Brasil

Novos contágios ascendem idéia de que Covid-19 será endêmica

Redação DM

Publicado em 17 de junho de 2020 às 17:31 | Atualizado há 6 anos

Novos casos do Sars-CoV-2 confirmados na China e na Nova Zelândia, após períodos consideráveis sem registros da doença, demostram que não há como se livrar do vírus e alimentam a tendência de que a Covid-19 se tornará endêmica. No caso do país asiático, foram identificados 27 novos casos ontem em Pequim, e mais de uma centena de contaminados na capital desde o último dia 12.

Endemia se caracteriza quando o vírus não se dissipa totalmente, e a doença acaba se manifestando com frequência em determinadas regiões, geralmente causada por circunstâncias ou causas locais. Por exemplo, os tipos de influenza A e B são considerados endêmicos no Brasil. A Organização Mundial da Saúde ( OMS), informou que há probabilidades consistentes de que o novo coronavírus entre nesse rol.

Xu Ying, funcionário do comitê municipal do Partido Comunista da China em Pequim, chamou a operação de “batalha contra a doença”. Com mais de 21 milhões de habitantes, Pequim iniciou uma operação que envolve cerca de 100 mil trabalhadores que devem destrinchar as mais de sete mil comunidades residenciais e vilarejos da cidade.

“O risco de propagação da epidemia é muito alto, por isso devemos tomar medidas resolutas e decisivas”, destacou Xu Hejian, porta-voz do governo da cidade de Pequim, conforme publicado na mídia estatal. No último domingo, Hejian disse que Pequim entrou em “um período extraordinário”.

Para Wu Zunyou, epidemiologista chefe do Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças,”a cepa deste vírus [encontrado em Pequim] indica claramente que é diferente da que foi encontrada aqui dois meses atrás. Ela veio de fora da China”, argumentou.

O diretor executivo do Programa de Emergência em Saúde da OMS, Michael Ryan, em entrevista coletiva na última segunda-feira (15), destacou
que “a OMS está trabalhando muito perto com as autoridades chinesas para entender quais são exatamente os riscos [da nova onda de contágio] e qualquer orientação internacional será feita em conformidade [com a China]”, destacou.

A organização informou ainda que vários epidemiologistas têm trabalhado com os chineses no escritório da OMS em Pequim, citando cooperação com o Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças. “Precisamos entender o que realmente aconteceu e as circunstâncias antes de elaborar políticas importantes sobre isso”.

A Nova Zelândia, considerada como exemplo nas políticas públicas que supremiram pandemia, passa por situação semelhante à chinesa, embora em menor escala. Dois casos foram confirmados nesta semana, e as autoridades entraram em alerta após 25 dias sem detectar novas infecções do coronavírus.

Os casos são de duas mulheres entre 30 e 49 anos, da mesma família, que conseguiram uma permissão para viajar do Reino Unido e comparecer ao funeral de um parente na Nova Zelândia. Havia um planejamento rigoroso para atender o que o governo local chama de ” isenções por compaixão”, e que foi seguido à risca pelas pacientes Agora, no entanto, o ministério da Saúde local vai rever essa política.

“Temos grande empatia pelas famílias que lidam com o luto, embora as notícias mostrem a importância da decisão recente de não conceder isenções para comparecer a funerais ou tangihanga [ritual funerário tradicional maori], afirmou em nota o ministro David Clark.

Com os dois casos, o país registra hoje 1.156 casos confirmados e 22 vítimas da Covid-19. No momento nenhum cidadão passa por tratamento no país por causa do vírus.

*Com informações do Uol

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