Trump ameaça ofensiva terrestre contra cartéis no México após ação dos EUA na Venezuela
Léo Carvalho
Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 09:32 | Atualizado há 6 meses
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o país pode iniciar ataques em terra contra cartéis de drogas no México | Foto: Alex Brandon/AP
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que seu governo pretende ampliar a ofensiva contra o narcotráfico com ações em terra direcionadas a cartéis de drogas no México. A fala foi feita durante entrevista nesta semana e ocorre em um contexto de intensificação da política externa norte-americana na América Latina.
Segundo Trump, operações navais conduzidas pelos Estados Unidos teriam reduzido significativamente a entrada de drogas por rotas marítimas, o que justificaria, na avaliação do presidente, uma mudança de estratégia para ações em território continental. Ele afirmou que organizações criminosas exercem forte influência em áreas do México, mas não apresentou detalhes sobre cronograma, alvos ou formato das eventuais operações terrestres.
Defesa mexicana
A declaração gerou reação imediata do governo mexicano. A presidente Claudia Sheinbaum reiterou que o país rejeita qualquer tipo de intervenção militar estrangeira e que a soberania nacional não está em negociação. O governo do México reforçou que cooperação em segurança pública deve ocorrer por meio de mecanismos bilaterais e dentro dos limites constitucionais, sem presença de tropas estrangeiras em solo mexicano.
Especialistas em direito internacional apontam que ações militares em território de outro país sem autorização formal configuram violação do princípio da soberania nacional. Até o momento, não há indicação de consentimento do governo mexicano nem autorização explícita do Congresso dos Estados Unidos para uma operação desse tipo.
Venezuela atacada
O anúncio ocorre poucos dias após uma ação militar dos Estados Unidos na Venezuela. Na operação, forças norte-americanas atuaram para capturar o presidente venezuelano Nicolás Maduro, que foi levado aos Estados Unidos sob acusações relacionadas ao narcotráfico. A ação provocou reações críticas de governos pelo o mundo e discussões sobre os limites legais das intervenções militares unilaterais.
No próprio Congresso norte-americano, a ofensiva na Venezuela e as declarações sobre o México estimularam parlamentares a defender projetos para restringir o poder do Executivo em autorizar operações militares no exterior sem aval legislativo. O debate envolve preocupações com precedentes diplomáticos, estabilidade regional e riscos de escalada de conflitos.
A possibilidade de uma ofensiva terrestre no México amplia a tensão entre Washington e seus vizinhos latino-americanos e reforça um cenário de incerteza na política regional. Governos do mundo inteiro acompanham os desdobramentos, enquanto analistas avaliam que o combate ao narcotráfico envolve desafios que extrapolam soluções militares e exigem cooperação institucional, judicial e social entre os países.