Brasileiros planejam uso do 13º salário entre dívidas, consumo e investimentos
Redação Online
Publicado em 6 de novembro de 2025 às 07:58 | Atualizado há 7 meses
Com a chegada de novembro, milhões de trabalhadores brasileiros começam a receber a primeira parcela do 13º salário, um reforço financeiro importante no fim do ano. Para muitos, o valor representa a oportunidade de sair do vermelho, planejar as festas de fim de ano ou até investir parte da quantia.
A professora Maria Eduarda Alves, de 32 anos, conta que pretende usar a primeira parcela para quitar parte das dívidas acumuladas com o cartão de crédito. “Quero começar 2026 com o nome limpo. O dinheiro vai direto para pagar o que devo, e o que sobrar, guardo para as despesas de janeiro”, afirma.
Segundo o economista Luiz Carlos Ongaratto, professor e mestre em Economia, o 13º salário é um dos principais impulsionadores da economia neste período. “Esse pagamento é importante por ser um salário ‘extra’ que entra em duas parcelas no final do ano para trabalhadores CLT. É quando se abre uma oportunidade no orçamento para quitar dívidas em atraso, viajar, fazer compras e cobrir gastos de férias e do início do próximo ano”, explica.
Ele ressalta que o comércio e o setor de serviços costumam ser os mais beneficiados. “O comércio se aquece por conta das festas de fim de ano, o que também puxa o setor de lazer, hotelaria, bares e restaurantes. Isso gera um efeito positivo em cadeia na economia.”
Em um cenário de endividamento elevado, Ongaratto alerta para o uso consciente do dinheiro. “Quitar dívidas é uma boa estratégia, já que os juros são mais altos do que a maioria dos investimentos. No caso de inadimplência, o ideal é destinar uma parte do 13º para isso, evitando a negativação e mantendo o acesso ao crédito.”
Para quem tem as contas em dia, o economista recomenda dividir o valor entre lazer e investimento. “Investir é importante, mas o lazer também é peça-chave para a saúde. O equilíbrio é fundamental.”
Sobre aplicações seguras, ele cita alternativas para perfis mais conservadores. “CDBs de bancos de primeira linha, LCIs e LCAs são opções interessantes, especialmente porque algumas são isentas de imposto de renda. O importante é criar o hábito de poupar, não apenas investir o que sobra.”
Ongaratto reforça que o controle financeiro deve ser uma prática constante. “Assim como uma conta de luz, as famílias podem estipular no orçamento o quanto desejam economizar todos os meses. O hábito é mais importante do que o valor inicial.”
Neste fim de ano, com a economia em ritmo de recuperação e o consumo em alta, o 13º salário promete trazer alívio para o bolso e fôlego para o mercado desde que usado com consciência e planejamento.