Obrigada por tudo!
Redação DM
Publicado em 24 de julho de 2020 às 20:12 | Atualizado há 2 anos

Na infância, tive a oportunidade de conviver muito com eles e até com a bisavó dessa minha querida amiga. Eles passavam tardes inteiras cuidando de nós. E éramos nós que dávamos um trabalho danado!
Não era qualquer comida que agradava o paladar de criança mimada que tínhamos. Mesmo assim, eles se esforçavam para fazer lanches deliciosos!
“Meninas, vocês não têm tarefa?”, perguntavam-nos com uma doçura que certamente nossos pais não teriam para ordenar que fôssemos fazer nossas atividades escolares.
Assistiam ao que queríamos ver na TV. Isso quando não estávamos no computador e eles se privavam de um momento de lazer para ficarem ali ao lado, apenas olhando.
Às vezes, nos flagravam ao telefone, dando trote em desconhecidos, e, sem sequer entregar nossas artimanhas aos nossos pais, no máximo diziam “Isso é feio, meninas…”.
Embora nessa época eles já tivessem seus sessenta e poucos anos, eles tinham muito pique para as nossas brincadeiras. E força! Vira e mexe estávamos penduradas no avô da minha amiga. Achávamos o máximo ver o mundo de ponta-cabeça!
Faziam tudo isso com muito amor! Falo isso porquê nem neta deles eu sou e até hoje lembro do zelo que tiveram comigo.
Além das memórias gostosas, a conversa com a minha amiga me fez ver que não temos dedicado a mesma paciência e amor àqueles que foram tão pacientes conosco lá atrás.
Podia ter sido só mais uma conversa, mas foi uma lição de empatia e amor, de gratidão e reconhecimento, de paciência e compreensão.
Envelhecer que não é fácil! Não obstante não requeira nenhum esforço, a dificuldade está na falta de preparo que nós, mais jovens, temos para fazer o que eles tão primorosamente fizeram por nós.
Obrigada por tudo, Seu Caramuru, Dona Maria Helena e Bisa Irene!
Mariana Gundim é advogada e idealizadora do perfil no Instagram @artigo226
Mariana Gundim
Numa conversa, como outra qualquer, uma amiga comentou que sua avó perguntara por mim. Logo demonstrei a minha felicidade por ter sido lembrada e, animada, quis saber como seus avós estavam.
Ela me respondeu que estava tudo bem, mas, com menos entusiasmo, completou: “só meu avô que dá mais trabalho”.
A princípio, compreendi, como quem sabe que lidar com idosos não é uma tarefa fácil, mas não hesitei em dar-lhe um puxão de orelha (válido para mim também!) porque ela é apaixonada pelos avós.

Na infância, tive a oportunidade de conviver muito com eles e até com a bisavó dessa minha querida amiga. Eles passavam tardes inteiras cuidando de nós. E éramos nós que dávamos um trabalho danado!
Não era qualquer comida que agradava o paladar de criança mimada que tínhamos. Mesmo assim, eles se esforçavam para fazer lanches deliciosos!
“Meninas, vocês não têm tarefa?”, perguntavam-nos com uma doçura que certamente nossos pais não teriam para ordenar que fôssemos fazer nossas atividades escolares.
Assistiam ao que queríamos ver na TV. Isso quando não estávamos no computador e eles se privavam de um momento de lazer para ficarem ali ao lado, apenas olhando.
Às vezes, nos flagravam ao telefone, dando trote em desconhecidos, e, sem sequer entregar nossas artimanhas aos nossos pais, no máximo diziam “Isso é feio, meninas…”.
Embora nessa época eles já tivessem seus sessenta e poucos anos, eles tinham muito pique para as nossas brincadeiras. E força! Vira e mexe estávamos penduradas no avô da minha amiga. Achávamos o máximo ver o mundo de ponta-cabeça!
Faziam tudo isso com muito amor! Falo isso porquê nem neta deles eu sou e até hoje lembro do zelo que tiveram comigo.
Além das memórias gostosas, a conversa com a minha amiga me fez ver que não temos dedicado a mesma paciência e amor àqueles que foram tão pacientes conosco lá atrás.
Podia ter sido só mais uma conversa, mas foi uma lição de empatia e amor, de gratidão e reconhecimento, de paciência e compreensão.
Envelhecer que não é fácil! Não obstante não requeira nenhum esforço, a dificuldade está na falta de preparo que nós, mais jovens, temos para fazer o que eles tão primorosamente fizeram por nós.
Obrigada por tudo, Seu Caramuru, Dona Maria Helena e Bisa Irene!
Mariana Gundim é advogada e idealizadora do perfil no Instagram @artigo226