Brasil

Veneno de cobra brasileira pode reduzir vírus da Covid-19 em 75%

Redação DM

Publicado em 23 de agosto de 2021 às 16:18 | Atualizado há 5 anos


Pesquisadores do Instituto de Química (IQ) da Unesp identificaram um peptídeo – pedaço de proteína – presente no veneno da espécie Jararacuçu, capaz de conter a reprodução do vírus da Covid-19 (SARS-Cov-2).

Após testes realizados em laboratório, foi observado que a molécula extraída do veneno da cobra reduziu em 75% as chances do vírus se multiplicar em células de macaco. Os resultados conquistados no trabalho deram origem à um artigo, publicado na revista científica internacional Molecules.

O estudo promete ser um caminho promissor na procura por novos medicamentos para tratar pacientes infectados pela Covid-19.

“Nós encontramos um peptídeo que não é tóxico para as células, mas que inibe a replicação do vírus. Com isso, se o composto virar um remédio no futuro, o organismo ganharia tempo para agir e criar os anticorpos necessários, já que o vírus estaria com sua velocidade de infecção comprometida e não avançaria no organismo”, explica Eduardo Maffud Cilli, professor do IQ e um dos autores da pesquisa.

Atuação do veneno e etapas do estudo

O peptídeo encontrado na espécie Jararacuçu é uma molécula que interage e bloqueia a PLPro, uma das enzimas da Covid-19 que multiplicam suas células. Segundo Eduardo, esse mecanismo de ação é interessante pois todas as variantes do SARS-Cov-2 possuem a PLPro. Por isso, a propensão é de que a molécula preserve sua eficácia contra as diferentes mutações do vírus.

O ensaio é feito com as células de macaco cultivadas em laboratório, que recebem o peptídeo e, após uma hora, o vírus é adicionado na cultura. Após dois dias, os pesquisadores avaliam os resultados e, através alguns cálculos, descobrem o quanto o vírus deixou de se reproduzir.

Na segunda etapa do estudo, quando os pesquisadores identificaram um dos mecanismos de ação do peptídeo da cobra, o composto foi testado especificamente contra a enzima PLPro, que foi obtida no Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP.

Nas próximas etapas do estudo, os pesquisadores irão analisar a eficácia de diferentes dosagens e como ela pode executar outras funções na célula. Depois do fim dos testes, a perspectiva é de que o estudo prossiga para a etapa pré-clínica, na qual será estudada a eficiência do peptídeo para o tratamento de animais infectados pela Covid-19.

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