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LOGAN

Redação DM

Publicado em 4 de março de 2017 às 03:10 | Atualizado há 1 ano

Filmes de super-heróis começaram a se consolidar em Hollywood em 2000 quando X-Men – O Filme impulsionou a indústria a investir no formato. Desde então, não só a escala de produção aumentou, como o gênero tornou-se o mais lucrativo do mercado cinematográfico atualmente. E como tudo que é feito aos baldes tende a cair no genérico, é sempre gratificante quando um diretor busca fugir da fórmula padrão e criar um filme com DNA próprio.

Logan, felizmente, acerta no tom, no ritmo e na escala, e foge da grandiloquência habitual das super produções de Hollywood. O diretor James Mangold junto com os roteiristas Scott Frank e Michael Green, com a ajuda de Hugh Jackman, deixam de lado os efeitos especiais típicos dos demais filmes dos X-Men e toda a demonstração de poder dos mutantes, para desenvolver um filme que vai se preocupar com o núcleo de seus personagens, e em aprofundar nos dilemas de Logan. Portanto, Wolverine torna-se a máscara fantasiosa por trás do homem.

A história se passa no futuro, no ano de 2029. Os X-Men não existem mais, há poucos mutantes no mundo, Logan vive uma vida rotineira trabalhando como motorista de limousine e cuidando do professor Xavier, nonagenário com demência mental cujo cérebro é considerado uma arma de destruição em massa. Tudo muda quando Logan é forçado pelas circunstâncias a fugir com o professor e uma garota misteriosa e mutante chamada Laura Kinney (Dafne Keen). Com os mesmos poderes de Logan, Laura está sendo procurada por um mercenário chamado Donald Pierce (Boyd Holbrook), e o trio cruza os EUA com o objetivo de chegar em um lugar chamado Éden, onde se acredita que os mutantes vivem em paz e seguros.

6-1

Como o próprio Hugh Jackman vêm falando incessantemente em todas as entrevistas de divulgação do filme, Logan está longe de ser uma obra de super-herói para vender bonecos. Ao afirmar que este é o seu último longa na pele do mutante com garras, Jackman ressalta a importância da história e os motivos pessoais que o levaram a se despedir do personagem. Logan fala muito de família, do peso do envelhecimento e da importância de se envolver e de confiar naqueles que amamos. Felizmente, o filme foge do sentimentalismo barato, e James Mangold desenvolve com sobriedade, e maturidade, o relacionamento entre Xavier, Laura e Logan.

Este é o primeiro filme do Wolverine com classificação 16 anos no Brasil e R nos EUA – equivalente a 18 anos. Era o sonho dos fãs assistir na tela grande um filme do mutante cheio de violência e sangue jorrando. Tais características por si só poderiam prejudicar o longa se caso o roteiro não fosse bem trabalhado. Ser violento por ser violento não ajudaria em nada. Mas Logan é centrado em sua história, a conta com habilidade e emoção, e a violência nunca soa gratuita. Pelo contrário, ela não acontece desordenadamente e sem razão, e quando acontece é puro deleite ver o personagem em sua raiz animal e selvagem, enfiando a garra com vontade e exercendo toda sua fúria completamente sem amarras, como só um filme para maiores pode proporcionar.

Logan vai além do filme de super-herói. É um road movie, um western e um drama familiar que possui super-heróis no pacote, e tudo isso mesclado de um jeito inesquecível e tocante. Ainda bem que a despedida de Hugh Jackman como Wolverine foi em alto nível. Aqui, nosso coração é fisgado e levado de um extremo a outro, não somente por ser uma obra adulta e pessoal, mas em ver que após 17 anos de entrega e dedicação ao personagem, Jackman dá o seu adeus. O coração bate forte, as lágrimas rolam no rosto, porém, a despedida tem o seu lado gratificante: o de saber que, ao menos, o adeus aconteceu em um filmaço! Finalmente!

 

(Matthew Vilela, comentarista de cinema no “Blog do Matthew”)


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