepância chamou a atenção e levou ao cumprimento de mandados de busca e apreensão em cidades como São Paulo, Santo André, Osasco, Barueri, Bertioga e Campos do Jordão.
Durante a ofensiva, foram apreendidos documentos, celulares, dinheiro vivo e veículos de alto valor. O material deve servir para aprofundar o rastreamento dos bens ligados à facção.
A investigação aponta ainda que máquinas de cartão associadas a empresas de fachada eram usadas para simular vendas fictícias, prática que dava aparência de legalidade a recursos ilícitos. O mesmo expediente teria sido empregado em franquias e empreendimentos imobiliários, ampliando o alcance da rede de lavagem.
Segundo o Ministério Público, o patrimônio já identificado corresponde a apenas uma fração do real. Estima-se que o PCC tenha movimentado mais de R$ 50 bilhões em esquemas semelhantes em todo o país, consolidando uma estrutura paralela que combina a força do crime organizado com a aparência de grandes grupos empresariais.