Cotidiano

Dona de boate é presa por torturar garota de programa durante cinco meses

Redação Online

Publicado em 31 de outubro de 2025 às 09:55 | Atualizado há 7 meses

A dona de uma boate em Vista Alegre do Prata, na Serra do Rio Grande do Sul, suspeita de torturar e manter em cárcere privado uma garota de programa por cerca de cinco meses dentro do próprio estabelecimento, foi presa na última sexta-feira, 24.

O caso chamou atenção pela brutalidade e pela justificativa apresentada pela investigada: segundo ela, uma “entidade religiosa” teria alertado que a vítima planejava assassiná-la.

De acordo com a delegada Liliane Kramm, responsável pela investigação, a mulher de 45 anos alegou em depoimento que as supostas “revelações espirituais” aconteciam durante incorporações realizadas no ambiente da boate. Com base nesses “alertas”, ela teria decidido castigar a vítima física e psicologicamente, além de impedi-la de sair do local ou receber qualquer remuneração.

Durante as diligências, os policiais apreenderam celulares das suspeitas, onde encontraram fotos e vídeos que comprovaram o padrão de violência e a frequência das agressões. A operação foi deflagrada após uma denúncia anônima de alguém que notou os ferimentos na mulher e procurou as autoridades.

Além da proprietária, três funcionárias duas de 31 anos e uma de 32 foram presas preventivamente. Todas foram levadas ao Presídio Estadual de Nova Prata e responderão pelos crimes de tortura, cárcere privado e violência psicológica.

A vítima foi resgatada em estado debilitado, tanto física quanto emocionalmente. Ela permaneceu hospitalizada por 14 dias e, após receber alta, foi acolhida pela rede de assistência social do município. Posteriormente, foi encaminhada à sua cidade natal, no Nordeste, onde segue em acompanhamento psicológico.

A Prefeitura de Vista Alegre do Prata interditou a boate e cassou o alvará de funcionamento após a operação policial. A Polícia Civil segue colhendo depoimentos e analisando novas provas para concluir o inquérito, que deve ser encaminhado ao Ministério Público nas próximas semanas.

Apesar da prisão das suspeitas, a polícia não descarta a existência de outras vítimas. “Ainda investigamos se práticas semelhantes ocorreram anteriormente e se outras mulheres também foram submetidas a esse tipo de violência dentro do local”, informou a delegada.

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia