Os 520 anos da inclusão do Brasil na história
Redação DM
Publicado em 22 de abril de 2020 às 19:11 | Atualizado há 2 anos

As origens da corrupção no Brasil
Tendo como destino a Índia as armadas de Cabral tocaram a costa brasileira por um desvio de rota, embora acredite-se que Portugal já suspeitasse da existência de terras na região conforme relatou a historiadora Lívia Cristina Dias ao DM “os portugueses sabiam que estavam vindo para essa direção onde se encontra o Brasil, claro que não sabiam da dimensão das terras que encontrariam mas sabiam da existência de terras por aqui”.
Para Lívia, licenciada em História pela Universidade Estadual de Goiás (UEG), os motivos da invasão das terras brasileiras pelos portugueses são bem maiores que um erro de percurso “são motivos de dominação, de desenvolvimento econômico e de poder hegemônico de navegação e produtos de matéria prima que foram fortemente comercializados na época”, argumenta.
De acordo com ela a mentalidade referente ao conceito de descobrimento e invasão foi mudada pela Academia através de bastante estudo e análise “a bibliografia referente a esse conceito foi fazendo com que os livros didáticos também mudassem trazendo essa nova perspectiva”.
A chegada dos portugueses em 1500 representa para o Brasil um longo período de exploração, proibições, escravidão e corrupção, advinda dos tempos coloniais e também do Império. “Fatos estes, que deturparam a política e economia brasileira, o que não significa que devemos ficar presos somente a essa ideia de que a culpa do nosso país ser um dos mais corruptos e mais desigual do mundo seja unicamente dos portugueses”, esclarece.
“Os governos brasileiros desde a Proclamação da República em 1889 não demonstram interesse em reverter a situação de miséria, visto os gastos em infraestrutura, saúde, educação e saneamento que sempre foram muito aquém da necessidade da população”, pontua Lívia.
Outros jeitos de contar a história
Durante muito tempo a perspectiva histórica adotada foi a eurocêntrica, entretanto é importante revisitar a história de um ponto de vista diferente “os historiadores brasileiros já fazem isso muito bem. Dentro das Universidades é estudado uma bibliografia diversificada com diferentes perspectivas não somente a eurocêntrica ou a estadunidense”, defende a historiadora.
Para ela, essa é uma forma de acessar o conhecimento de todo o processo histórico a ser estudado e não somente limitado ao lado vencedor ou conquistador, no caso do “descobrimento” do Brasil esse conceito já está sendo modificado, “a análise histórica tem que ser pautada por constantes estudos de diferentes visões para se chegar em um conhecimento mais honesto, daí a importância de se revisitar a história constantemente”, diz.
O filósofo e linguista Todorov, autor da obra A Conquista da América – a questão do outro, defende que a invasão e colonização dos povos americanos resultou em um genocídio indígena de proporções maiores que o Holocausto. De fato, os indígenas apesar de serem personagens importantes da história do continente, são personagens invisíveis de acordo com Lívia Cristina.

Segundo ela importância histórica e de preservação dos povos indígenas nunca foi levada com seriedade “o genocídio da população indígena bem como o genocídio cultural que esses povos sofreram é de uma proporção gigantesca e monstruosa”. Em alguns países do continente americano os índios foram praticamente extintos e outros milhões foram exterminados durante o processo de conquista e desbravamento das terras americanas.
“A demarcação de terras em tese deveria ser assegurada, protegida para impedir a continuidade do genocídio indígena, mas infelizmente, não é isso que acontece. A causa indígena sempre esteve fora das pautas governamentais” destaca, “não vejo que ela atue como reparação histórica visto que ela não é levada a sério pelas autoridades governamentais, pelo contrário, o que se vê são muitas invasões de terras indígenas por grileiros e fazendeiros onde muitos índios são assassinados e não tendo a punição necessária para esses crimes praticados contra essa comunidade”, finaliza.
Na tarde de quarta-feira do dia 22 de abril de 1500, ancoravam no Brasil, ao sul do atual litoral baiano as caravelas portuguesas lideradas por Pedro Álvares Cabral. A bordo da expedição que culminou na tomada de posse das terras brasileiras pelo reino de Portugal também se encontrava presente o navegador português Bartolomeu Dias e cerca de outros 1,5 mil homens divididos em 13 embarcações.
O chamado descobrimento do Brasil aconteceu no período das grandes navegações, época em que Portugal e Espanha exploravam o oceano em busca de novas terras. Cristóvão Colombo havia chegado à América um pouco antes disso em 1492. A partida da expedição de Cabral que chegou ao Brasil foi adiada para 9 de março de 1500, devido ao mau tempo, um dia depois do dia programado.
Os índios já habitavam o território quando os portugueses chegaram no dia 22 de abril de 1500 há exatos 520 anos atrás. Estima-se que havia entre 500 mil e um milhão de indígenas no litoral brasileiro. A data, no entanto, representa oficialmente além da tomada de posse das terras brasileiras pelo reino de Portugal, o momento de inclusão do Brasil na história universal.
Há relatos de que quando os portugueses desembarcaram, os índios os recepcionaram com dança. Pero Vaz de Caminha, um dos escrivães da frota, os descreveu na Carta do Achamento do Brasil. Não houve ataques por partes dos nativos que habitavam as terras exploradas pelos navegantes que permaneceram até o dia 2 de maio e depois seguiram em direção à Índia.

As origens da corrupção no Brasil
Tendo como destino a Índia as armadas de Cabral tocaram a costa brasileira por um desvio de rota, embora acredite-se que Portugal já suspeitasse da existência de terras na região conforme relatou a historiadora Lívia Cristina Dias ao DM “os portugueses sabiam que estavam vindo para essa direção onde se encontra o Brasil, claro que não sabiam da dimensão das terras que encontrariam mas sabiam da existência de terras por aqui”.
Para Lívia, licenciada em História pela Universidade Estadual de Goiás (UEG), os motivos da invasão das terras brasileiras pelos portugueses são bem maiores que um erro de percurso “são motivos de dominação, de desenvolvimento econômico e de poder hegemônico de navegação e produtos de matéria prima que foram fortemente comercializados na época”, argumenta.
De acordo com ela a mentalidade referente ao conceito de descobrimento e invasão foi mudada pela Academia através de bastante estudo e análise “a bibliografia referente a esse conceito foi fazendo com que os livros didáticos também mudassem trazendo essa nova perspectiva”.
A chegada dos portugueses em 1500 representa para o Brasil um longo período de exploração, proibições, escravidão e corrupção, advinda dos tempos coloniais e também do Império. “Fatos estes, que deturparam a política e economia brasileira, o que não significa que devemos ficar presos somente a essa ideia de que a culpa do nosso país ser um dos mais corruptos e mais desigual do mundo seja unicamente dos portugueses”, esclarece.
“Os governos brasileiros desde a Proclamação da República em 1889 não demonstram interesse em reverter a situação de miséria, visto os gastos em infraestrutura, saúde, educação e saneamento que sempre foram muito aquém da necessidade da população”, pontua Lívia.
Outros jeitos de contar a história
Durante muito tempo a perspectiva histórica adotada foi a eurocêntrica, entretanto é importante revisitar a história de um ponto de vista diferente “os historiadores brasileiros já fazem isso muito bem. Dentro das Universidades é estudado uma bibliografia diversificada com diferentes perspectivas não somente a eurocêntrica ou a estadunidense”, defende a historiadora.
Para ela, essa é uma forma de acessar o conhecimento de todo o processo histórico a ser estudado e não somente limitado ao lado vencedor ou conquistador, no caso do “descobrimento” do Brasil esse conceito já está sendo modificado, “a análise histórica tem que ser pautada por constantes estudos de diferentes visões para se chegar em um conhecimento mais honesto, daí a importância de se revisitar a história constantemente”, diz.
O filósofo e linguista Todorov, autor da obra A Conquista da América – a questão do outro, defende que a invasão e colonização dos povos americanos resultou em um genocídio indígena de proporções maiores que o Holocausto. De fato, os indígenas apesar de serem personagens importantes da história do continente, são personagens invisíveis de acordo com Lívia Cristina.

Segundo ela importância histórica e de preservação dos povos indígenas nunca foi levada com seriedade “o genocídio da população indígena bem como o genocídio cultural que esses povos sofreram é de uma proporção gigantesca e monstruosa”. Em alguns países do continente americano os índios foram praticamente extintos e outros milhões foram exterminados durante o processo de conquista e desbravamento das terras americanas.
“A demarcação de terras em tese deveria ser assegurada, protegida para impedir a continuidade do genocídio indígena, mas infelizmente, não é isso que acontece. A causa indígena sempre esteve fora das pautas governamentais” destaca, “não vejo que ela atue como reparação histórica visto que ela não é levada a sério pelas autoridades governamentais, pelo contrário, o que se vê são muitas invasões de terras indígenas por grileiros e fazendeiros onde muitos índios são assassinados e não tendo a punição necessária para esses crimes praticados contra essa comunidade”, finaliza.