Falta água em Goiás
Redação DM
Publicado em 21 de outubro de 2015 às 22:52 | Atualizado há 11 anosTodo o ano neste período o calor é o mesmo. A população aflita reclama muito e aumenta o consumo da água para aliviar essa situação e a crise hídrica acomete milhares de pessoas sistematicamente todos os anos. A Saneago esclarece que a culpa é do calor, do uso desmedido e da falta de conscientização do consumidor.
Anápolis, Catalão, Trindade, Aparecida de Goiânia e alguns bairros da capital estão sofrendo com a escassez dos recursos hídricos nestes últimos dias. O sistema de rodízio foi implantado em algumas cidades.
Muitas escolas do interior estão suspendendo as aulas ou encerrando-as mais cedo devido à falta de água para banheiro, limpeza e inclusive para beber e fazer a merenda. Alunos são aconselhados a trazerem água de casa. Alguns faltam aula alegando não poder mesmo banho para sair de casa. Donas de casa estão fazendo estoque em baldes, galões e garrafas quando o rodízio retorna, para não sofrerem muito durante o período de abstinência.
Catalão
A cidade que fica no sudoeste goiano a 256 km da capital, instaurou um modelo de rodízio em que metade da população recebe abastecimento por um dia e meio e a outra metade aguarda. Depois o processo é invertido: quem não foi suprido é agraciado por um dia e meio enquanto o outro grupo fica na seca. Esse rodízio segue por tempo indeterminado. É o segundo ano consecutivo que o povo catalano vivencia essa situação.
O Ribeirão Samambaia, principal fonte de abastecimento de Catalão está vazio. Para suprir a necessidade da população, outro ribeirão recebe o bombeamento, porém, este tem metade da vazão do Samambaia.
Anápolis
Localizada a 48 km de Goiânia, a cidade de Anápolis também adentrou no sistema de rodízio. Mas, os anapolinos alegam que o sistema de rodízio não começa a funcionar no horário prometido e para de bombear água no horário estipulado.
Nove postos de saúde estão sem água por completo. A venda de água mineral aumentou de tal modo que em alguns estabelecimentos já faltam galões de 20 litros. A gerente regional da Saneago, Tânia Vasconcelos, alega que o uso excessivo de água nas irrigações por parte dos produtores rurais é o que mais prejudica no bombeamento para a população.
Resposta da Saneago
A Companhia de Saneamento de Goiás, através da superintendência de comunicação, informou que, no momento, Goiânia e Aparecida não passarão por um rodízio. No fim da tarde alguns reservatórios ficam vazios, mas durante a noite a Saneago consegue repor de volta essa água. A Saneago explica que o consumo tem sido excessivo e pede contribuição da população quanto ao desperdício, por exemplo: não desperdiçar água lavando calçadas.
Rios em Goiás tem vazão reduzida, causa pode ser criminosa
A baixa umidade, a falta de chuva, o calor, todos podem ser fatores para a redução da capacidade hídrica de um rio. Na época de estiagem o consumo por parte da população também aumenta. Porém estes não são os únicos problemas que causam a redução da vazão dos rios.
O Rio Meia Ponte que supre Goiânia, parte de Aparecida, Trindade e Goianira; o Ribeirão Piancó que abastece Anápolis; e o Rio Vermelho que alimenta a Cidade de Goiás estão com suas capacidades reduzidas.
A Saneago pediu à Secretaria do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Secima) que investigue a possibilidade de bombeamento ilegal do Rio Meia ponte por parte de agricultores. Denúncias já foram feitas para a Secima sobre produtores rurais que estariam captando recursos hídricos de forma ilegal no Ribeirão Piancó, em Anápolis.
Produtores rurais se reuniram com o secretário do Meio Ambiente para discutir as acusações da Saneago sobre o Ribeirão Piancó. Para eles, as acusações são infundadas e eles querem mais outorgas para a utilização da água do ribeirão. Os produtores tiveram seus equipamentos lacrados há cerca de um mês e alegam que não são responsáveis pelo baixo nível do Piancó.
Senador Canedo
Calamidade pública por falta de água
Município também vai à Justiça pela retirada de pivôs de irrigação
Assessoria
O prefeito Misael Oliveira assinou no final da tarde de ontem (21) decreto que estabelece situação de calamidade pública em Senador Canedo. A medida se deve aos recorrentes problemas enfrentados devido a falta de água. Paralelamente, a Procuradoria Geral do Município prepara ação, com pedido de liminar, para a retirada de pivôs de irrigação instalados nos mananciais que abastecem a cidade.
Conforme Misael Oliveira, o uso indiscriminado da água, principalmente nos ribeirões Bonsucesso e Sozinha, é o vilão do desabastecimento no Município. “É a utilização ilegal de pivôs de irrigação, por pessoas que não têm outorga de água, que nos levou a esse estado de calamidade”, afirmou o prefeito na tarde da quarta-feira, 21, na sede da Agência de Saneamento de Senador Canedo (Sanesc).
A ação a ser impetrada requer a apreensão dos equipamentos no leito do Bonsucesso e do Sozinha, inclusive em outros municípios, para que se possa restabelecer a ordem e o abastecimento de água. “Segundo dados técnicos, um pivô de 100 hectares é capaz de abastecer uma cidade de até 40 mil habitantes”, diz Misael Oliveira
Após ter sobrevoado a região, o prefeito garante que somente na bacia do Bonsucesso há mais de 10 pivôs com essa característica, o que explica o problema que a cidade atravessa. “Água é um bem público, tem prioridade, é segurança nacional. Daí estarmos ingressando a Justiça pedindo liminar para busca e apreensão dos equipamentos”, conclui.
Olhar técnico
As declarações do prefeito Misael Oliveira são corroboradas pelo engenheiro eletricista e hidrólogo Marcos Antônio Correntino. Segundo o especialista a irrigação é fundamental para a produção de alimentos, mas deve ser feita de forma adequada, com pivôs automáticos, que só ligam quando há necessidade.
“É exatamente como o prefeito disse, o uso de um pivô de 100 hectares, ligado 20 horas por dia, consome água suficiente para uma população de 30, 40 mil habitantes. Não se pode desperdiçar nada na irrigação. Um mililitro desperdiçado com esse pivô pode corresponder a um milhão de litros”, explica.
Marcos Correntino destaca ainda que o Estado, através da Secretaria estadual do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Secima), deve fazer gestão mais eficiente dos mananciais, ver onde pode e onde não pode outorgar. “O Ribeirão Bonsucesso, por exemplo, não tem nenhum local com estação ou ponto com medição diária de vazão para ver a evolução, onde está tendo mais sedimento”, expõe.
Para o hidrólogo, a ação emergencial se refere à retirada ou suspensão do uso dos pivôs. Ele indica ainda a construção de barragens para segurar a água durante três, quatro meses, evitando que a crise se repita ou agrave. “Falta também o cumprimento da Lei 9433, que estabelece que em caso de escassez de água o uso prioritário é para abastecimento humano. Nessa situação específica é preciso fiscalização para que a lei seja obedecida, que a irrigação cesse e as indústrias parem de captar”, ressalta Marcos Correntino.
Desde o início da atual administração, diversas medidas foram adotadas para evitar o desabastecimento, com resultados positivos, mas ainda insuficientes diante do quadro atípico vivenciado nos últimos meses. Apenas em relação aos poços artesianos, 18 já foram perfurados e outros 20 reativados, elevando a 51 o total em operação. Para maior aproveitamento da vazão, as bombas utilizadas nos poços foram trocadas.
Também foi otimizado o represamento do Ribeirão Sozinha e trocados os rotores das bombas de captação nele e nos outros mananciais: Bonsucesso e Laginha. Outras ações para enfrentar o desabastecimento foram executadas, como a ampliação da capacidade total de reservação do Município em 50% e a instalação de geradores em todas as captações, Estação de Tratamento de Água (ETA) Central e mini-ETA do Jardim das Oliveiras, para evitar a suspensão do bombeamento durante eventuais quedas de energia.
A Agência de Saneamento de Senador Canedo (Sanesc), também estabeleceu parcerias com a Delegacia Estadual de Meio Ambiente (Dema) e a Secretaria Estadual do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Secima) para combater a retirada clandestina de água dos ribeirões que abastecem a Cidade, prática comum por parte de alguns agricultores e fazendeiros da região.
Com a demanda crescente por água e o desafio da falta de chuva, a Prefeitura de Senador Canedo segue com as perfurações de poços artesianos, com foco nas regiões mais penalizadas. Além disso, disponibiliza 21 caminhões-pipa diariamente. Eles buscam água na represa da Engopa, levam para o tratamento, e em seguida distribuem à população.
O prefeito Misael Oliveira contatou a Saneago e encaminhou ofício propondo a compra de água. A proposta é que a estatal estenda um duto até a divisa com Senador Canedo, onde a Prefeitura instalaria um macro medidor para poder distribuir água no Município.