Ministros do STF Gilmar Mendes, Moraes e Toffoli teriam usado jatos de Daniel Vorcaro
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 9 de abril de 2026 às 16:20 | Atualizado há 3 meses
Ministros do STF teriam usado jatos de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em 2025 | Foto: Brenno Carvalho/ O Globo
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes pegou carona em um avião da Prime Aviation, empresa da qual o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, era sócio. O voo foi oferecido ao magistrado pelo maior acionista da Marfrig Global Foods (MBRF), Marcos Molina, empresa dona de marcas como Sadia e Perdigão.
O jatinho levou Gilmar Mendes de Diamantino (MT), sua cidade natal, para Brasília, no dia 1º de janeiro de 2025. Ele havia ido ao município para a posse do seu irmão, Chico Mendes, como prefeito.
As informações foram inicialmente reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmadas pela Folha de S.Paulo. Procurado pela reportagem, o ministro ainda não respondeu. Ele afirmou ao O Estado de S. Paulo que não sabia das relações de Daniel Vorcaro com a Prime Aviation. A MBRF confirmou a viagem e disse que Marcos Molina detém uma das cotas do avião PT-PVH, utilizado na viagem.
A Prime Aviation não divulga “dados sobre os usuários das aeronaves do seu portfólio, sejam eles cotistas, seus convidados ou clientes de fretamento do serviço de táxi aéreo”. Vorcaro era dono de parte da Prime Aviation por meio do fundo patrimonial Blue. A empresa é proprietária, entre outros bens, da mansão que o ex-banqueiro utilizava em Brasília.
Relações de outros ministros e movimentações no aeroporto
O veículo também revelou que dois ministros do STF ligados ao banco, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, usaram aviões da Prime para deslocamentos em 2025.
Para chegar a essas informações, a reportagem cruzou dados de embarques no terminal executivo do Aeroporto de Brasília com as decolagens realizadas e os nomes dos proprietários dos jatos. Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci, foram registrados pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) como passageiros do hangar de jatos executivos de Brasília oito vezes. Na sequência, houve decolagens de aviões da Prime Aviation.
O escritório de Viviane Barci, o Barci de Moraes Sociedade de Advogados, recebeu R$ 80 milhões em dois anos do Banco Master, segundo documentos enviados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado que investiga o crime organizado.
Já Dias Toffoli entrou no terminal executivo do Aeroporto de Brasília às 10h de 4 de julho. Um avião da Prime Aviation decolou às 10h10 com destino a Marília (SP), cidade natal do ministro, de acordo com dados do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA).
Naquele mesmo dia, seguranças doTribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo foram deslocados para Ribeirão Claro (PR), município onde fica o resort Tayayá, frequentado por Toffoli, que fica a 150 km de Marília. Toffoli e o cunhado de Daniel Vorcaro, o empresário Fabiano Zettel, que seria operador financeiro do banqueiro, foram sócios no Tayayá até o ano passado.
O ministro Dias Toffoli, relator original do inquérito que apura fraudes do Banco Master, se afastou do caso após a Polícia Federal indicar pagamentos a uma empresa ligada a ele. Segundo Toffoli, tais pagamentos teriam relação com a venda de participação no Tayayá.
(Lucas Marchesini/Folhapress)