Morre de Covid-19 Antônio Almeida, principal editor de livros de Goiás
Redação DM
Publicado em 20 de agosto de 2020 às 19:30 | Atualizado há 6 anos
A cultura goiana está completamente de luto: faleceu nesta sexta-feira, 21, o editor Antônio Almeida, proprietário da Editora Kelps, responsável por editar obras seminais da cultura e história goiana.
Antônio estava internado e enfrentava um câncer na coluna. O editor era vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (FIEG) e apresentava uma postura crítica quanto a reabertura do comércio e fim da quarentena, já que reconhecia a gravidade da doença.
Seu relacionamento com os escritores era orgânico e feliz. Atendia aos intelectuais de universidades, pintores, poetas, sociólogos, romancistas, cronistas, jornalistas, etc. Estava sempre pronto para debater o tamanho da fonte, as ilustrações e tiragens. Era perfeccionista com a edição e costumava chamara a atenção tanto de revisores quanto de escritores quando encontrava um erro. Adorava ajudar a escolher as imagens da capa, quando era consultado.
Seus livros na última década conquistaram excelência gráfica, o que nem sempre era visível nas primeiras publicações.
De acordo com o poeta e jornalista Ulisses Aesse, presidente do Clube dos Repórteres Políticos de Goiás (CRPG), a perda de Almeida abala a cultura goiana, já que ele dava visibilidade para tudo que era produzido no Estado: “É uma notícia péssima para quem gosta de cultura, pois ele, o Antônio, lutava por isso. Essa era sua luta diária, dar dignidade e espalhar cultura pelo Estado. A Kelps é uma janela de Goiás para o mundo”.
O historiador e jornalista Gercyley Batista, que já publicou livros com Antônio, diz que Goiás perdeu seu maior ‘publisher’, quem realmente fazia as coisas acontecerem: “Uma perda lamentável. Essa doença é muito traiçoeira”.
O jornalista Nilson Gomes aposta: “Seguramente ele é a pessoa que mais fez livros no Brasil em todos os tempos”.
KELPS
A sede da Editora Kelps está localizada em uma rua tranquila no charmoso bairro Fama, em Goiânia, onde a entrada apresenta – em estratégicas prateleiras – as obras que Almeida entendia formar um corpo seminal para entender Goiás e o Brasil. Ao lado da Editora da UnB, a Kelps é a editora que melhor registrou a construção de Brasília.
Almeida abriu espaço para inúmeras coleções, como a Prosa e Verso, da Prefeitura de Goiânia, além de publicar obras premiadas no país, casos de teses de doutorado e dissertações de mestrado.
Levou sua editora para as feiras literárias mais importantes do mundo. E atuou junto às associações e bibliotecas para doar livros. Brigou com a digitalização e em todos debates procurava mostrar a diferença que existe em folhear um livro, sentir o cheiro da página e guardar sempre próximo.