Brasil

Um Oriente Próximo, mas ainda distante

Redação DM

Publicado em 23 de agosto de 2021 às 21:05 | Atualizado há 5 anos

Tem sido comum acompanharmos o noticiário e facilmente ficamos estarrecidos com os últimos acontecimentos no Afeganistão, no momento da retirada das forças militares de ocupação dos Estados Unidos que realizaram intervenção no país nos últimos 20 anos. Eles derrubaram o antigo regime do Talibã, grupo radical islâmico que comandava o país até 2001, e após os atentados das torres gêmeas em Nova York, de autoria assumida por Osama Bin Laden, líder da Al Qaeda (protegida pelo Talibã), foi retirado do poder em operação de ocupação, assim reestabeleceram momentaneamente a ordem, com novas eleições e treinamento militar para os afegãos.

Após desgastes e interesses diversos, houve ordem de retirada das tropas assinada pelo presidente Biden, que já havia sido sinalizada pelo seu antecessor Trump, vimos a terrível cena de pessoas se pendurando e alguns caindo no avião militar na tentativa desesperada de sair do país. Uma foto interna mostra a superlotação, muito maior que a capacidade recomendada para a aeronave.

O Talibã, grupo radical islâmico, de outra etnia diferente do árabe, foi tomando o controle de diversas cidades, se instalando inclusive na sede do governo que até então estava no poder. Isso causa uma grande mudança na região, inclusive com um aumento inevitável dos refugiados em países vizinhos. Uma região multiétnica, com mais diferenças que semelhanças.

As mulheres são o grupo mais vulnerável, em decorrência do uso da sharia (lei islâmica radical), que as privam de direitos fundamentais. O uso da burca fechada é um sinal visível para nós ocidentais, mas que vai muito além. São usos e costumes que afrontam nossa mente de outro aspecto cultural. Crianças crescem para servirem militarmente, e tem pouca utilidade além dessa.

O Oriente Próximo, citado no título é a nomenclatura usada para incluir os países de cultura árabe de maioria muçulmana, além de Irã, de cultura persa, e do Afeganistão, de outra etnia, subdividida em  tajiques, hazaras, usbeques e pashtuns. O termo mais conhecido como Oriente Médio, está no começo da Ásia, englobando também o Egito, na África e a Turquia, na Europa.

Diante de tanta diversidade e distinção da cultura, o evangelho persevera na região, rompendo a forte religiosidade islâmica e os governos totalitários, que não permitem a expressão da fé cristã. A igreja secreta, reunida em lugares subterrâneos ou casas, continuam a resistir na região.

Existem missionários cristãos que atuam no lugar, que uma vez estando ligados a uma organização séria, e consequentemente a igrejas locais que são seus parceiros, têm uma série de cuidados e protocolos para a sua permanência na região. Em caso de um cenário tão obscuro, a retirada deles é inevitável, e redesenhar a estratégia de trabalho é necessário. Poderão servir em outros lugares que recebem os que saem das áreas mais perigosas, ou estar próximo dessas regiões através de sua profissão. A precaução e a segurança sempre devem ser prioridades.

Muitos dão a vida para servir a um povo pertencente à maior crise humanitária do mundo: os mais de 82,4 milhões de refugiados (dados de 2020 do ACNUR/ONU), que saíram de maneira forçada de seu lugar de origem, e precisam recomeçar a vida em outro lugar. Acolher e dar caminhos para prosseguirem bem é um desafio enorme, e temos portas abertas para isso em lugares estratégicos.

A Alemanha já anunciou que pode acolher 10 mil afegãos. A demanda é gigantesca, uma vez que países mais próximos do Afeganistão que fizeram isso no passado estão saturados de refugiados. Chegar ao Brasil é praticamente inviável, pela distância, falta de comunidades afegãs aqui e dificuldade para aprender a língua portuguesa. Isso não acontece com venezuelanos, haitianos, e de alguns países da áfrica, como Congo, que também tanto necessitam e são acolhidos aqui. Que outros países mais acessíveis possam fazer isso e amenizar essa crise de consequências gravíssimas para todo o mundo.

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