Faeg diz que uso irracional da água gera crise hídrica
Redação DM
Publicado em 19 de julho de 2018 às 00:59 | Atualizado há 1 ano
Foi divulgado nesta semana um estudo para evitar a escassez de água em Goiás que foi elaborado pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) e outras entidades. O trabalho detalha propostas de preservação e conservação hídrica para diminuir o gasto e também para utilização da água da chuva. Segundo o presidente da Fieg, Pedro Alves de Oliveira, o problema é cultural e algumas medidas são importantes tanto para o uso doméstico quanto para o setor produtivo, que já sofre com a escassez hídrica, já que houve uma redução de 50% na captação do Rio Meia Ponte.
Desde 2017, a crise hídrica do Estado chamou a atenção do setor produtivo, que se organizou em busca de alternativas para a melhoria da disponibilidade de água, tanto para abastecimento humano quanto para o uso em atividades econômicas.
A grave situação hídrica do Estado levou o governo de Goiás, em agosto em 2017, a decretar situação de emergência por 90 dias no Rio Meia Ponte. Houve uma redução de 50% na captação de água do rio, o que refletiu em redução de 50% nas vazões de captação aos setores da indústria e agricultura.
Jalles Fontoura, presidente da Saneago, presente no encontro promovido pela Fieg onde foi tratado o tema ‘escassez de água no Estado de Goiás’, fez a seguinte afirmação: “Infelizmente ainda não temos fábrica de água”. Neste sentido, a Fieg, em conjunto com o Crea/GO, Emater/GO, Faeg, Secima e Sinduscon/ GO, promoveu o encontro “Preservação e Conservação da Água e do Solo”, que constituiu em um estudo estratégico no sentido de enfrentar o desafio da escassez hídrica no Estado de Goiás, a fim de que a Saneago e demais setores envolvidos pudessem ter uma luz sobre o problema.
Infelizmente ainda não temos fábrica de água. Neste sentido, a Fieg, em conjunto com o Crea/GO, Emater/GO, Faeg, Secima e Sinduscon/GO, promoveu o encontro “Preservação e Conservação da Água e do Solo”Jalles Fontoura, presidente da Saneago
Aproveitar água da chuva traz benefícios ao meio ambiente
Reduzir o consumo de água tratada aproveitando a água das chuvas proporciona ganho tanto econômico quanto ambiental ao diminuir o custos de investimentos com abastecimento doméstico. Além disso, colabora com o sistema de drenagem urbana, a atenuar o volume de escoamento, e minimiza os riscos de enchentes e de escassez hídrica.
Exemplo dessa ação mitigadora foi apresentado o projeto executado pela Fieg no Edifício Pedro Alves de Oliveira – maior construção em área útil construída (7.520 m²) do Sistema Fieg, que contempla reservatório para captação das águas da chuva com capacidade para 47.200 litros.
Funciona assim: a água precipitada na cobertura do edifício é captada e direcionada por gravidade a um reservatório inferior, subterrâneo, com capacidade para 47.200L. Por meio de bombas de recalque, a água pluvial é direcionada para um segundo reservatório, localizado no barrilete do prédio, com capacidade de 3.000L.
A partir desse segundo reservatório, a água é distribuída por gravidade para os pontos de consumo não potáveis. A ação permite economia de consumo de água tratada, contribuindo para o enchimento dos reservatórios que abastecem as cidades. Foi constatada uma economia de 38% no consumo de água tratada no comparativo dos últimos quatro meses com igual período do ano passado.
INDÚSTRIA
O setor privado industrial investe em modernização tecnológica e práticas de gestão para captar a menor quantidade possível de água e devolvê-la aos mananciais com qualidade – muitas vezes superior à da captada. Algumas ações que estão sendo aplicadas pelas indústrias com o objetivo de reduzir o consumo de água no processo produtivo são: captação de água da chuva, sistema de reuso da água, reutilização da água e troca de equipamentos, que consiste na implantação de tecnologias que reduzem as perdas de água em até 75%.
A indústria química reduziu em 25% a captação de água entre 2006 e 2016. Além disso, 7% de todo o efluente gerado foi recuperado para uso industrial em 2015. Atualmente, 99% do parque industrial de produção de cimento emprega o processo via seca e a água é utilizada nas torres de arrefecimento e infeção nos moinhos para o resfriamento do o material, representando um consumo de 100 litros por tonelada de clínquer.
A água empregada para o resfriamento de gases é absorvida no processo e liberada na forma de vapor, sem nenhum contaminante, enquanto que a utilizada para resfriar os equipamentos passa por separadores de óleo e é reaproveitada.
Rio Meia Ponte
O Rio Meia Ponte, em 2017, apresentou significativa redução de sua vazão, prejudicando a captação de água bruta para tratamento e distribuição à população da Grande Goiânia.Dessa forma, sugerimos ações preventivas no intuito de minimizar o problema de abastecimento ocorrido nas bacias do Rio Meia Ponte, como outras bacias do Estado de Goiás.
Dentre as propostas apresentadas, está a de realizar obras de ampliação do Sistema de Abastecimento de Água, visando aumentar a capacidade de produção, tratamento e distribuição de água à população.
SETOR AGROPECUÁRIO
A agroindústria vem sofrendo com a falta de abastecimento de água na estação da seca. Torna-se necessário e urgente desenvolver ações para produção e conservação das águas, recuperação e conservação do solo e das áreas de preservação ambiental.
Dentre as propostas apresentadas está a de construção de terraços e bacias de infiltração; recuperação e proteção de nascentes; reflorestamento de áreas de proteção permanente e reserva legal; cadastramento de nascentes e áreas degradadas e a criação de um programa que instrua o produtor rural a adotar práticas conservacionistas em seu sistema produtivo.
É imprescindível, diante dos aspectos positivos na construção de pequenos, médios e grandes reservatórios/barragens e poços tubulares para minimizar a escassez de recursos hídricos. Por isso, o estudo propõe que seja incentivada a preservação de água, a implantação de outrogas on line para pequenos barramentos, com responsabilidade da área dos profissionais da área, a regularização de barramentos com uma campanha do governo que permita a possibilidade da construção destas pequenas barragens.